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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Direitos, mas também deveres

Recebi esse texto algumas vezes e gostaria de compartilha-lo com vocês. Não sei ao certo a autoria, alguns dizem ser do Pe Fábio de Melo, scj, mas não tenho certeza.



“Eu cresci comendo a comida que minha mãe podia colocar na mesa, sempre respeitei minha mãe e as pessoas mais velhas…

Tive TV com 3 canais e não mexia para não quebrar, e antes de sair para escola arrumava a minha cama…

Fazia o juramento à bandeira na escola, bebia água de torneira, andava descalço, tênis barato e roupas sem marca, não tive celular, nem tablet e muitos menos computador…

Ajudava minha mãe nas tarefas de casa, e não achava que era exploração infantil, tinha horário para dormir.

Quando tirava boas notas não ganhava presentes, porque não tinha feito mais que minha obrigação. Notas baixas era castigo, apanhava quando aprontava e isso era apenas um corretivo e não caso de polícia!

E não sou revoltado, não faço analise em médico, e não falta nenhum pedaço em mim.

Menos frescura e mais disciplina para essa geração! É disso que o mundo e as crianças estão precisando!

Ordem, Respeito, Disciplina, Bondade, Educação, Obediência e Amor…

Por um mundo onde não haja só direitos, mas também Deveres!”


quarta-feira, 12 de julho de 2017

Velhos arquivos

Um raro momento de ócio, remexo velhos arquivos. Muito lixo a ser descartado em meio de algumas lembranças de tempos e pessoas diversas, de tanta coisa que me ajudou a ser quem hoje sou.

Encontro um texto que já havia me esquecido. Não fora escrito por mim, nem mesmo tinha qualquer tipo de assinatura ou identificação. Poderia ser de tanta gente, assim como poderia ser direcionado para qualquer um. Mas se estava ali, me fora enviado em alguma ocasião, e agora, possivelmente algumas décadas (ou próximo a isso) depois, me deparo com aquelas linhas, ao mesmo tempo tortas e suaves, que dizem algo para alguém que não sinto ser eu. Sinto-me sem qualquer imersão nas palavras, me sinto um mero leitor que puxa pela memória tentando lembrar algo que já passou, assim como em um livro quando tentamos recordar algo do começo já estando no epílogo. Mas ao contrário de um livro, não se tem a chance de dar uma espiadinha nas primeiras páginas para recordar.

Não, não cabe decifrar, não cabe ao momento descrever ou reproduzir o que ali continha. Mesmo não me sentindo (ou talvez nunca tendo sido) o destinatário de tal mensagem, senti vontade de respondê-la, não almejando a possibilidade de chegar a quem a redigiu, mas simplesmente escrever.

"Qual surpresa tive a ler tão bela mensagem. Pode ser que eu a tenha recebido antes e respondido, ou pode ser que nem a mim tenha sido direcionado, mas merece uma resposta, a qual não me sinto capaz de criar. Mas ao menos posso tentar.

Ao ler essas palavras ignorei qualquer pista que me levasse ao real escritor. Não ter assinatura, deixa você no pleno anonimato que talvez fosse tua vontade. Talvez julgaste que pelas palavras te reconheceria tão bem que a assinatura seria supérflua. 

Não importa, estou feliz de responder, estou feliz de escrever, mesmo que ao fazê-lo peque numa intromissão sem medida, por ser uma mensagem não direcionada a mim. Que eu tenha o devido perdão nesse caso.

Mas tua visão do mundo superou qualquer destinatário e seu triste tom de despedida me fez lembrar de tempos em que eu descri de mim mesmo. E talvez por isso, se minhas palavras chegarem até ti, podem ter serventia.

Sim, os dias são complicados, nos preocupamos muito com a opinião alheia, muito mais que deveríamos, mas teu foco foi o correto, em especial da pessoa principal a opinar. Precisamos disso, precisamos de alguém para dividir o fardo da escolha, da opinião, mesmo que diversa da nossa, alguém que defenderá nosso ponto de vista mesmo sendo contra. Tu tinhas e creio que ainda tens e isso manterá tua vontade de viver.

Não carregue tua cruz só. Jesus Cristo, o próprio Deus feito homem, teve ajuda para chegar ao Calvário. Tampouco peça uma cruz menor; Deus sabe o tamanho que aguentas e precisas. Peça forças e divida suas angústias com Deus e com os 'anjos humanos' que Ele colocar em teu caminho.

Força, foco e fé."

Acabo de escrever e deixo de lado o "papel e caneta". Que saudade tenho desses tempos em que era realmente papel e caneta. Fecho o texto que escrevi e salvo num arquivo. Junto ele ao arquivo que encontrara e ambos seguem para eternidade perdida dos bytes deletados. 

Estas linhas que aqui deixo foi tudo que restou de toda essa história. O texto que encontrei? Já agora não me recordo o que tinha escrito. E agora essa resposta terá um fim igual: ficará perdida entre os bytes da internet, em busca de que inspire alguém a uma réplica, ou a ignorá-lo eternamente.


quarta-feira, 5 de julho de 2017

Gotas...

Acordo e mais uma manhã chuvosa. Nas duas últimas noites, chuva de verão em pleno inverno. Ruas lameadas, pessoas que tentam limpar suas calçadas e uma infinidade de outras pessoas que aproveitaram a chuva para tirar seus casacos do armário. Não que esteja frio, pelo termômetro que vi no caminho, a temperatura caiu para incríveis 18° C.

Pela janela do ônibus sinto o leve vento que traz algumas gotas de chuva. Não me importo, não suporto andar no ônibus todo fechado por causa da chuva, dando uma sensação incômoda de abafado. Pessoas "encapotadas" andam aceleradamente sob seus guarda-chuvas.

Me permito olhar ao longe, sem foco. O ar úmido entra por minha narinas e minha mente gira, mas não de uma maneira ruim. Não, dessa vez não apago, mas sinto uma paz inundante, me sinto muito, mas muito distante dali, mesmo sem saber onde. Não tenho medo, não tenho receio do que está acontecendo. A sensação de paz é enebriante.

Vejo lugares que nunca vira, campos, casas, uma cidade iluminada e pessoas ordenadamente caminhando e se cumprimentando. Uma edificação me chama a atenção, por ser a única com placa na frente: uma velha placa de madeira talhada repousa sobre o portal. A inscrição "//" chama minha atenção por sua excentricidade.

Caminho em direção a edificação e ninguém parece perceber minha presença. Não há porta, mas uma escuridão esconde o que há lá dentro. Novamente não tenho medo ou receio, e entro.

Me vejo em uma sala de estar, nem pequena, nem muito grande. Não me parece desconhecida, mas com certeza não é um lugar habitual. Olho um calendário que está ali perto, e percebo que algo não está certo: mais de dez anos atrás. Pessoas chegam na sala, mas elas não me veem. E eu não as escuto, apenas as vejo sentar no sofá e conversarem. Tento imaginar qual seria a conversa, talvez alguma que acontecera ou não. Sim, nunca acontecera, sei disso, só não sei como sei.

Eles se levantam e saem da sala, indo pelo corredor. Tento segui-los, mesmo imaginando aonde foram, mas acabo sendo levado para outro lugar. Um jornal pendurado na banca me indica que outro tempo também. E dali começo um travessia infinita de portas e tempos... Lugares desconhecidos, cenas nunca vividas, até encontrar um portal com o mesmo símbolo "//", que me leva para fora do prédio.

Ouço um barulho forte como uma buzina, e quando me viro, estou de volta ao ônibus. No mesmo lugar que estava. Passara horas em minha mente e poucos segundos ali.

O tempo era cada vez mais relativo...

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Análise: Quase Sem querer


Esta música, composta por Renato Russo, faz parte do álbum "Dois" do Legião Urbana, tem um tom de descoberta de si mesmo.

Começa dizendo o quanto anda distraído, impaciente e indeciso. Mas apesar de ainda estar confuso, começa a enxergar com tranquilidade tudo que está descobrindo sobre si mesmo. E fica feliz com isso.

Em seguida, assume o erro de se preocupar demais com as opiniões alheias. Em sua descoberta começa a perceber que é inútil querer se justificar sempre, justificar seus atos, suas escolhas, justificar os caminhos que escolheu em sua vida, apenas para agradar a opinião pública. Quantas vezes nós não fazemos isso? Quantas vezes baseamos nossas escolhas no "que irão pensar", no lugar de basear em nossa vontade, no lugar de respeitar nossa própria essência? Acho que todos precisamos de aprender um pouco disso também...

Nessa busca de si mesmo, quebrou todo invólucro, toda a armadura que colocava diariamente em torno de si, para se isolar do mundo, para ser o que o mundo queria que fosse. Se fez em mil pedaços? Não. Já estava em mil pedaços por dentro, escondendo o que sentia, justificando o que sentia para si mesmo para conseguir convencer o mundo ao seu redor, que ele era exatamente como se mostrava. Era um personagem de si mesmo, adequado a situação, adequado ao ambiente que vivia. Mentia para si mesmo, para que seu personagem se mantivesse.

Enfim chega a fase da liberdade. A liberdade de tudo que construíra para convencer o mundo de que era o que queriam dele. Já não quer parecer o que não é. Tem a humildade de assumir que não sabe de tudo, já aprendeu que não precisa saber tudo, não precisa parecer perfeito, não precisa ter os mesmos gostos, as mesmas opiniões, as mesmas visões das pessoas com que convive. Pode ser quem é livremente, pode se livrar de velhas máscaras, pois no fim todos tem sua própria opinião e mesmo que muitos a escondam.

Sentir-se "livre" da prisão que ele mesmo criou, sentir-se pronto para encarar a vida de cara limpa, por mais difícil que seja, por mais que o mundo julgue, é "tão correto e tão bonito". É uma forma de conseguir conquistar o infinito, de trilhar o seu caminho, ter suas conquistas, não mais trilhar os caminhos que outros seguiram, buscar a conquista que outros tiveram.

Por fim, já livre de todas as amarras, entrega-se ao que sente: percebe o quanto tudo que fazia era fonte de tristeza, e quanto amor próprio tem. Sendo capaz de se amar como é, está aberto a sentir tudo que ignorava, por si mesmo e por quem estava por perto, que agora pode lhe conhecer de verdade.


Quase Sem Querer

Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso, só que agora é diferente
Estou tão tranquilo e tão contente

Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava provar nada pra ninguém

Me fiz em mil pedaços pra você juntar
E queria sempre achar explicação pro que eu sentia
Como um anjo caído, fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira

Mas não sou mais
Tão criança
Oh, oh
A ponto de saber tudo

Já não me preocupo se eu não sei por que
Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê
E eu sei que você sabe quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você

Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente um dos deuses mais lindos
Sei que às vezes uso palavras repetidas
Mas quais são as palavras que nunca são ditas?

Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto

Já não me preocupo se eu não sei por que
Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê
E eu sei que você sabe quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Quando tudo se apaga

Começou de repente, coisa de menos de um minuto. Primeiro uma sensação de puro pavor, estar em um lugar público e sentir a cabeça girar e ao mesmo tempo ficar mais pesada e leve, as pernas fraquejando. Em poucos segundos os olhos fecham e tudo fica preto.

Mas isso dura apenas alguns milésimos de segundo. Em seguida um grande clarão se apresenta. Não sinto meu corpo, apenas uma sensação inexplicável de leveza e tranquilidade (será assim quando se morre?). Parece que flutuo sem preocupação, sem saber para onde, sem me preocupar para onde.

Sinto como se passassem horas daquele jeito, até que as coisas começam ganhar forma na minha frente. Vejo meu corpo como inerte, sentado, de cabeça baixa, com várias pessoas ao redor; algumas parecem tentar falar comigo, mas aparentemente não percebem que não estou ali, mesmo estando sentado na frente deles. Outros falam entre si, coisas que não consigo entender.

Estranhamente não me assusto com o que está acontecendo ali: eu fora do meu corpo, enxergando aquilo. Continua minha sensação de paz inexplicável (novamente me pergunto: será assim quando se morre?). Sem dor. Sem preocupação. Sei que estou bem, apesar de minhas perguntas, sei que não morri, o porquê sei me é desconhecido. Mas estou vivo.

Olho para o lado e vejo alguém destacado do grupo, que estranhamente olha para mim. Não para meu corpo desacordado, mas nos meus olhos "flutuantes". Não consigo descrever suas feições, nem mesmo suas características. Ele olha profundamente para mim e diz:

"- Acorde. Seu trem ainda não chegou na estação."

Essa frase fica ecoando na minha cabeça, que de repente começa a doer e novamente tudo começa a ficar escuro na minha frente. Forço abrir os olhos e percebo estar no meio daquelas pessoas, algumas que falam comigo, outras que falam entre si. Imediatamente olho para o lado e percebo que quem falara comigo  enquanto flutuava, não estava ali (quem seria?). Falo a todos que estou bem, que ligaria para que me acompanhassem até em casa. Me dou conta que não se passaram nem mesmo um par de minutos desde que eu desacordara. Talvez nem mesmo um minuto, mesmo eu tendo tido a sensação que passaram-se horas e horas. Einstein estava certo: o tempo realmente é relativo, e para mim passara muito mais que para quem estava ali naquela composição.

Não sei o tipo de experiência que tive ali. Pelo que entendi, simplesmente senti uma fraqueza e alguém me ajudou a sentar-me. coisa de segundos. O que vivi naquele momento foi muito mais duradouro e inexplicável.

Mas de alguma forma criei um vinculo com aquele lugar desconhecido...

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Chão de giz





Encontrei esse texto na internet, sem indicação do autor da "entrevista" que teria sido feita com Zé Ramalho. Bem interessante essa interpretação.

Ainda jovem, o compositor teve um caso duradouro com uma mulher bem mais velha que ele, casada com uma pessoa bem influente da sociedade de João Pessoa, na Paraíba, onde ele morava. Ambos se conheceram no carnaval. Zé Ramalho ficou perdidamente apaixonado por esta mulher, que jamais abandonaria um casamento para ficar com um “garoto pé -rapado”. Ela apenas “usava-o”. Assim, o caso que tomava proporções enormes foi terminado. Zé Ramalho ficou arrasado por meses, mudou de casa, pois morava perto da mulher e, nesse meio tempo, compôs Chão de giz.
Sabendo deste pequeno resumo da história, fica mais fácil interpretar cada verso da canção. Vamos lá!
“Eu desço desta solidão e espalho coisas sobre um chão de giz”
Um dos seus hábitos, no sofrimento, era espalhar pelo chão todas as coisas que lembravam o caso dos dois. O chão de giz indica como o relacionamento era fugaz.
“Há meros devaneios tolos, a me torturar”
Devaneios e lembranças da mulher que não o amou. O tinha como amante, apenas para realizar suas fantasias. Quando e como queria.
“ Fotografias recortadas de jornais de folhas amiúdes”
Outro hábito de Zé Ramalho era recortar e admirar TODAS as fotos dela que saiam nos jornais – lembrem-se, ela era da alta sociedade, sempre estava nas colunas sociais.
“Eu vou te jogar num pano de guardar confetes”
Pano de guardar confetes são balaios ou sacos típicos das costureiras do Nordeste, nos quais elas jogam restos de pano, papel, etc. Aqui, Zé diz que vai jogar as fotos dela nesse tipo de saco e, assim, esquecê-la de vez.
“Disparo balas de canhão, é inútil, pois existe um grão-vizir”
Ele tenta ficar com ela de todas as formas, mas é inútil, pois ela é casada com um homem muito rico.
“Há tantas violetas velhas sem um colibri”
Aqui ele utiliza de uma metáfora. Há tantas violetas velhas (Como ela, bela, mas velha) sem um colibri (um jovem que a admire), dessa forma ele tenta novamente convencê-la apelando para a sorte – mesmo sendo velha (violeta velha), ela pode, se quiser, ter um colibri (jovem).
“Queria usar, quem sabe, uma camisa de força ou de vênus”
Este verso mostra a dualidade do sentimento de Zé Ramalho. Ao mesmo tempo que quer usar uma camisa de força para se afastar dela, ele também quer usar uma camisa de vênus para transar com ela.
“Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro”
Novamente ele invoca a fugacidade do amor dela por ele, que o queria apenas para “gozar o tempo de um cigarro”. Percebe-se o tempo todo que ele sente por ela um profundo amor e tesão, enquanto é correspondido apenas com o tesão, com o gozo que dura o tempo de se fumar um cigarro.
“Nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom”
Para quê beijá-la, se ela quer apenas o sexo?
“Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez…”
Novamente ele resolve ir embora, após constatar que é impossível tentar algo sério com ela. Entretanto, apaixonado como está, vai novamente à lona – expressão que significa ir a nocaute no boxe, mas também significa a lona do caminhão, com o qual ele foi embora – ele teve que sair de casa para se livrar desse amor doentio.
“Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar”
Amor inesquecível, que acorrenta. Ela pisava nele e ele cada vez mais apaixonado. Tinha esperanças de um dia ser correspondido.
“Meus vinte anos de ‘boy’ – that’s over, baby! Freud explica”
Ele era bem mais novo que ela. Ele era um boy, ela era uma dama da sociedade. Freud explica um amor desse (Complexo de Édipo, talvez?).
“Não vou me sujar fumando apenas um cigarro”
Depois de muito sofrimento e consciente que ela nunca largaria o marido/status para ficar com ele, ele decide esquecê-la. Essa parte ele diz que não vai se sujar transando mais uma vez com ela, pois agora tem consciência de que nunca passará disso.
“Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval”
Eles se conheceram em um carnaval. Voltando a falar das fotos dela, que iria jogar em um pano de guardar confetes, ele consolida o fim, dizendo que já passou seu carnaval (fantasia), passou o momento.
“E isso explica porque o sexo é assunto popular”
Aqui ele faz um arremate do que parece ter sido apenas o que restou do amor dele por ela (ou dela por ele): sexo. Por isso o sexo é tão popular, pois apenas ele é valorizado. Ela só queria sexo e nada mais.
“No mais, estou indo embora”
Assim encerra-se a canção. É a despedida de Zé Ramalho, mostrando que a fuga é o melhor caminho e uma decisão madura. Ele muda de cidade e nunca mais a vê. Sofreu por meses, enquanto compôs a música.
Toda essa explicação foi dada pelo próprio Zé Ramalho.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Aprendizados

Gosto de aprender. Sempre gostei, para mim nada é mais gratificante que aprender algo, raciocinar e absorver plenamente algo.

Com o tempo descobri que quanto mais se aprende mais se tem certeza que nada se sabe, que nada é porque sim. Tudo tem um motivo, uma explicação, uma razão, por mais "dogmático" que seja o assunto, nada é uma verdade incontestável que deve ser aceita. Tudo tem que ser aprendido.

Aprendo com as pessoas, aprendo lendo, aprendo pensando. E muitas vezes essas três formas estão interligadas intimamente e fielmente. Há momentos em que uma pessoa faz uma afirmação, até mesmo apresenta argumentos que põem em xeque nossos conceitos tidos como imutáveis para nós por determinada convenção social ou religiosa, mas não por pensamento ou razão. Claro que por essa pessoa temos que ter algum apreço ou credibilidade, senão não daríamos atenção. Aí nesse momento, o que era certeza, vira uma pequena dúvida e desencadeia uma série de pensamentos e "serás".

Em situações assim, busco base, busco ler opiniões, artigos, regras, leis, ou o que seja dependendo da questão. E me permito voar longe no pensamento e expandi-lo nas questões auxiliares, tal como um grande rio que vê: sabe-se que ele corre ali, volumoso e certeiro, mas é preciso ver a fundo o que o forma, cada nascente, cada pequeno rio que o alimenta e cada afluente alimentado por ele.

Grande parte do que sou, do que penso, de minhas certezas e convicções, já questionei e se tornaram mais fortes depois de buscar a fundo, a razão.

E assim continuarei. Questionando, aprendendo. Vivendo.