Nunca mais escrevi uma só linha. Poderia escrever, poderia contar velhas histórias, contar projetos concretizados, planos que não saíram do papel ou da imaginação. Mas seria pouco, seria superficial.
Poderia escrever na profundidade dos poetas, ressaltando sentimentos e pensamentos, mas mesmo assim não iria tão fundo nem preciso quanto eu gostaria. Quero ir mais além, escrever mais profundo ainda.
Quero falar do tempo. Não o tempo dos dias, do calendário ou relógio. O tempo do ser, do âmago da pessoa. Meus dias já estão contados, e por mais que eu saiba que isso já era uma verdade no dia em que fui gerado, hoje e a cada dia tudo isso parece mais evidente e real. Meu corpo já não responde ao que minha mente quer, e essa já funciona de uma maneira tão contínua que um desequilíbrio parece ser questão de... tempo.
Minha energia interna está em baixa e oscilante, como se cada dia fosse um pouquinho sugada, e nunca reposta de maneira adequada. Me sinto cansado, mas o cansaço vai além do físico, além de noites mal dormidas. É apenas uma constante e irritante falta de vontade de seguir.
Olho cada vez mais para dentro e tento identificar o ponto em que começou, seja físico ou temporal. Onde está o ponto de dreno, quando começou isso. Não sei. Tudo que sei é que o fluxo continua, de entrada e saída de energia, e se por algum motivo a entrada diminui, minhas forças vão para baixo e quase não consigo me mexer.
E toda minha vontade se resume a continuar entrando até o fundo de mim, onde ninguém jamais esteve. Nem mesmo eu mesmo...
Opiniões, comentários e assuntos do momento, diretamente da cabeça de um escritor errante porque não para no meio do caminho e também erra.
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quarta-feira, 1 de agosto de 2018
sexta-feira, 20 de julho de 2018
Crônicas de Mago - Capítulo 2
Doutor, Vermelho e Girão
Era tempo de batalhas concomitantes para Mago, algo que com o tempo viraria rotina em sua vida. Aquilo era pouco perto do que ainda viveria ao longo dos anos.
Mas foi naquele início de dupla jornada que conhecera o Doutor. Austero e inteligente, era um fortíssimo candidato a se tornar um sábio com os anos, mas por enquanto era apenas mais um batalhando naquela guerra. Inicialmente, formara com Mago e Bizarro um trio, depois com a saída desse último daquela campanha, tornaram-se uma dupla até o fim daquela batalha.
Após aquela batalha, Doutor seguiu em lutas de grande aprimoramento, e conforme Mago imaginava foi se tornando cada vez mais sábio, aprimorando seu conhecimento e se destacando no caminho que escolheu. Mago passou por uma fase de aprendizado e contato com uma nova realidade que o acompanharia pelo resto de seus dias.
Depois de um tempo de busca, encontrou um lugar onde conheceu dois aprendizes, que chegaram logo após ele: Vermelho e Girão. Cada um tinha uma história, uma meta e ao longo de mais de um ano compartilharam experiências e aprendizados.
Cumprido seu tempo, Mago saiu dali em busca de novos ares, começando uma caminhada que a partir daquele momento teria poucas paradas, mas muito mais aprendizados.
Era tempo de batalhas concomitantes para Mago, algo que com o tempo viraria rotina em sua vida. Aquilo era pouco perto do que ainda viveria ao longo dos anos.
Mas foi naquele início de dupla jornada que conhecera o Doutor. Austero e inteligente, era um fortíssimo candidato a se tornar um sábio com os anos, mas por enquanto era apenas mais um batalhando naquela guerra. Inicialmente, formara com Mago e Bizarro um trio, depois com a saída desse último daquela campanha, tornaram-se uma dupla até o fim daquela batalha.
Após aquela batalha, Doutor seguiu em lutas de grande aprimoramento, e conforme Mago imaginava foi se tornando cada vez mais sábio, aprimorando seu conhecimento e se destacando no caminho que escolheu. Mago passou por uma fase de aprendizado e contato com uma nova realidade que o acompanharia pelo resto de seus dias.
Depois de um tempo de busca, encontrou um lugar onde conheceu dois aprendizes, que chegaram logo após ele: Vermelho e Girão. Cada um tinha uma história, uma meta e ao longo de mais de um ano compartilharam experiências e aprendizados.
Cumprido seu tempo, Mago saiu dali em busca de novos ares, começando uma caminhada que a partir daquele momento teria poucas paradas, mas muito mais aprendizados.
Continua
quarta-feira, 11 de julho de 2018
Crônicas de Mago - Capítulo 1
Já velho e cansado, Mago senta numa pedra em um pequeno povoado. Logo um grupo de crianças, e outras nem mais mais tão crianças assim, senta ao seu redor pedindo que conte algumas de suas aventuras pelos vastos caminhos do mundo. Olha com carinho para aquelas pobres almas, que tantas mentiras devem ter escutado a seu respeito. Ele sabe disso, afinal quando criança também ouvira histórias de andarilhos e heróis, cada uma mais fantasiosa que a outra, e no fim nada era como ouvira.
Mesmo assim resolveu que devia algumas histórias verídicas para aqueles olhos e ouvidos ansiosos, que dispuseram-se a parar tudo para ouvi-lo.
Mesmo assim resolveu que devia algumas histórias verídicas para aqueles olhos e ouvidos ansiosos, que dispuseram-se a parar tudo para ouvi-lo.
quarta-feira, 4 de julho de 2018
Copa do Mundo
Copa do mundo. Mais uma vez o futebol, "ópio do povo" como alguns dizem, ganha destaque para criar uma penumbra na atordoada e sofrida vida do povo.
Passo pelas ruas e vejo pessoas com a camisa da seleção. Outras se vestem com as cores da bandeira. Não tenho nada contra, só acho muito pouco. Pouco e mesquinho para falar a verdade, se vestir com as cores da bandeira, entoar cantos patrióticos de "brasil brasil", apenas para torcer por futebol.
Pouco porque eu gostaria de ver as pessoas de verde-amarelo-azul-branco para exigir condições dignas de vida para si e seus compatriotas. Gostaria de ver um canto inflamado e orgulhoso de que nosso país é respeitado e visto como um ótimo lugar para se viver, de um povo feliz de verdade, sem medo, que vive em segurança, com saúde e bem estar.
É mesquinho torcer com tanta veemência pelo futebol, por ser fácil. É fácil esperar uma vitória da seleção no futebol, bem mais fácil do que esperar uma vitória na política, esperar que os políticos façam algo que seja benéfico não apenas a seus bolsos. Se vestir, pintar as cores da bandeira e entoar cânticos pseudo-patrióticos é moleza. Juntar-se em multidões para mudar o rumo do país é complicado, não se tem a certeza da vitória, e certas vezes a chance é diminuta.
Quero ver o povo unido, enrolado na bandeira na hora do voto, não elegendo corruptos e corruptores, e depois exigindo que sua vontade seja aceita, sem manobras eleitorais. Quero ver críticas e gritos de ordem contra quem lesa o povo e a pátria. Quero ver todos unidos, não apenas cantarolando o hino, mas vivendo sua letra: Paz no futuro e glória no passado.
Quem sabe assim não possamos comemorar a conquista de um título muito mais importante que qualquer torneio esportivo: um lugar onde possamos viver, sonhar, batalhar sem medo, sem receios, com muito mais saúde, educação, segurança. Um país melhor para todos.
Passo pelas ruas e vejo pessoas com a camisa da seleção. Outras se vestem com as cores da bandeira. Não tenho nada contra, só acho muito pouco. Pouco e mesquinho para falar a verdade, se vestir com as cores da bandeira, entoar cantos patrióticos de "brasil brasil", apenas para torcer por futebol.
Pouco porque eu gostaria de ver as pessoas de verde-amarelo-azul-branco para exigir condições dignas de vida para si e seus compatriotas. Gostaria de ver um canto inflamado e orgulhoso de que nosso país é respeitado e visto como um ótimo lugar para se viver, de um povo feliz de verdade, sem medo, que vive em segurança, com saúde e bem estar.
É mesquinho torcer com tanta veemência pelo futebol, por ser fácil. É fácil esperar uma vitória da seleção no futebol, bem mais fácil do que esperar uma vitória na política, esperar que os políticos façam algo que seja benéfico não apenas a seus bolsos. Se vestir, pintar as cores da bandeira e entoar cânticos pseudo-patrióticos é moleza. Juntar-se em multidões para mudar o rumo do país é complicado, não se tem a certeza da vitória, e certas vezes a chance é diminuta.
Quero ver o povo unido, enrolado na bandeira na hora do voto, não elegendo corruptos e corruptores, e depois exigindo que sua vontade seja aceita, sem manobras eleitorais. Quero ver críticas e gritos de ordem contra quem lesa o povo e a pátria. Quero ver todos unidos, não apenas cantarolando o hino, mas vivendo sua letra: Paz no futuro e glória no passado.
Quem sabe assim não possamos comemorar a conquista de um título muito mais importante que qualquer torneio esportivo: um lugar onde possamos viver, sonhar, batalhar sem medo, sem receios, com muito mais saúde, educação, segurança. Um país melhor para todos.
quarta-feira, 20 de junho de 2018
Crônicas de Mago - Prólogo
Por muitos anos Mago foi um andarilho. Andava em busca de encontrar a si mesmo, em meio a mundos do qual não fazia parte. Era apenas mero personagem, e como personagem agia, tentando muito mais ser adaptável ao mundo em que estava do que adaptando-o.
Conheceu mundos fora do seu, universos dos quais não poderia fazer parte. Algumas vezes até tentou se inserir, mas nunca lhe era permitido. Por vezes sentia-se só, mesmo acompanhado.
Foi dupla, foi trio, foi grupo, sempre pelo tempo que era de interesse. Não tem porque se queixar, usufruiu do benefício pelo tempo que lhe permitiram, tanto quanto outros. Mas sentiu falta, e certas vezes ainda sente, da veracidade do "para sempre" que lhe fora prometido, principalmente quando o "para sempre" funcionava para outros, não para ele.
Percorreu caminhos, tentou ser ele mesmo, tentou ser outro, por vezes caía, mas acabava levantando e seguindo, ora mais rápido, ora mais devagar. Por vezes viveu, em outras ocasiões apenas sobreviveu. Mas isso foi o bastante para não desabar de vez.
Hoje está cansado, anda devagar, sem pressa, sentindo os sabores e dissabores de estar vivo. Por vezes apenas senta numa pedra em algum povoado por onde passa, e conta suas histórias, pausadamente. E cada vez que conta, um detalhe novo aparece, outro acaba sendo omitido, sem perder a essência do que é contado.
E essas histórias é que serão contadas aqui, pouco a pouco, sem pressa, sem fim...
Conheceu mundos fora do seu, universos dos quais não poderia fazer parte. Algumas vezes até tentou se inserir, mas nunca lhe era permitido. Por vezes sentia-se só, mesmo acompanhado.
Foi dupla, foi trio, foi grupo, sempre pelo tempo que era de interesse. Não tem porque se queixar, usufruiu do benefício pelo tempo que lhe permitiram, tanto quanto outros. Mas sentiu falta, e certas vezes ainda sente, da veracidade do "para sempre" que lhe fora prometido, principalmente quando o "para sempre" funcionava para outros, não para ele.
Percorreu caminhos, tentou ser ele mesmo, tentou ser outro, por vezes caía, mas acabava levantando e seguindo, ora mais rápido, ora mais devagar. Por vezes viveu, em outras ocasiões apenas sobreviveu. Mas isso foi o bastante para não desabar de vez.
Hoje está cansado, anda devagar, sem pressa, sentindo os sabores e dissabores de estar vivo. Por vezes apenas senta numa pedra em algum povoado por onde passa, e conta suas histórias, pausadamente. E cada vez que conta, um detalhe novo aparece, outro acaba sendo omitido, sem perder a essência do que é contado.
E essas histórias é que serão contadas aqui, pouco a pouco, sem pressa, sem fim...
continua
terça-feira, 12 de junho de 2018
Tarde solar
Homenagem a minha amada e eterna namorada....
Pra você
Me guardei
Acordei
Teu sorriso
Me lembrei
De você
Doce amor
Armadilha
Vendaval
Invadiu
Meu deserto
Minha ilha
Paixão que vive em meu peito
O amor que eu vivi, esperei
Quem sabe um dia virás
Tão suave como as marés
Eu e você somos um paraíso
Terrestre no ar
Sem perceber eu te espero
Na tarde solar, solar
Vendaval
Invadiu
Meu deserto
Minha ilha
Paixão que vive em meu peito
O amor que eu vivi, esperei
Quem sabe um dia virás
Tão suave como as marés
Eu e você somos um paraíso
Terrestre no ar
Sem perceber eu te espero
Na tarde solar, solar
A distância é um mar
Uma praia sem fim
Acordei um amor te amo
Sinto o teu calor
Navegar em mim
Olho o cais
O horizonte eu vi
Doce como os beijos
Que ainda vou lhe dar
É o amor
Eu te amo, te amo
Acordei
Composição: Alexandre Blasifera / Flávio Venturini
quarta-feira, 6 de junho de 2018
Morrendo aos poucos
Morro aos poucos.
Dia a dia, morro um pouco mais.
Não de alguma doença degenerativa ou terminal.
Morro por dentro, na alma, no espírito e na vontade de seguir adiante.
A cada passo, cada fisgada, cada dor que entranha em meu ser.
Me perco.
Nos pensamentos.
Nas vontades.
Nos sonho.
Já não penso.
Não desejo.
Não sonho.
Há muito tempo.
Mas sigo.
Não quero parar.
Paradoxo perfeito:
Vontade de estática, desejo de seguir.
Não quero muito.
Só o que era meu.
Acordar.
Trabalhar.
Voltar a casa.
Dormir.
Sem medos.
Sem dores.
Sem receios.
Pois "sem" eu prossigo.
Sem visão.
Sem futuro.
Sem melhora.
Morrendo aos poucos.
Até a morte definitiva.
Que me levará para sempre
E lágrimas deixará.
Para quem comigo pensa
Sonha.
Planeja.
Realiza.
E no fim,
Me ganha
E me mantém aqui
Vivo
Persistente, e
Seguindo.
Dia a dia, morro um pouco mais.
Não de alguma doença degenerativa ou terminal.
Morro por dentro, na alma, no espírito e na vontade de seguir adiante.
A cada passo, cada fisgada, cada dor que entranha em meu ser.
Me perco.
Nos pensamentos.
Nas vontades.
Nos sonho.
Já não penso.
Não desejo.
Não sonho.
Há muito tempo.
Mas sigo.
Não quero parar.
Paradoxo perfeito:
Vontade de estática, desejo de seguir.
Não quero muito.
Só o que era meu.
Acordar.
Trabalhar.
Voltar a casa.
Dormir.
Sem medos.
Sem dores.
Sem receios.
Pois "sem" eu prossigo.
Sem visão.
Sem futuro.
Sem melhora.
Morrendo aos poucos.
Até a morte definitiva.
Que me levará para sempre
E lágrimas deixará.
Para quem comigo pensa
Sonha.
Planeja.
Realiza.
E no fim,
Me ganha
E me mantém aqui
Vivo
Persistente, e
Seguindo.
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