Translate

domingo, 9 de agosto de 2026

Partida de um herói

 Há alguns anos, ou talvez mais de uma década, escrevi um texto aqui que falava de heróis da vida real, e no desfecho falava do maior deles.

Na última semana, ele partiu, e esse texto, cronologicamente do avesso, é sobre ele e para ele.

Foi difícil vê-lo ser retirado da capela funerária, depois daquelas últimas horinhas ali junto ao corpo dele. Por fora, eu tentava manter a serenidade, diante do choro de quem eu precisava apoiar. Por dentro, eu sentia estar em frangalhos; minha "fuga" nos últimos dias foi cuidar de toda questão burocrática necessária. Fuga e necessidade, pois eu teria que fazê-lo. O trabalho "sujo", o trabalho difícil de lidar com os custos e burocracias da morte, enquanto se tem uma torrente de sentimentos dentro de si.

Gostaria muito de não ter aquela imagem do dia anterior, após horas de idas e vindas para buscar documentos e roupas, reconhecer o corpo antes de ser levado pela funerária. Doeu, por mais que soubesse, que já interiorizasse a situação, aquela imagem não é simples de esquecer.

Rosto de quem dormia. Sim, como dormira nos últimos dias enquanto internado esteve. Dormindo como estava no dia anterior, quando o médico já conversara comigo, ele estava em cuidados paliativos, e, ao lado dele ali, pude agradecer, dizer que sim, cumpriria a promessa que por anos ele me pedia de cuidar de tudo após sua partida. Pude dizer que o amava e amaria sempre. Quando quisesse, poderia descansar; tudo ficaria bem. E, após aqueles quase dois quilômetros até minha casa, caminhei, chorei, me conformei, me revoltei, me acalmei de novo. Sabia que precisaria de forças, pois sabia que grande era a probabilidade de ser nos próximos dias. E foi na manhã seguinte que recebi o telefonema, me pedindo para conversar com o médico, o que meu coração já sabia.

Durante uma semana ele ficou internado, e pude ficar um dia com ele desperto, antes de entrar em seu sono de quase cinco dias antes de partir. Orei com ele ali, dei de beber aos poucos, segurei a mão dele em um momento de agitação. Talvez tenha sido o último momento em que ele realmente me viu antes de dormir, e pude sorrir para ele e afagar seus cabelos.

Antes mesmo da última internação, o tempo e a senilidade foram consumindo-o. E, por meses, eu questionava o porquê de uma pessoa tão boa, que só praticou o bem e queria o bem de todos a seu redor, alguém que trabalhou tão arduamente, saindo de madrugada e só voltando no fim do dia, porque alguém assim precisaria passar por aquilo. Encontrei a resposta após sua partida: sacrifício e última lição. Meu herói mor, meu pai, quis deixar uma última lição antes de partir: uma lição de humildade.

A vida é frágil, e até aqueles que sempre parecem ter mais força, como ele, precisam de ajuda, e até aqueles que se acham incapazes de fazer algo podem ajudar. Nos últimos tempos, minha mãe o forçava a comer, partia sua comida, seu pão e o fazia comer. Minha irmã deitava num colchão no chão e o ajudava a ir ao banheiro no meio da noite, o atendia. Quanto a mim, além de todo apoio de recursos e estruturas para facilitar ou tornar menos difíceis seus dias, Deus quis e permitiu que, na última semana, ou um pouco mais, todo dia eu pudesse e tivesse que abraçá-lo para colocá-lo na cama e desejar uma boa noite. Hoje não me revolto e entendo que foi uma lição de humildade, que quero nunca esquecer.

Me consola, nesse quase último ano, ter podido dar condições de facilitar seus já breves passeios na rua, ou mesmo facilitar levá-lo ao posto de saúde para fazer seu curativo. Ele sempre gostou de caminhar, e acho que aprendi esse gosto com ele. 

Lembro dos dias em que ele pedia para ir ao caixa eletrônico e depois o trazia para almoçar comigo, e ele ficava até pedir para voltar para ficar com minha mãe. Lembro dos dias de caminhada "pós-missa", em que caminhávamos até a hora de voltar para casa e almoçar ("(...). Saí pra caminhar com meu pai / Conversamos sobre coisas da vida / E tivemos um momento de paz(...)").

Os dias de domingo, os sábados em que tantas vezes eu estava aguardando o ônibus para voltar do colégio e ele passava de carro, vindo do trabalho, os fins de dia em que voltava cansado e sentava para fazer "as contas do trabalho". 

Pai, dos seus últimos momentos, ficarei com sua lição de humildade e afeto de sempre. Ficarei com as lembranças de todas as décadas que antecederam, pois, se hoje sou alguém, você foi e é um dos principais responsáveis.

E modificando um pouco a letra: "(...) Pai / Você foi meu herói, NUNCA meu bandido / Hoje é mais, muito mais que um amigo / Nem você, nem ninguém tá sozinho / Você faz parte desse caminho / Que hoje eu sigo em paz (...)."

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Um novo conclave

Comecei este blog há mais de doze anos, mais ou menos na época do último conclave que fez do Cardeal Bergoglio o saudoso Papa Francisco.

Na época, Bento XVI renunciara e muito se especulara sobre os motivos. Até hoje há especulações, conspirações e afins sobre os motivos que o levaram a, em vida, deixar a Se Vacante.

Da mesma forma, após Francisco assumir o papado, muito se falou sobre as atitudes de quando era cardeal. Eu mesmo li muita coisa e cheguei a algumas conclusões controversas sobre o que li. Mas o tempo passa e aprendemos muita coisa, tanto com a vida, quanto com nós mesmos.

Papa Francisco foi um papa do povo, originário de uma paróquia, de lidar no dia a dia com as pessoas. Optou por pregar o lado mais humilde de sua missão, o "poder" e respeito como papa não vinha das vestes tradicionais ou dos adornos papais. Vinha de sua postura, suas palavras e seu exemplo. E foi admirado por isso, mesmo fora da Igreja Católica.



Dentro da Igreja, desagradou alguns que possuem uma postura muito mais tradicionalista, que defendem a ideia de que só há um caminho para Deus e deve passar por seguir rigorosamente os preceitos do "Catecismo da Igreja Católica". Já fui muito mais adepto dessas ideias do que sou hoje. A vida me ensinou a enrijecer em outros pontos e flexibilizar em tantos outros. Há pessoas boas e más em qualquer religião, então seguir a doutrina A ou B não te levará ao "paraíso" ou similar. São suas atitudes diárias para com as pessoas ao seu redor que farão a diferença. 

Em outro texto, gostaria de explanar melhor esses pensamentos, concordâncias e discordâncias. Hoje gostaria de retornar ao assunto do conclave.

Um novo conclave e novas possibilidades a frente. Podemos ter alguém que continue as ideias e caminhos que Francisco estava levando a Igreja. Podemos ter alguém que opte por encaminhar a Igreja de volta aos velhos, e me desculpe dizer, ultrapassados métodos. Desejo muito que a escolha seja realmente inspirada por Deus e não manipulada por interesses políticos internos da cúria.

Tenho escrito pouco, o tempo e a inspiração tem sido curtos. Talvez em meu próximo texto já tenhamos um novo papa. Que segundo alguns conspiracionistas, será o último… Profecias adaptáveis, como sempre.

Vamos orar para poder ser alguém de bem. Como foi Francisco.


quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Envelhecer...



 “Envelhecer é o único meio de viver muito tempo.

A idade madura é aquela na qual ainda se é jovem, porém com muito mais esforço.

O que mais me atormenta em relação às tolices de minha juventude, não é havê-las cometido…é sim não poder voltar a cometê-las.

Envelhecer é passar da paixão para a compaixão.

Muitas pessoas não chegam aos oitenta porque perdem muito tempo tentando ficar nos quarenta.

Aos vinte anos reina o desejo, aos trinta reina a razão, aos quarenta o juízo.

O que não é belo aos vinte, forte aos trinta, rico aos quarenta, nem sábio aos cinquenta, nunca será nem belo, nem forte, nem rico, nem sábio…

Quando se passa dos sessenta, são poucas as coisas que nos parecem absurdas.

Os jovens pensam que os velhos são bobos; os velhos sabem que os jovens o são.

A maturidade do homem é voltar a encontrar a serenidade como aquela que se usufruía quando se era menino.

Nada passa mais depressa que os anos.

Quando era jovem dizia:

“Verás quando tiver cinquenta anos”.

Tenho cinquenta anos e não estou vendo nada.

Nos olhos dos jovens arde a chama, nos olhos dos velhos brilha a luz.

A iniciativa da juventude vale tanto a experiência dos velhos.

Sempre há um menino em todos os homens.

A cada idade lhe cai bem uma conduta diferente.

Os jovens andam em grupo, os adultos em pares e os velhos andam sós.

Feliz é quem foi jovem em sua juventude e feliz é quem foi sábio em sua velhice.

Todos desejamos chegar à velhice e todos negamos que tenhamos chegado.

Não entendo isso dos anos: que, todavia, é bom vivê-los, mas não tê-los.”


Albert Camus

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Pensamentos

 Não somos uma constante... Entre altos e baixos seguimos em frente… Porque também não temos muita escolha... Não nascemos multimilionários, então temos que seguir…  

 Muitas vezes me senti só mesmo quando acompanhado… Em vários momentos da vida, em momentos que hoje vejo que foram altos, baixos, médios…  Já me questionei e por vezes me pego ainda questionando o porquê de tudo... Já cansei e deixei de pensar besteira por medo... Hoje eu nem tenho medo… Talvez o medo maior seja/fosse do "insucesso" da besteira.  Já tive medo da "punição" divina se algo fosse feito. Mas hoje nem penso mais em dar um fim absoluto a tudo porque não me cabe decidir isso. Não cabe a ninguém. O fim é algo orgânico e natural... Aguardarei sem pressa.

 Os faladores de "capa de livro" diriam: seja grato pelo que tem… Tem gente em situação pior, etc. Mas cada um sabe onde seu calo mais aperta. A gratidão pelo que se tem, pelo que se pode conquistar, vem muito mais das atitudes e do continuar do que ficar pensando em ser grato.  Não peço nunca um fardo menor... Só peço e tento pensar que estou sempre no momento baixo… Que em breve vai subir... Mas por vezes parece que demora tanto... Quem sabe somos como carne... Se ficar macerando no tempero pelo tempo certo fica ótima... Se passar disso fica passada e ruim. E o tempo máximo/certo é impreciso... Se dois pedaços de carne não são iguais, imagina pessoas... Analogias nos ajudam muito... No fim, não nós entendemos tanto quanto entendemos o cozinhar, por exemplo: precisamos mesmo entender porque estamos aqui?  Por que precisamos encontrar um porquê para tudo? Se não tenho resposta para todos, melhor não procurar respostas para nenhum.

 Tem um show do Legião Urbana, que em determinado momento Renato Russo diz: “As pessoas dizem que tenho as respostas... Mas eu não sei qual é a pergunta!" Cada dia eu me convenço mais que não quero saber a pergunta. Nenhuma.

 Da mesma forma, outro dia, vi um bate-papo do filósofo Pondé com o religioso Caio Fabio. O primeiro é um ateu declarado. Caio Fábio disse que Deus precisa de mais pessoas como Pondé que dizem que Deus não existe, porque de fato Ele não existe. Não é uma existência palpável, Deus não existe. Deus é. Na mesma ideia, Nietzsche escreveu que Deus está morto. Porque matamos a ideia de Deus querendo explicá-lo e encaixotá-lo em dogmas, regras, templos e vicissitudes humanas. E se Ele é, e somos partes de um todo, então somos, sem porque, sem precisar de por quê.

 Há uma linha tênue entre essa lógica e a alienação e passividade. Tem que estar do lado da lógica…  Não há um porquê, mas se pode fazer algo para melhorar, façamos… Se está ruim reclame, faça sua parte. Mas não procure um porquê, uma justificativa divina ou cármica para isso, só vai aumentar a dor e o sofrimento.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

A gente se acostuma...


 

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.


A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.


A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.


A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.


A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.


A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.  E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.


A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.


A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.  Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.


A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Homi não chora

 



Hoje aqui, oiando pra vancê, meu pai
Tô me alembrando quanto tempo faz
Que pela primeira vez na vida eu chorei
Não foi quando nasci pru que sei que vim berrando

E disso ninguém se alembra, não
Foi quando um dia eu caí e levei um trupicão
Era criança, me esfolei, a perna me doeu
Quis chorá, oiei pra vancê, que esperança
Vancê não correu pra do chão me alevanta

Só me oiô e me falô
Que isso, rapaz? Alevanta já daí
Homi não chora

Aquilo que vancê falô naquela hora calou bem fundo
Pru que vancê era o maió homi do mundo
Não sabia menti nem pra mim nem pra ninguém
O tempo foi passando, cresci também
Mas sempre me alembrando
Homi não chora
Foi o que vancê falou

O mundo foi me dando solavanco
Ia sentindo das pobreza os tranco
Vendo as tristeza vorteá nossa famía
E às vez as revorta que eu sentia era tanta
Que me vinha um nó cego na garganta
Uma vontade de gritá, berrá, chorá, mas qual
Tuas palavra, pai, não me saía dos ouvido
Homi não chora

Então, memo sentido eu tudo engolia
E segurava as lágrima que doía
E elas não caía, nem com tamanho de quarqué uma dor

Veio a guerra de 40 e eu tava lá
Um home feito, pronto pra defender o Brasil
Vancê e a mãe foram me acompanhar pra despedi
A mãe, coitada, quando me abraçô, chorô de saluçá
Mas, nóis dois, não
Nóis só se oiêmo, se abracêmo e adespedimos
Como dois Homi, sem chorá nem um pingo

Ah! Como me alembro bem, era um dia de domingo
Também quem pode se esquecê daquele tempo ingrato
Fui pra guerra, briguei, berrei feito um cachorro do mato
A guerra é coisa que martrata

Fiquei ferido, com sôdade de vancês, escrevi carta
Sonhei, quase me desesperei
Mas chorá memo que era bão nunca chorei
Pruque eu sempre me alembrava
Daquilo que meu pai me ensinô
- Homi não chora

Agora, vendo vancê aí desse jeito, quieto, sem fala
Inté com a barbinha rala, pru que não teve tempo de fazer
Todo mundo im vorta, oiando e chorando pru vancê
Eu quero me alembrá, quero segurá, quero maginar
Que nóis dois sempre cumbinemo de homi não chorar

Quero maginá que um dia vancê vorta pra nossa casa pobre
E nóis vai podê de novo se vê ansim pra conversar
Então vem vindo um desespero que vai tomando conta
A dô de vê vancê ansim é tanta, é tanta, pai
Que me vorta aquele nó cego na garganta
E uma lágrima teimosa quase cai

Óio de novo prôs seus cabelo branco
E arguém me diz agora pra oiá pela úrtima vez
Que tá na hora de vancê embarcá
Passo a minha mão na sua testa que já tá, já tá sem pensamento

E a dô que tô sentindo aqui dentro vai aumentando
Aumentando, quase arrebentando os peito
E eu não vejo outro jeito senão me adescurpar

O sinhô pediu tanto pra móde eu não chorar
Home não chora
O sinhô cansô de me fala, mas, mas pai
Vendo o sinhô anssim indo simbora
Me adescurpe, mas tenho que, que chorar.

Texto: Rolando Boldrin


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Tudo mudou...


Tudo mudou. 

Homens, coisas e animais mudaram de lã ou de pele. 

As palavras já não são as mesmas do tempo em que estudávamos gramática com os olhos míopes das professoras. 

Nádegas e pernas das mestras -- objeto direto do nosso desejo -- ofuscavam o interesse pela didática.
Olho o mundo de todos os ângulos possíveis e tudo me parece oblíquo. 

É a civilização globalizada, a cultura de massa, a sagração do factóide, a fragmentação dos idiomas.

Corta-se a palavra em frações microscópicas. 

A vida, o amor, a morte, a realidade:

Tudo agora virou fast food.


Texto: Francisco de Carvalho