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terça-feira, 23 de maio de 2017

Mais do que amor


Oito anos de um primeiro e valioso passo. Quantas vivências, quantos aprendizados... Quantos medos e tensões superados... Mas estamos aqui, e por quê? Esse gênio da composição responde essa pergunta, numa suave melodia...



As noites que eu sonhei
As estrelas que eu perdi
Nos seus olhos encontrei
No instante em que te vi

Os beijos que eu guardei
Tanto tempo por ai
Eram seus, agora eu sei
E são tudo que eu pedi

Mais do que amor
Do que qualquer paixão
Ou chuva de verão
Você me faz sentir

Muito mais do que amor
Ou simples ilusão
A voz do coração
Que eu sempre quis ouvir

O tempo vai passar
Mas eu sei que mesmo assim
Para sempre vou levar
Seu amor dentro de mim

Caminhos vão surgir
Novos sonhos pra buscar
Mas eu sei que vou seguir
Só pensando em te encontrar

Mais do que amor
Do que qualquer paixão
Ou chuva de verão
Você me faz sentir

Muito mais do que amor
Ou simples ilusão
A voz do coração
Que eu sempre quis ouvir

Dias de sol
Noites de luar
No cenário que for
Você tem que estar

Nos dias de sol
Nessas noites de luar (solo)
Você tem que estar
Mais do que amor..

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Bola de meia, bola de gude

Lançada no final dos anos 70, Bola de meia, bola de gude, de Fernando Brant  e Milton Nascimento, fez sucesso em diversas gravações, como a de Flávio Venturini no 14 Bis e outros membros do famoso "Clube da Esquina". 




Bola de Meia, bola de gude é, por excelência, uma música que evoca as contradições entre o mundo adulto e a infância, mas ressalta a importância da integração desse eu infantil que todos trazemos, imorredouro, dentro de todos nós.

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem prá me dar a mão

Ambos moram no seu interior: o adulto e o menino. E "toda vez que o adulto balança", perde sua confiança, sua estabilidade emocional, o menino que existe dentro de si vem lhe dar a mão, lhe lembrar das coisas simples da vida, da pureza da vida em si, a beleza pueril da vida.

Há um passado
No meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão

Existe uma história, um passado feliz, lembranças boas, de dias em que os pequenos detalhes da vida bastavam para ser feliz, como um dia ensolarado para brincar. Há um passado, há ainda um sol quente, uma esperança lá no fundo de nosso ser. E toda vez que a tristeza vem, os problemas assombram "o menino" vem dar a mão, vem dar força e ajudar a lembrar.

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Nosso "menino interior" nos traz fé, nos faz acreditar em dias melhores. Nos lembra que por mais que a "bruxa assombre", ainda existem pessoas boas, ainda existe o bem no mundo, não podemos, não devemos, e pelo menos eu não quero, ser como os outros, como toda essa gente que quer "passar por cima dos outros", que quer tirar vantagens ilícitas de tudo e de todos. Gente que existe em todas as esferas sociais e de poder, desde aquele que rouba uma balinha no mercado quanto os que roubam milhões, legislando, governando e julgando em causa própria e para enriquecimento próprio. Por mais comum que tenha se tornado, sacanagem não é coisa normal.

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão

Não. O solitário não quer a solidão, não quer o isolamento do mundo. Ele quer se sentir inserido no mundo, ele quer que em meio a tanta desonestidade e decepções, o bem exista, ele não se sinta o único que ainda crê em dias melhores. A tristeza vem, e o "menino" dentro dele, lhe dá a mão, lhe faz lembrar que sim que tudo pode ser melhor. Dias felizes passaram e podem retornar.

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão

E toda vez que o adulto fraqueja, toda vez que ele quer voltar a ser criança, quer buscar a felicidade que não enxerga mais, o menino dá a mão, lhe dá a força jovial e a alegria pueril para seguir em frente.




quarta-feira, 10 de maio de 2017

Mundo Paralelo - Parte 3

Abro os olhos e percebo que adormecera. Por quanto tempo? Está claro lá fora, mas a cama está tão boa e... Cama?

Olho ao redor e percebo que estou na minha cama. No meu quarto, na minha casa, tudo exatamente igual era antes. Terá sido um sonho? Um sonho extraordinariamente parecido com realidade? Não sei dizer. Só sei que estou atrasado para o trabalho. Olho pro lado e vejo como dorme tranquilamente. Que vontade de abraça-la... Sentira uma falta imensa ao imaginar que não a veria de novo, talvez a pior parte daquele "sonho".

Não sei se fora algum tipo de sonho muito real ou não. Mas parece que minha vida voltara ao normal, ao que eu conhecia como normal, e por isso teria que ir trabalhar.



No trabalho, nada mudou novamente. Passo a manhã inteira tentando entender o que acontecera, como um dia da minha vida parecia ter me sido tirado e substituído por uma vida que não era minha.e sanatório.

Continua?

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Mundo Paralelo - Parte 2

Permaneço ainda um longo tempo naquela sala vazia. Me deito no chão e minha mente fica repleta de lembranças daquele lugar... Tantos momentos, tantas alegrias... Não é possível que nada que me lembre seja real.

Um tempo depois, escuto alguém na porta. Pelo menos eu não era o único que tinha a chave dali. Quando a porta se abre, vejo alguém entrando com um meio sorriso no rosto:

- Aí está você! Eu fiquei preocupada, sabia?

Não, eu não sabia de nada, nem mesmo porque aquela pessoa estava ali falando comigo. Ela sentou do meu lado e ficou um tempo em silêncio. E eu... Na verdade tinha um certo medo de perguntar qualquer coisa, mesmo precisando de esclarecimentos. Rompendo o silêncio, ela falou:

- Sorte que isso aqui é nosso, senão poderíamos ter problemas. Desde que compramos, você acaba vindo pra cá e fica aqui, com cara de perdido sentado e depois voltamos para casa. Nunca sei o porquê, pode ter sido o acidente que mexeu contigo, o médico disse isso, mas você nunca me disse. Será hoje?

Olho para ela e percebo que o olhar dela está fixo para frente, assim como sei que o meu estava até alguns minutos. Respiro fundo e falo:

- Acredite: eu moro aqui. É disso que me lembro. Não faço ideia de como fui parar naquele lugar que acordei, não faço ideia como tranquei aquela porta de manhã. Desculpe, não faço nem ideia de porque você está aqui.

Ela me olhou com um olhar tenro, e disse:

- Tudo bem. Que tal ficarmos aqui hoje? Pedimos algo para comer e dormimos aqui mesmo. amanhã não trabalho mesmo.

Sorrindo levantou e foi até o quarto, antes que eu perguntasse como dormiria ali. Fui atrás e cheguei a tempo de vê-la tirar colchões e travesseiros do armário e colocá-los no chão, bem onde eu lembrava de ter uma cama. Sorri de volta e ela me disse que deitasse um pouco, enquanto ela pediria o jantar.

Sentei, olhando para a parede. Lembrei de dias que já nem sabia se existiam. Deitei, fechei os olhos tentando entender tudo que estava acontecendo...

Continua

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Mundo paralelo

Acordo com o despertador. Abro os olhos e me sinto estranho... Não o lugar é estranho... Onde estou?

Olho no celular. O mesmo velho celular de sempre, mas o quarto, o local, totalmente diferente. Procuro meus óculos, e na verdade não faço ideia de onde podem estar em meio aquele lugar desconhecido. Olho no criado mudo, em gavetas, espaços e nada.

Saio do quarto e dou de cara com uma sala com alguns elementos conhecidos, mas um espaço totalmente estranho. Sobre uma mesa vejo meus óculos e abaixo um bilhete:

"Você dormia tão bem que não te acordei. Lavei teu óculos. Como consegue enxergar com ele assim?"

A letra tão desconhecida quanto todo resto. Procuro algo que me dê alguma pista de onde estou e principalmente, porque estou ali. Encontro minha bolsa de trabalho e nela meu crachá. Ao menos parece que ainda trabalho no lugar que me lembrava. Trabalho? Nossa, a hora passa muito rápido!

Entro na cozinha e, para não ser diferente, me sinto tremendamente perdido. Não sei onde está nada! Abro geladeira e depois de muito olhar encontro pão, exatamente a marca que compro. Uso uma frigideira que repousa sobre o fogão e aqueço duas fatias. Devoro tão rápido quanto posso, visto uma roupa que está junto ao computador (Sim, mais um elemento conhecido!), e saio apressado.

Corredor diferente, elevador diferente... Desejo bom dia ao porteiro que me responde dizendo meu nome... Ok, isto está cada vez mais estranho... E saio para rua. Que rua é essa? Não me é estranha, me lembro de passar ali, mas... Desisto de buscar justificativas, e olho o movimento das pessoas que caminham para um ponto de ônibus. Sigo-as e por sorte, os onibus que ali param vão para direção que quero.

Na viagem me pergunto se estou indo pro lugar certo. Já não tenho certeza de mais nada, mas ao chegar ao trabalho, vejo que esta parte não mudou em nada, assim como todo restante do dia. Por alguns momentos chego a pensar que nada passou de algum apagão em minha mente.

No fim do dia, fico pensando para onde ir: onde lembro que moro, ou de onde vim naquela manhã?

Enquanto as perguntas pairam na cabeça, recebo uma mensagem no celular:

"Desculpe, mas o dia está agitado, não consegui falar contigo. Mas acho que não sentiu minha falta, não mandou nem uma mensagem..."

Claro que eu havia mandado mensagem. E claro que não fora para aquele número, que nem salvo no meu celular estava. Se eu tinha parado em alguma realidade alternativa, meu celular viera comigo.

Por um momento olho para meu chaveiro. Eu havia trancado a porta daquele desconhecido apartamento e usara a mesma chave que... Fui tão no automático pensando em não me atrasar que nem me dera conta.

Voltei para casa pensando em tudo que ocorrera de manhã, surpreso pela mensagem que recebera, que igualmente não me dei conta de para onde estava indo. Entrei no prédio, dei boa noite ao porteiro e subi. Abri a porta e tudo estava vazio. Sem móveis, eletrodomésticos, nada. Apenas um telefone num canto da sala no chão. Estranhamente sem qualquer tipo de ligação com lugar algum (seria de chip?).

Sento no chão, olho aquele vazio e me pergunto o que pode estar acontecendo. Durante um longo tempo fico ali, olhando para o nada, sem sentir os minutos, talvez horas passando. O telefone toca, e me assusto. Deveria atender? Não sei. Mas atendo mesmo assim.

"Você foi para aí de novo? Faz horas que estou te esperando... Acho que sua memória falhou de novo, me disseram que é normal, não se preocupe. Vou passar aí para te buscar."

Não consigo dizer ou perguntar nada. Preciso de respostas e rápido, para não enlouquecer...

Continua


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Vi uma foto...

Hoje vi uma foto tua. Foi bem por acaso, vagando ou velejando na internet, vi uma foto tua em um lugar que não imaginava: uma rede social. Foi ao acaso, foi sem querer, mas me vi olhando vários minutos para ti, ali na tela, despertando uma sensação em mim que não posso explicar.

Não sei como reagi, talvez tenha sorrido, mas depois veio uma sensação longa e certa de um vazio constante. Há quanto tempo não tenho qualquer tipo de contato contigo, e da última vez foi algo tão rápido, que mal pude sentir de fato a tua presença.

Desviei o olhar e comecei a lembrar dos dias em que "caminhamos" juntos. Na verdade eu te levava junto a mim, e a sensação era boa, eu sentia que estava pronto para qualquer imprevisto. Mas ao olhar para tela, para cada detalhe de tua foto eu percebi que deveria parar de ilusões, de sonhos, de lembranças... A verdade, por mais triste que seja, é que já não me pertences. Já estás com outra pessoa, ou a espera de alguém, alguém que possas alegrar e ajudar a realizar algum sonho, dar alegrias ou simplesmente diminuir tristezas. Mas sei que nunca será igual como foi comigo...

Não. Não rogo praga, não desejo mal algum a ninguém, mas é uma realidade: nunca você conseguirá realizar com ninguém tanto quanto realizamos e poderíamos realizar no passado. Tenho ciência de teu valor, da tua capacidade, mas a verdade é que anos, décadas atrás, podíamos mais, se estivéssemos juntos... Mas por mais que eu procurasse, por mais que eu trabalhasse arduamente para te conquistar, você sempre parecia querer fugir de mim... No fim, eu tinha que me contentar com o que não chegava nem perto de teu valor...

Tua foto.. Tão jovial, tão querida....

















Volto a olhar dentro da minha carteira e não te vejo... Uma saudade, uma lembrança de quando passou por aqui um dia... Um desejo tão grande que voltes e venhas aos montes...

Quem sabe ganhando na loteria...



quarta-feira, 12 de abril de 2017

Tríduo Pascal

Com templos e igrejas cheias, católicos no mundo inteiro se preparam para celebrar, nestes próximos três dias, o Tríduo Pascal. “A Semana Santa, de modo especial, o Tríduo Pascal, é o centro de toda a celebração litúrgica anual, momento alto em que se celebra a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor”, explica o bispo da Diocese de Criciúma, Dom Jacinto Inacio Flach.

O Tríduo Pascal compreende a Quinta-Feira Santa, a Sexta-Feira Santa e o Sábado Santo e designa-se à preparação para a maior festa da Igreja, que é a Páscoa.

Quinta-Feira Santa

A Quinta-Feira Santa, conforme Dom Jacinto, é marcada pela Instituição da Eucaristia, do Sacerdócio Ministerial e um dos gestos significativos deste serviço é o lava-pés. “Lembramos o Senhor que serviu com sua vida e seu amor à humanidade. O Senhor do céu e da terra se humilha e lava os pés dos seus discípulos. Nós, também em nossa vida, independente da missão de cada um, somos chamados a servir com humildade os irmãos e irmãs, a exemplo do Mestre”, ressalta.

Sexta-Feira Santa

A Sexta-Feira Santa, segundo momento do Tríduo, é o único dia do ano em que a Igreja Católica no mundo inteiro não celebra missas e comumente, nenhum sacramento. “Celebra a Paixão, Morte e Sepultamento do Senhor. É o Servo Sofredor de quem nos lembra o profeta Isaías, que diz que tudo se realiza na pessoa de Jesus Cristo. A própria cerimônia tem preces universais pela Igreja e é marcada especialmente pelo beijo da Cruz”, afirma o bispo.

O grande gesto de amor de Jesus Cristo é lembrado também através das celebrações da Via Sacra, procissões, caminhadas, encenações no meio de comunidades e paróquias, dentro de igrejas e principalmente pelas ruas. “Além de todo o relato da Paixão e Morte do Senhor, com a Via Sacra, a Procissão do Senhor Morto, à noite, lembra as figuras de Maria e Nicodemos, junto de mais alguns discípulos, que levaram o corpo de Jesus da cruz até a sepultura. A procissão pode ser silenciosa, para que nos unamos a todas as pessoas que hoje sofrem com a perda dos filhos, entes queridos e passam por este mesmo sofrimento”, enfatiza Dom Jacinto.

Sábado Santo

No Sábado Santo, ou Sábado de Aleluia, celebra-se o grande momento da Ressurreição do Senhor. “Quando a luz vence as trevas e a Ressurreição vence a Morte. Nossa esperança é renovada mais uma vez, de que Cristo ressuscitou e ressuscita e de que a vida vence a morte”.
Nesta celebração, realizada na véspera do dia da Páscoa, acontece a Benção do Fogo Novo e da Água. “Quando da rocha sai a luz que ilumina a escuridão, pois o Cristo ressuscitou. A água nos lembra o Batismo, pelo qual somos purificados e nos tornamos filhos e filhas de Deus”,pontua.