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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Incompletos - parte 3

Nunca mais escrevi uma só linha. Poderia escrever, poderia contar velhas histórias, contar projetos concretizados, planos que não saíram do papel ou da imaginação. Mas seria pouco, seria superficial.

Poderia escrever na profundidade dos poetas, ressaltando sentimentos e pensamentos, mas mesmo assim não iria tão fundo nem preciso quanto eu gostaria. Quero ir mais além, escrever mais profundo ainda.

Quero falar do tempo. Não o tempo dos dias, do calendário ou relógio. O tempo do ser, do âmago da pessoa. Meus dias já estão contados, e por mais que eu saiba que isso já era uma verdade no dia em que fui gerado, hoje e a cada dia tudo isso parece mais evidente e real. Meu corpo já não responde ao que minha mente quer, e essa já funciona de uma maneira tão contínua que um desequilíbrio parece ser questão de... tempo.

Minha energia interna está em baixa e oscilante, como se cada dia fosse um pouquinho sugada, e nunca reposta de maneira adequada. Me sinto cansado, mas o cansaço vai além do físico, além de noites mal dormidas. É apenas uma constante e irritante falta de vontade de seguir.

Olho cada vez mais para dentro e tento identificar o ponto em que começou, seja físico ou temporal. Onde está o ponto de dreno, quando começou isso. Não sei. Tudo que sei é que o fluxo continua, de entrada e saída de energia, e se por algum motivo a entrada diminui, minhas forças vão para baixo e quase não consigo me mexer.

E toda minha vontade se resume a continuar entrando até o fundo de mim, onde ninguém jamais esteve. Nem mesmo eu mesmo...

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Crônicas de Mago - Capítulo 2

Doutor, Vermelho e Girão

Era tempo de batalhas concomitantes para Mago, algo que com o tempo viraria rotina em sua vida. Aquilo era pouco perto do que ainda viveria ao longo dos anos.

Mas foi naquele início de dupla jornada que conhecera o Doutor. Austero e inteligente, era um fortíssimo candidato a se tornar um sábio com os anos, mas por enquanto era apenas mais um batalhando naquela guerra. Inicialmente, formara com Mago e Bizarro um trio, depois com a saída desse último daquela campanha, tornaram-se uma dupla até o fim daquela batalha.

Após aquela batalha, Doutor seguiu em lutas de grande aprimoramento, e conforme Mago imaginava foi se tornando cada vez mais sábio, aprimorando seu conhecimento e se destacando no caminho que escolheu. Mago passou por uma fase de aprendizado e contato com uma nova realidade que o acompanharia pelo resto de seus dias.

Depois de um tempo de busca, encontrou um lugar onde conheceu dois aprendizes, que chegaram logo após ele: Vermelho e Girão. Cada um tinha uma história, uma meta e ao longo de mais de um ano compartilharam experiências e aprendizados.

Cumprido seu tempo, Mago saiu dali em busca de novos ares, começando uma caminhada que a partir daquele momento teria poucas paradas, mas muito mais aprendizados.








Continua

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Crônicas de Mago - Capítulo 1

Já velho e cansado, Mago senta numa pedra em um pequeno povoado. Logo um grupo de crianças, e outras nem mais mais tão crianças assim, senta ao seu redor pedindo que conte algumas de suas aventuras pelos vastos caminhos do mundo. Olha com carinho para aquelas pobres almas, que tantas mentiras devem ter escutado a seu respeito. Ele sabe disso, afinal quando criança também ouvira histórias de andarilhos e heróis, cada uma mais fantasiosa que a outra, e no fim nada era como ouvira.

Mesmo assim resolveu que devia algumas histórias verídicas para aqueles olhos e ouvidos ansiosos, que dispuseram-se a parar tudo para ouvi-lo.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Copa do Mundo

Copa do mundo. Mais uma vez o futebol, "ópio do povo" como alguns dizem, ganha destaque para criar uma penumbra na atordoada e sofrida vida do povo.

Passo pelas ruas e vejo pessoas com a camisa da seleção. Outras se vestem com as cores da bandeira. Não tenho nada contra, só acho muito pouco. Pouco e mesquinho para falar a verdade, se vestir com as cores da bandeira, entoar cantos patrióticos de "brasil brasil", apenas para torcer por futebol.

Pouco porque eu gostaria de ver as pessoas de verde-amarelo-azul-branco para exigir condições dignas de vida para si e seus compatriotas. Gostaria de ver um canto inflamado e orgulhoso de que nosso país é respeitado e visto como um ótimo lugar para se viver, de um povo feliz de verdade, sem medo, que vive em segurança, com saúde e bem estar.

É mesquinho torcer com tanta veemência pelo futebol, por ser fácil. É fácil esperar uma vitória da seleção no futebol, bem mais fácil do que esperar uma vitória na política, esperar que os políticos façam algo que seja benéfico não apenas a seus bolsos. Se vestir, pintar as cores da bandeira e entoar cânticos pseudo-patrióticos é moleza. Juntar-se em multidões para mudar o rumo do país é complicado, não se tem a certeza da vitória, e certas vezes a chance é diminuta.

Quero ver o povo unido, enrolado na bandeira na hora do voto, não elegendo corruptos e corruptores, e depois exigindo que sua vontade seja aceita, sem manobras eleitorais. Quero ver críticas e gritos de ordem contra quem lesa o povo e a pátria. Quero ver todos unidos, não apenas cantarolando o hino, mas vivendo sua letra: Paz no futuro e glória no passado.

Quem sabe assim não possamos comemorar a conquista de um título muito mais importante que qualquer torneio esportivo: um lugar onde possamos viver, sonhar, batalhar sem medo, sem receios, com muito mais saúde, educação, segurança. Um país melhor para todos.


quarta-feira, 20 de junho de 2018

Crônicas de Mago - Prólogo

Por muitos anos Mago foi um andarilho. Andava em busca de encontrar a si mesmo, em meio a mundos do qual não fazia parte. Era apenas mero personagem, e como personagem agia, tentando muito mais ser adaptável ao mundo em que estava do que adaptando-o.

Conheceu mundos fora do seu, universos dos quais não poderia fazer parte. Algumas vezes até tentou se inserir, mas nunca lhe era permitido. Por vezes sentia-se só, mesmo acompanhado.

Foi dupla, foi trio, foi grupo, sempre pelo tempo que era de interesse. Não tem porque se queixar, usufruiu do benefício pelo tempo que lhe permitiram, tanto quanto outros. Mas sentiu falta, e certas vezes ainda sente, da veracidade do "para sempre" que lhe fora prometido, principalmente quando o "para sempre" funcionava para outros, não para ele.

Percorreu caminhos, tentou ser ele mesmo, tentou ser outro,  por vezes caía, mas acabava levantando e seguindo, ora mais rápido, ora mais devagar. Por vezes viveu, em outras ocasiões apenas sobreviveu. Mas isso foi o bastante para não desabar de vez.

Hoje está cansado, anda devagar, sem pressa, sentindo os sabores e dissabores de estar vivo. Por vezes apenas senta numa pedra em algum povoado por onde passa, e conta suas histórias, pausadamente. E cada vez que conta, um detalhe novo aparece, outro acaba sendo omitido, sem perder a essência do que é contado.

E essas histórias é que serão contadas aqui, pouco a pouco, sem pressa, sem fim...

continua

terça-feira, 12 de junho de 2018

Tarde solar


Homenagem a minha amada e eterna namorada....





Pra você 
Me guardei 
Acordei 
Teu sorriso 

Me lembrei 
De você 
Doce amor 
Armadilha 

Vendaval 
Invadiu 
Meu deserto 
Minha ilha 

Paixão que vive em meu peito 
O amor que eu vivi, esperei 

Quem sabe um dia virás 
Tão suave como as marés 
Eu e você somos um paraíso 
Terrestre no ar 
Sem perceber eu te espero 
Na tarde solar, solar 

Vendaval 
Invadiu 
Meu deserto 
Minha ilha 

Paixão que vive em meu peito 
O amor que eu vivi, esperei 

Quem sabe um dia virás 
Tão suave como as marés 
Eu e você somos um paraíso 
Terrestre no ar 
Sem perceber eu te espero 
Na tarde solar, solar 

A distância é um mar 
Uma praia sem fim 
Acordei um amor te amo 
Sinto o teu calor 
Navegar em mim 
Olho o cais 
O horizonte eu vi 

Doce como os beijos 
Que ainda vou lhe dar 
É o amor 
Eu te amo, te amo 

Acordei 


Composição: Alexandre Blasifera / Flávio Venturini

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Morrendo aos poucos

Morro aos poucos.
Dia a dia, morro um pouco mais.
Não de alguma doença degenerativa ou terminal.
Morro por dentro, na alma, no espírito e na vontade de seguir adiante.
A cada passo, cada fisgada, cada dor que entranha em meu ser.

Me perco.
Nos pensamentos.
Nas vontades.
Nos sonho.

Já não penso.
Não desejo.
Não sonho.
Há muito tempo.

Mas sigo.
Não quero parar.
Paradoxo perfeito:
Vontade de estática, desejo de seguir.

Não quero muito.
Só o que era meu.

Acordar.
Trabalhar.
Voltar a casa.
Dormir.

Sem medos.
Sem dores.
Sem receios.

Pois "sem" eu prossigo.
Sem visão.
Sem futuro.
Sem melhora.

Morrendo aos poucos.
Até a morte definitiva.
Que me levará para sempre
E lágrimas deixará.

Para quem comigo pensa
Sonha.
Planeja.
Realiza.

E no fim,
Me ganha
E me mantém aqui

Vivo
Persistente, e
Seguindo.