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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Mensagem de um idoso juvenil...


Não sei quem é o autor, talvez seja cada um de nós quando ao publicar textos como esse, vai retocando ali e aqui. Recebi de um querido amigo e agora compartilho com vocês, leitores assíduos ou não de todas as idades.

"Eu nunca trocaria os meus amigos surpreendentes, a minha vida maravilhosa, a minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa.  Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítico de mim mesmo. Eu tornei-me o meu próprio amigo...  Eu não me censuro por comer um cozido à portuguesa ou uns biscoitos extra, ou por não fazer a minha cama, ou para a compra de algo supérfluo que não precisava. Eu tenho direito de ser desarrumado, de ser extravagante e livre.

Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.

Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até às quatro horas e dormir até meio-dia? Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 & 70, e se eu, ao mesmo tempo, desejo chorar por um amor perdido... Eu vou.

Vou andar na praia com um calção excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros no jet sky. Eles também vão envelhecer.

Eu sei que às vezes esqueço algumas coisas. Mas há mais algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes. Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado.  Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro?  Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.

Eu sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.
Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.
Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo.  Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais. Eu ganhei o direito de estar errado. Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser idoso.
 
A idade me libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei.  Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será.  E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).

Que nossas amizades nunca se separem porque é direto do coração!"


Um dia quero ser assim.... Será que consigo?

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Aos Meus Heróis


Hoje trago uma música que escutei outro dia, dos compositores Julinho Marassi e Gutemberg. Ela retrata um pouco da nossa realidade e ao mesmo tempo uma belíssima homenagem a nossos grandes compositores...

Não podemos nunca esquecer da nossa cultura. Se hoje parece que nossa música anda perdida em versos sem sentido,  precisamos lembrar que temos muitas coisas boas. Precisamos passar para as novas gerações o hábito das letras inteligentes.

Por isso DJ, toque música inteligente.Mexa o "popozão" mas também a cabeça!




Faz muito tempo que eu não escrevo nada
Acho que foi porque a Tv ficou ligada
Me esqueci que devo achar uma saída, e usar palavras
Pra mudar a sua vida!
Quero fazer uma canção mais delicada

Sem criticar
Sem agredir
Sem dar pancada

Mas não consigo concordar com esse sistema, e quero
Abrir sua cabeça pro meu tema
Que fique claro a juventude não tem culpa
É o eletrônic fundindo a sua cuca
Eu também gosto de dançar o pancadão, mas é saudável
Te dar outra opção

Os meus heróis estão calados nessa hora, pois já
Fizeram e escreveram sua história
Devagarinho eu vou achando meu espaço, e não me
Esqueço das riquezas do passado
Eu quero a benção de Vinícius de Morais
E o Belchior cantando como nossos pais

E se eu quiser falar com Gil sobre o flamengo
O que será que o nosso Chico tá escrevendo?
Aquelas rosas já não falam de cartola, e do Cazuza te
Pegando na escola
Tô com saudade do Jobim com seu piano, do Fabio jr.
Com seus 20 e poucos anos

Se o Renato teve seu tempo perdido, o rei Roberto
Outra vez o mais querido, a agonia do Oswaldo
Montenegro ao ver que a porta já não tem mais nem
Segredos

Ter tido a sorte de escutar o Taiguara, e Madalena de
Ivan Lins beleza rara
Ver a morena tropicana do Alceu
Marisa Monte me dizendo beija eu
Beija eu, beija eu
Deixa que eu seja eu

O Zé Rodrigues em sua casa no campo, levou Geraldo pra
Cantar num dia branco
No chão de giz do Zé Ramalho eu escrevi
Eu vi Lulu, Benjor, Tim Maia e Rita Lee

Pedi ao Beto um novo sol de primavera
Ver o Toquinho retocando a aquarela
Ouvir o Milton lá no clube da esquina, cantando ao lado
Da rainha Elis regina

Quero sem lenço, documento Caetano
O Djavan mostrando a cor do oceano
Vou caminhando e cantando com o Vandré
E á outra vida Gonzaguinha, o que é

Atenção Dj faça sua parte, não copie os outros seja
Mais smart na rádio ou na pista mude a sequência,
Mexa com as pessoas e com a consciência
Se você não faz letra inteligente, fica dominado é
Limitadamente, faça refletir
Dj não se esqueça
Mexa o popozão, mas também a cabeça
A cabeça
A cabeça
A cabeça
A cabeça Dj
A cabeça!

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Por que me tornei Vascaíno...

Nessa semana em que mais uma vez, a torcida vascaína comemora um título, escrevo um pouco do porquê faço parte dessa torcida.

É inegável que meu primeiro contato com o clube veio de sangue, por influência de meu pai, padrinho e avô, todos vascaínos convictos. Apesar dessa influência sempre tive certa liberdade de escolha, nunca me foi imposto que eu escolhesse um time ou outro para torcer.

Desde criança sempre fui curioso por saber a história, e busquei a história do clube, começando por quem inspirou seu nome, o grande navegador português que desbravou os mares em busca de uma rota marítima para a Índia, depois dos turcos invadirem a cidade de Constantinopla (hoje Istambul) e fecharem o caminho "por terra" para o Oriente. Luis de Camões retratou poeticamente essa viagem em seu livro "Os Lusíadas".

Comecei a ter contato com a história de um clube que nasceu em 1898 numa pequena sala, na região portuária do Rio de Janeiro. Começando com as regatas e esportes aquáticos, aos poucos foi conquistando seu espaço no cenário esportivo.

Em 1915, o Club Regatas Vasco da Gama, absorveu o Lusitânia Futebol Clube, começando em 1916 a disputar as categorias inferiores do campeonato estadual. Em 1922, conquistou o título da segunda divisão, o credenciando a disputar no ano seguinte com a elite do futebol carioca. Não apenas disputou como ganhou com bela campanha o título de 1923, o que enfureceu os clubes elitistas da zona sul (Flamengo, Fluminense e Botafogo) que não toleraram serem derrotados por um time composto de negros, pobres e analfabetos. No ano seguinte, esses clubes fundaram uma nova associação esportiva e para autorizarem a filiação do CRVG, exigiram que fossem excluídos todos os jogadores negros de seu time. Diante disso a direção vascaína enviou uma carta a associação que acabou se tornando um marco contra o preconceito no meio esportivo:


Rio de Janeiro, 7 de Abril de 1924.

Ofício nr. 261 
Exmo. Sr. Dr. Arnaldo Guinle


M.D. Presidente da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos


As resoluções divulgadas hoje pela imprensa, tomadas em reunião de ontem pelos altos poderes da Associação a que V.Exa tão dignamente preside, colocam o Club de Regatas Vasco da Gama numa tal situação de inferioridade, que absolutamente não pode ser justificada nem pela deficiência do nosso campo, nem pela simplicidade da nossa sede, nem pela condição modesta de grande número dos nossos associados.

Os privilégios concedidos aos cinco clubes fundadores da AMEA e a forma por que será exercido o direito de discussão e voto, e feitas as futuras classificações, obrigam-nos a lavrar o nosso protesto contra as citadas resoluções.

Quanto à condição de eliminarmos doze (12) dos nossos jogadores das nossas equipes, resolve por unanimidade a diretoria do Club de Regatas Vasco da Gama não a dever aceitar, por não se conformar com o processo por que foi feita a investigação das posições sociais desses nossos consócios, investigações levadas a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa.

Estamos certos que V.Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno da nossa parte sacrificar ao desejo de filiar-se à AMEA alguns dos que lutaram para que tivéssemos entre outras vitórias a do campeonato de futebol da cidade do Rio de Janeiro de 1923.

São esses doze jogadores jovens, quase todos brasileiros, no começo de sua carreira e o ato público que os pode macular nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que eles, com tanta galhardia, cobriram de glórias.

Nestes termos, sentimos ter que comunicar a V.Exa. que desistimos de fazer parte da AMEA.

Queira V.Exa. aceitar os protestos de consideração e estima de quem tem a honra de se subscrever, de V.Exa. At. Vnr. Obrigado.


 Dr. José Augusto Prestes.

Presidente.

Diante da pressão sofrida, nos anos seguintes a elite tentou outras formas de proibir os jogadores do Vasco de jogarem e sempre a direção contornava a questão, primeiro quando alegaram que os jogadores eram analfabetos e não poderiam jogar (montou-se uma escola para alfabetizar os jogadores), depois alegaram que o Vasco não tinha estádio, e o CRVG começou a mandar seus jogos no estádio do Andarahy, enquanto contruia seu próprio estádio, com a contribuição de sua torcida. Em 1927, o Estádio Vasco da Gama (conhecido também como São Januário, por causa da rua em que é localizado) fica pronto e foi o maior da América Latina até a construção do Maracanã em 1950. E ainda hoje é o único estádio dentre os principais clubes do Rio que ainda é capaz de receber jogos.

Uma história de superação contra o preconceito e a discriminação que só reforçou em mim o sentimento por essa instituição centenária.

Mas história foi feita para ser contada, lembrada, admirada e respeitada. O que faz um coração juvenil seguir um time são títulos, e no período entre meus 4 e 12 anos, vi o Vasco conquistar:

          - Bicampeão da Taça Guanabara
         - Campeão Estadual, Bicampeão da Taça Cidade de Juiz de Fora (Minas Gerais)
1987 - Campeão da Copa de Ouro (Los Angeles, Estados Unidos)
         - Campeão da Copa TAP (Newark, Estados Unidos)
         - Campeão do Torneio Ramón de Caranza (Cádiz, Espanha)

         - Campeão da Taça Rio
1988 - Campeão da Taça Brigadeiro Gerônimo Bastos (Terceiro Turno do Estadual)
         - Bicampeão Estadual
         - Bicampeão do Torneio Ramón de Carranza (Cádiz, Espanha)

         - Campeão Brasileiro
1989 - Campeão do Torneio de Metz (Metz, França)
         - Tricampeão do Torneio Ramón de Carranza (Cádiz, Espanha)

1990 - Campeão da Taça Guanabara
         - Campeão da Taça Adolpho Bloch (Rio de Janeiro)

1991 - Campeão do Torneio da Amizade (Libreville, Gabão)

         -  Campeão da Taça Guanabara
1992 -  Campeão da Taça Rio
         -  Campeão Estadual
         -  Campeão da Copa Rio de Janeiro

         - Bicampeão da Taça Rio
         - Bicampeão Estadual
         - Bicampeão da Copa Rio de Janeiro
1993 - Campeão do Torneio João Havelange (RJ-SP)
         - Campeão do Troféu Cidade de Barcelona (Barcelona, Espanha)
         - Campeão do Troféu Cidade de Zaragoza (Zaragoza, Espanha)

1994 - Campeão da Taça Guanabara, Tricampeão Estadual

1995 - Campeão do Torneio Palma de Mallorca (Mallorca, Espanha)


Muitos títulos para alguém que já admirava a história. A paixão era genética e não teve outro jeito senão permanecer no sangue depois dessas alegrias. E como digo, depois dos doze anos ninguém muda mais de time. E dessa maneira era impossível outra escolha. Os anos se seguiram e mais títulos vieram. E mais virão.

Foram 4 anos desde o último título (Copa do Brasil 2011) e 12 anos desde o último Campeonato estadual. O grito estava entalado na garganta de muitos, em especial depois de tantos erros que nos afastaram injustamente desse momento. É hora de celebrar. Em algum lugar no mundo, a exemplo de Poseidon no meio do Atlântico, saudando a caravela do heroico português, alguém clama:

Atenção vascaínos!

Ao vasco nada?
[tudo!]

Então como é que é que é que é?

"Casaca
 Casaca
 Casaca, saca saca
 A turma
 É boa
 É mesmo da fuzarca!
 Vasco, vasco, vasco!"

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Fatos e pessoas

Existem fatos, pessoas e histórias. Histórias são para serem contadas, mas isso a seu tempo. E não apenas em um tempo, mas talvez em três. Três atos para uma história de mudanças. Mas hoje é dia de fatos e pessoas.

Pessoas que fazem a diferença e sempre fizeram desde o princípio. E qual foi esse princípio? Quando foi? Deveras não sei, tampouco creio que precise saber. Tudo que sei é que de alguma forma existe uma ligação, forte o bastante para que eu saiba de fatos antes de eles serem contados e isso aconteceu mais de uma vez, tanto em alegrias quanto tristezas, seja um olhar triste de quem rompeu um relacionamento, um olhar radiante de quem carrega uma alegria em si ou frases do tipo: preciso te contar algo, ou estou com um problema.

E ouço, escuto, espero que conte, mesmo algo dentro de mim sentindo o que é. Poderia afirmar que isso é fonte de vidas passadas e afins, mas não faz parte de minhas crenças religiosas, então apenas afirmo ser fruto de uma ligação psíquica.

E então escrevo. às vezes sem saber o porquê, muitas vezes sem saber para quem. Mas o que escrevo, de alguma forma vai até quem precisa, alguém que precisava ler exatamente aquilo. E creio que hoje não seja diferente, porque não sei dos porquês, nem dos comos, pode ser que um dia eu saiba, pode ser que na hora certa me contem, mas sei que alguém precisa ler isso. Alguém que está triste porque tem um problema, está passando por um momento difícil.

Todos temos momentos difíceis, isso faz parte da vida e do ensinamento que esta nos dá. Os fatos que acontecem em nossas vidas são consequências diretas de nossos atos e de nossas escolhas. E não somos perfeitos, queremos sempre acertar mas erramos e temos que aprender com esses erros. 

Fazemos uma escolha e somos felizes, mas a felicidade é algo frágil que deve ser trabalhada no dia-a dia, no contato diário, nos grandes e pequenos detalhes. E de repente o que antes nos fazia feliz, já não faz mais. Vem a tristeza, a sensação de decepção, e por alguns momentos esquecemos dos frutos que os tempos felizes nos deixaram. Não são poucos nem devem ser subestimados.

Precisamos estarmos felizes conosco mesmo, cientes de que cada passo pode nos levar a felicidade ou a tristeza, mas certos de que é necessário acima de tudo dar esse passo, sem medo, sem "culpa externa", mas de acordo com o que acreditamos ser o melhor para nós. Podemos estar errados? Sim, mas mais errado é ficar parado. Arriscar, viver, ser feliz, ficar triste, recuperar a felicidade, conquistar, ser derrotado, perder, ganhar. Mas seguir em frente com o ensinamento de tudo que deu certo e deu errado no passo anterior, isso é o mais importante.

Não se preocupe se o que te fazia bem, te fazia feliz, hoje não faz mais, ou se algo se deu errado algum plano, se algo que você muito quis escapou por pouco de tuas mãos. A conquista virá em breve, basta manter o foco,  transformar os erros em acertos e multiplicar os acertos.

Seu momento chegará, tenha fé em si. E nunca perca a fé em Deus.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Quando menos é mais

Quereria ser menos, quereria fazer menos, saber menos. Gostaria de ser como aquelas pessoas que não se esforçam para fazer nada, pois essas acabam sendo mais valorizadas. 

Sim, gostaria. Infelizmente vivemos numa cultura onde a incompetência é valorizada, onde o saber menos, fazer menos é visto com mais bons olhos do que o oposto.

Isso começa de criança, quando na escola existem dois alunos: um que sempre tira boas notas e outro costumeiramente sempre com notas bem baixas. Imagine o exemplo: um aluno tira sempre entre 9 e 10 em suas avaliações, enquanto outro mantem sua nota entre 3 e 4. Acontece de numa prova ambos obtiveram o mesmo grau: 6,5. Ao entregar a prova a professora diz para o aluno de boas notas : "O que aconteceu? Precisa se esforçar mais para próxima". E esse aluno vai triste para casa pensando no que aconteceu para aquela nota "ruim" dentre tantas "boas" e em casa, ainda terá que enfrentar a mesma pergunta de seus pais: "O que aconteceu?".  Enquanto isso, o aluno das notas baixas ganha um "Parabéns" da professora, e lhe diz "Continue assim", e ele vai feliz, satisfeito e orgulhoso por aquele feito, aquela nota boa dentre tantas ruins.

E isso prossegue durante toda vida da pessoa. Todo seu esforço e trabalho é visto como algo costumeiro e habitual dela, como se não passasse de sua "obrigação" devido a sua conhecida vontade de ajudar, de fazer o que é preciso, de modo a quando não faz algo é questionado do porquê.

Por outro lado, aquela pessoa conhecidamente displicente e inábil tem seu mínimo esforço reconhecido e parabenizado. Como exemplo, algo simples e fácil, representado em muitas histórias de filmes e afins: "colocar o lixo para fora." Uma pessoa sempre o faz, é seu hábito e costume, mas por algum motivo, um dia não colocou o lixo para fora. Resultado: no mínimo é questionado do porquê, e criticado. Outra pessoa é relapsa, nunca fez essa atividade (nem outras similares e simples), um certo dia chega, olha o lixo e o põe para fora. Resultado: é elogiado.

Esse comportamento de não valorizar aquele que usualmente é aplicado em suas obrigações, é algo até mesmo incentivado pelas religiões:

"Aquele servo que conhece a vontade de seu senhor e não prepara o que ele deseja, nem o realiza, receberá muitos açoites. Mas aquele que não a conhece e pratica coisas merecedoras de castigo, receberá poucos açoites. A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido." (Lc 12, 47-48)

Esse é um trecho dentre outros que tem o mesmo sentido: o saber demais, o fazer demais nem sempre é bom. Muitas vezes a ignorância e incapacidade são mais valorizadas, pelo simples fato de culturalmente ou usualmente não se esperar nada da pessoa.

Com o conhecimento vem também a responsabilidade, essa é uma verdade muito dita. A responsabilidade de fazer certo, a responsabilidade simplesmente de fazer. E quando você faz, quando você se mostra competente, será cobrado para que faça sempre.

Se você pode viver sem os louros da vitória, com a consciência de fazer o que pode, se sentindo bem apenas por ser útil, aprenda, saiba e faça. Não será reconhecido, nem parabenizado, mas se sentirá bem consigo. Se precisa viver de elogios, só faça algo quando as pessoas esquecerem que você é capaz, assim você infla seu ego até ele ficar maior que sua consciência do dever cumprido. Mas não cometa o erro de perceberem que você pode mais, pois se perceberem, vão te exigir mais.

Porque menos, muitas vezes é mais. Infelizmente.



domingo, 5 de abril de 2015

Páscoa e seus símbolos

O nome páscoa surgiu a partir da palavra hebraica "pessach" ("passagem"), que para os hebreus significava o fim da escravidão e o início da libertação do povo judeu (marcado pela travessia do Mar Vermelho, que se tinha aberto para "abrir passagem" aos filhos de Israel que Moisés ia conduzir para a Terra Prometida).

Ainda hoje a família judaica se reúne para o "Seder", um jantar especial que é feito em família e dura oito dias. Além do jantar há leituras nas sinagogas.

Para os cristãos, a Páscoa é a passagem de Jesus Cristo da morte para a vida: a Ressurreição. A passagem de Deus entre nós e a nossa passagem para Deus. É considerada a festa das festas, a solenidade das solenidades, e não se celebra dignamente senão na alegria.

Em tempos antigos, no hemisfério norte, a celebração da páscoa era marcada com o fim do inverno e o início da primavera. Tempo em que animais e plantas aparecem novamente. Os pastores e camponeses presenteavam-se uns aos outros com ovos.


OVOS DE PÁSCOA

 De todos os símbolos, o ovo de páscoa é o mais esperado pelas crianças.

Nas culturas pagãs, o ovo trazia a idéia de começo de vida. Os povos costumavam presentear os amigos com ovos, desejando-lhes boa sorte. Os chineses já costumavam distribuir ovos coloridos entre amigos, na primavera, como referência à renovação da vida.

Existem muitas lendas sobre os ovos. A mais conhecida é a dos persas: eles acreditavam que a terra havia caído de um ovo gigante e, por este motivo, os ovos tornaram-se sagrados.
Os cristãos primitivos do oriente foram os primeiros a dar ovos coloridos na Páscoa simbolizando a ressurreição, o nascimento para uma nova vida. Nos países da Europa costumava-se escrever mensagens e datas nos ovos e doá-los aos amigos. Em outros, como na Alemanha, o costume era presentear as crianças. Na Armênia decoravam ovos ocos com figuras de Jesus, Nossa Senhora e outras figuras religiosas.
Pintar ovos com cores da primavera, para celebrar a páscoa, foi adotado pelos cristãos, nos século XVIII. A igreja doava aos fiéis os ovos bentos.

A substituição dos ovos cozidos e pintados por ovos de chocolate, pode ser justificada pela proibição do consumo de carne animal, por alguns cristãos, no período da quaresma.

A versão mais aceita é a de que o surgimento da indústria do chocolate, em 1830, na Inglaterra, fez o consumo de ovos de chocolate aumentar.

COELHO

 O coelho é um mamífero roedor que passa boa parte do tempo comendo. Ele tem pêlo bem fofinho e se alimenta de cenouras e vegetais. O coelho precisa mastigar bem os alimentos, para evitar que seus dentes cresçam sem parar.

Por sua grande fecundidade, o coelho tornou-se o símbolo mais popular da Páscoa. É que ele simboliza a Igreja que, pelo poder de cristo, é fecunda em sua missão de propagar a palavra de Deus a todos os povos.

CORDEIRO

 O cordeiro é o símbolo mais antigo da Páscoa, é o símbolo da aliança feita entre deus e o povo judeu na páscoa da antiga lei. No Antigo Testamento, a Páscoa era celebrada com os pães ázimos (sem fermento) e com o sacrifício de um cordeiro como recordação do grande feito de Deus em prol de seu povo: a libertação da escravidão do Egito. Assim o povo de Israel celebrava a libertação e a aliança de Deus com seu povo.

Moisés, escolhido por Deus para libertar o povo judeu da escravidão dos faraós, comemorou a passagem para a liberdade, imolando um cordeiro.

Para os cristãos, o cordeiro é o próprio Jesus, Cordeiro de Deus, que foi sacrificado na cruz pelos nossos pecados, e cujo sangue nos redimiu: "morrendo, destruiu nossa morte, e ressuscitando, restituiu-nos a vida". É a nova Aliança de Deus realizada por Seu Filho, agora não só com um povo, mas com todos os povos.

CÍRIO PASCAL

 É uma grande vela que se acende na igreja, no sábado de aleluia. Significa que "Cristo é a luz dos povos".

Nesta vela, estão gravadas as letras do alfabeto grego"alfa" e "ômega", que quer dizer: Deus é princípio e fim. Os algarismos do ano também são gravados no Círio Pascal.

O Círio Pascal simboliza o Cristo que ressurgiu das trevas para iluminar o nosso caminho.

GIRASSOL

 O girassol é uma flor de cor amarela, formada por muitas pétalas, de tamanho geralmente grande. Tem esse nome porque está sempre voltado para o sol.

O girassol, como símbolo da páscoa, representa a busca da luz que é Cristo Jesus e, assim como ele segue o astro rei, os cristãos buscam em Cristo o caminho, a verdade e a vida.

PÃO E VINHO

 O pão e o vinho, sobretudo na antiguidade, foram a comida e bebida mais comum para muitos povos. Cristo ao instituir a Eucaristia se serviu dos alimentos mais comuns para simbolizar sua presença constante entre e nas pessoas de boa vontade. Assim, o pão e o vinho simbolizam essa aliança eterna do Criador com a sua criatura e sua presença no meio de nós.

Jesus já sabia que seria perseguido, preso e pregado numa cruz. Então, combinou com dois de seus amigos (discípulos), para prepararem a festa da páscoa num lugar seguro.

Quando tudo estava pronto, Jesus e os outros discípulos chegaram para juntos celebrarem a ceia da páscoa. Esta foi a Última Ceia de Jesus.
A instituição da Eucaristia foi feita por Jesus na Última Ceia, quando ofereceu o pão e o vinho aos seus discípulos dizendo: "Tomai e comei, este é o meu corpo... Este é o meu sangue...". O Senhor "instituiu o sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar assim o Sacrifício da Cruz ao longo dos séculos, até que volte, confiando deste modo à sua amada Esposa, a Igreja, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que se come Cristo, em que a alma se cumula de graça e nos é dado um penhor da glória futura" [3].
A páscoa judaica lembra a passagem dos judeus pelo mar vermelho, em busca da liberdade.

Hoje, comemoramos a páscoa lembrando a jornada de Jesus: vida, morte e ressurreição.

COLOMBA PASCAL

 O bolo em forma de "pomba da paz" significa a vinda do Espírito Santo. Diz a lenda que a tradição surgiu na vila de Pavia (norte da Itália), onde um confeiteiro teria presenteado o rei lombardo Albuíno com a guloseima. O soberano, por sua vez, teria poupado a cidade de uma cruel invasão graças ao agrado.

SINO

 Muitas igrejas possuem sinos que ficam suspensos em torres e tocam para anunciar as celebrações.

O sino é um símbolo da páscoa. No domingo de páscoa, tocando festivo, os sinos anunciam com alegria a celebração da ressurreição de cristo.


ÓLEOS SANTOS

Na antiguidade os lutadores e guerreiros se untavam com óleos, pois acreditavam que essas substâncias lhes davam forças. Para nós cristãos, os óleos simbolizam o Espírito Santo, aquele que nos dá força e energia para vivermos o evangelho de Jesus Cristo.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Tríduo Pascal

Amanhã inicia-se o Tríduo Pascal. O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor inicia com a Missa vespertina Ceia do Senhor, possui o centro na Vigília Pascal e encerra-se com as Vésperas. Gostaria de “falar” um pouco desses dias, que para alguns são só dias de folga, mas para quem crê são dias únicos e os mais especiais do ano.

Missa da Ceia do Senhor (Quinta-feira Santa)
Nos recordas Ceia do Senhor. Quando Ele prediz sua Paixão e Morte e despede-se dos Apóstolos na última ceia. Neste dia, Jesus instituiu a Eucaristia e o sacerdócio. Na celebração, o sacerdote lava os pés de doze pessoas convidadas, na tradicional cerimônia da Missa do Lava-pés, recordando o gesto de Jesus em lavar os pés dos seus discípulos e a dizer: ‘Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei’, significando que devemos servir uns aos outros com total humildade, gratuidade e amor. Ao final da Missa se faz a Transladação do Santíssimo Sacramento e, em seguida, a adoração.

Paixão do Senhor (Sexta-feira Santa)
Neste dia a igreja recomenda abstinência total de carne e acompanha em silêncio o sofrimento e condenação até sua entrega total coma morte na cruz. Não se celebra Missa ou qualquer Sacramento e comunga-se as hóstias consagradas na Quinta-feira Santa. A celebração central deste dia é a das 15 horas, em que segundo a Tradição, Jesus morre. Ela se divide em quatro partes:
Liturgia da Palavra, Oração Universal, Adoração do Senhor na Cruz. É dia de total silencio e reflexão.

Vigília Pascal (Sábado Santo)
Celebramos a Vigília Pascal. A vida quer a vida, não a morte. A Ressurreição de Jesus é o milagre do começo da vida, vida nova a partir da morte.
O Círio Pascal, aceso com o fogo novo, luz que surge nas trevas, representa Cristo Ressuscitado Vitorioso sobre a morte e Senhor da história, luz que ilumina o mundo. Na vela estão gravados as letras gregas Alfa e Ômega, que querem dizer. ‘Deus é principio e o fim de tudo”.

Passados esses dias chegamos enfim na Páscoa. Páscoa significa passagem. A Páscoa de Cristo é sua passagem da morte na cruz para ressurreição. É sua vitória plena e definitiva sobre a morte e sobre todos os males. Desse modo, a ressurreição de Jesus mudou totalmente a história da humanidade e de cada ser humano. A Páscoa é o mistério unificador de toda a nossa fé cristã, sendo assim, a festa principal Igreja.