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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Começo do fim - parte 8

Começo do fim. E o fim do começo.

Depois de mais de 7 semanas de textos que no fim seguiram pelo rumo de toda gratidão pela inspiração que me fez começar e continuar a escrever. A cada texto um pouco de minha própria história foi mostrada, um pouco de mim, através das palavras, dos textos.

Alegrias e tristezas foram combustível para escrever. Os livros que li, os artigos, as histórias que ouvi... Cada detalhe vivido foi u incentivo e uma inspiração para começar, para continuar a escrever. Porém mais importante que isso foi a inspiração que me foi dada para aprender a viver. A inspiração para estar vivo a cada dia, para tentar ser melhor, estar melhor e viver melhor, pois minha vida já não é só minha, é compartilhada.

E tudo que vivi antes foi uma preparação para esse compartilhamento, que começou a cerca de uma década. E todos os textos, todas as homenagens a partir de então são para ela, mesmo quando não o são diretamente. O são pois escrever me faz bem, e se me faz bem, posso ser melhor.

Hoje, esse pequeno texto é para você. Pequeno pois as palavras não descrevem corretamente tudo.

Hoje e sempre minha gratidão, meu agradecimento é a você.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Começo do fim - parte 7

Gratidão tem sido algo muito constante para mim. Mesmo nos momentos de dor ou dificuldades, tenho tentado me manter grato. E essa onda de gratidão tem sido quase em todo o conteúdo desses últimos textos. A gratidão que me inspirou a escrever.

Seguindo essa linha, poderia seguir agradecendo a cada personagem de minha história, desde os atores principais até os coadjuvantes temporários. Mas todo esse processo poderia ser injusto se esquecesse algum. Por outro lado, antes de concluir toda a "sessão gratidão", preciso agradecer a alguns personagens, que não apenas inspiraram-me, mas me deram ensinamentos para vida toda.

E nem sempre são pessoas que permaneceram muito tempo, apenas o necessário para deixar a marca, o ensinamento e de maneiras imperceptíveis no momento, por serem coisas tristes ou que nos desagradam, certas vezes muito até.

Fechando os olhos lembro de um gramado, curiosamente palco do início de duas histórias bem diferentes, mas que, cada uma da sua forma, me trouxe um aprendizado gigantesco.  A primeira me ensinou o que eu sou, o que posso ser, me ensinou que eu existo perante o mundo a minha volta. Uma longa pausa e quando eu cri não ter mais o que aprender, aprendi mais ainda sobre valoração. Se em um primeiro momento eu cria na unicidade, que eu não tinha qualquer alternativa, num segundo momento vi quão errôneo era meu pensamento. Tinha alternativas e fizera minha escolha para o que melhor era para mim.

A ideia de falta de alternativas, fez a segunda história durar mais do que preciso. De forma intensa e veloz, aprendi principalmente a diferenciar o que era para mim e o que não era. Aprendi que certos caminhos poderiam ser ótimos para algumas pessoas, mas não serviam para mim. E nunca serviriam, não era questão de ter ou não alternativas, era simplesmente questão de ser eu.

Aprendi muito em ambos casos, e isso também molda o que hoje sou, molda o rumo das palavras que escrevo, mesmo se passando décadas. Sou parte do que eu escrevo, parte do que vivi, parte do que aprendi. Por isso sou grato a todos, inclusive aos que me feriram.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Começo do fim - parte 6

Essa série de textos dessas últimas semanas têm ao mesmo tempo um caráter histórico e um sentimento de desfecho. E isso não foi premeditado nem programado, aconteceu conforme os textos foram sendo escritos.

A ideia principal era pelo desfecho total, não ter mais aquela preocupação inicial de, ao menos semanalmente, ter  um escrito novo. Como mencionei antes, a ideia é que tudo passe a ser bem esporádico, algumas vezes textos seguidos, outras vazios prolongados.

E juntando a ideia da gratidão do incentivo a escrever e os vazios prolongados, não poderia deixar de agradecer a alguém que me ensinou vários lados, não da mesma moeda, mas do mesmo dodecaedro.

Aprendi que o tempo é relativo e passa rápido, e que por isso temos que priorizar as pessoas importantes para nós, a cada momento, e não esperar o momento que pareça ser mais propício. Aprendi que é preciso valorizar as pessoas que querem, podem e são capazes de nos priorizar, pois isso é valorizar a nós mesmos.

Aprendi que sonhos são bons, planos são bons, o futuro pode ser ótimo, mas precisamos primeiro viver o presente, sê-lo e exigi-lo, até onde nos cabe. Ou simplesmente ir.... Aprendi que é preciso deixar partir, e também partir quando for a hora. Permanecer mais do que o necessário é tão ruim quanto querer que permaneçam, quando já passou o tempo.

Há pessoas que vem e ficam. Outras vem, vão, depois voltam para ficar ou para ir de novo. Outras partem e nunca mais voltam e tudo isso tem um motivo.

Nós deixamos um pouco de nós em cada pessoa que conhecemos, aprendemos e ensinamos. E nesse caso entre alegrias e tristezas, aprendi um pouco como ser como não ser, o que quero ou não. E mesmo quando achei que nada mais havia a aprender, descobri em mim algo que não era bom, um boomerang que não precisava ser jogado de volta, nem atingir ninguém, pois já estava enterrado por tanta coisa boa, tantos novos aprendizados, tantas felicidades que vieram em seguida. Fazer sentir o que senti, só me faria mal.

E claro, tudo isso me incentivou a escrever, principalmente para organizar as ideias e conclusões. E sou muito grato por isso.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Começo do fim - parte 5

Talvez eu esteja até um pouco atrasado em escrever sobre essa pessoa. Creio nunca ter escrito nada sobre ela, e pouco para ela. Ela foi meu porto seguro durante um bom tempo em uma fase de minha vida que um turbilhão de coisas aconteceram e eu sentia que não tinha ninguém.

Tanta coisa que qualquer um que leia pensa que foi algum romance do passado. Nada disso, de fato isso nunca passou por minha mente. Apenas foi e é uma amizade que não surgiu, de alguma forma já existia, do tipo que incentivava a fazer o que me fazia bem e alertava sobre o que achava que não ia bem ou daria certo. Uma pessoa com qualidades e defeitos como qualquer outra. Uma amizade humana que vinha da alma.

E sempre me incentivou a escrever, me emprestou livros, me presenteou com outros e com uma agenda com frases espirituais. Sempre me disse para que eu escrevesse e lesse se quisesse, senão completasse o caderno ou agenda e desse um fim definitivo, para deixar aqueles pensamentos e sentimentos para trás, para viver outros e novos. Confesso que segui muito isso, tentar caminhar em frente com as marcas e cicatrizes apenas. As registradas no papel foram facéis de deixar lá. As da mente nenm tanto.

Te agradeço imensamente por cada palavra e incentivo, por cada lágrima e sorriso. Até hoje me sinto feliz sabendo que sorris. Se não tiver vontade, respire fundo e siga em frente.

Minha gratidão a ti, κμ'.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Começo do fim - parte 4

Não posso de forma nenhuma falar de incentivos a escrever, sem mencionar aquela pessoa que me deu a minha primeira agenda para escrever.

Lembro como se hoje fosse, o ambiente não poderia ser diferente, na Igreja da Candelária, ela já estava lá quando cheguei. Uma escritora, que não vivia dos livros, conhecendo um leitor, e o presenteando com uma agenda (tema: paulo Coelho), com uma bela dedicatória em que a escritora admitia estar tão perdida quanto o  leitor, ali sem script, sem roteiro do que dizer ou agir. E nada precisava ser dito ali, bastava ficar olhando a Igreja e sua beleza. Em mim a gratidão pelo presente e pelo escrito inédito e exclusivo que estava na primeira página. Eu fazia estágio ali perto, e aqueles momentos inicialmente de silêncio, depois das habituais conversas, foram muito bons.

A partir dali comecei a escrever quase que diariamente, durante alguns anos, naquela e em outras agendas. Deixava passar para o papel o que eu estava pensando, independente do que fosse, sem julgamentos, sem culpas, sem raciocinar, sem reler. Momentos de alegria, tristeza, raiva e dúvidas ficaram ali registrados e lacrados para que nem eu volte a ler.

Quando penso no tanto que escrevi tenho apenas uma vontade: fazer uma bela fogueira, pois já serviu a seu propósito. Estranho mas uma sensação real...

Quero deixar meu muito obrigado a quem me incentivou a começar a escrever para mim, a deixar derramar para as páginas o turbilhão que passava em minha mente, para que um dia eu fosse capaz de concatenar ideias e chegar aqui.

Minha gratidão a ti.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Começo do fim - parte 3

Nem todos os incentivos a escrever foram tão diretos. Algumas vezes foram bem sutis, como um pequeno bilhete recebido, ou um texto de alguém que não encontrava como expressar falando o que gostaria.

Conheci algumas pessoas assim, e talvez em outros tempos eu pudesse dedicar uma parte inteira a cada uma, mas hoje as ideias são outras, os tempos são outros e creio que resumir seja melhor. Assim consigo explicar melhor sem me estender tanto.

De fato eu sou grato a cada pessoa que escreveu algo para mim, seja um pequeno bilhete, um manuscrito numa folha de papel ou um email. Tudo que feito de coração me incentivou e muito a querer escrever. E foram tantas coisas espontâneas que eu não conseguiria mencionar cada uma, mas posso citar duas ou três ilustrativas.

Lembro de uma vez, na lanchonete de onde eu estudava, como um dia qualquer, e uma pessoa que estudava comigo começou a escrever no caderno enquanto lanchávamos. Quando terminou me entregou. Algo belo e simples, uma demonstração de amizade, sem nenhum desejo a mais do que me fazer sorrir e demonstrar amizade. Eterna? Não sei, apesar de não ter contato há muito tempo, tenho um bem querer por essa pessoa. Assim como tenho por muitas pessoas que conheci.

Outro exemplo que posso citar, foi da mesma época, de alguém que era apelidada de "Lispector". Escrevia bem, isso é inegável, mas não se tornou escritora e sim médica. Na ocasião, éramos quase que um trio que virou uma dupla dentro de uma turma inteira. Um dia me presenteou com um manuscrito seu, que infelizmente tempos depois a chuva levou. Mas naquele dia me deixou feliz, assim como sou feliz de ter contato esporádico com essa "velha", mas verdadeira amiga.

Este texto de hoje é uma homenagem a todos que me incentivaram a escrever, escrevendo. Um texto, e-mail, mensagem, uma carta, um bilhete, ou uma frase/desenho no meu caderno. Por vocês e para vocês também, tenho escrito todos esses anos.

Obrigado.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Começo do fim - parte 2

Talvez a melhor forma de começar seja indo bem no passado. Sempre gostei de ler e ler bastante. Minha maior alegria quando criança foi perceber que mesmo ainda com dificuldade, eu conseguia juntar as letras e ver algo além daqueles cartazes coloridos nas ruas.

Aprendi a ler, escrever e na escola incentivavam muito isso. Com o tempo fui escrevendo em cadernos textos  que ninguém nunca leria, nem mesmo eu. Descobri que algumas pessoas gostavam de ler, e de textos avulsos fui às cartas. 

Sim, cartas. Ainda estava longe da era digital de emails e afins. Cartas e mensagens entregues pessoalmente ou via correios mesmo. E não posso mencionar cartas sem lembrar de uma pessoa a quem mandei muitas por um bom tempo. Uma amizade longa e duradoura, que até hoje mantenho. Improvável no início e certeira no fim.

Lembro como curiosa foi a forma que nos aproximamos. Por causa do período de greve no colégio,  alguns professores resolveram dar aulas extras no fim do dia para repor a matéria, para quem se interessasse. Aconteceu de um dia ambos irem para aula, mas a mesma tinha sido cancelada e não sabíamos. Como a mãe dela estava fazendo aula de idiomas a noite, ficamos conversando enquanto ela aguardava a mãe. Descobri que ela gosta de ler, adorava receber cartas, e, no fim, descobri uma grande amizade depois de quase um ano estudando juntos. Sentávamos em lados opostos da sala, dentre quase quarenta alunos, era pouco provável que tivéssemos aquela conversa em outras circunstâncias.

Uma amizade que venceu esses quase vinte anos de hiato. Ela foi a única pessoa daquela época que esteve em meu casamento, e com quem ainda hoje converso, mesmo que esporadicamente. Foi um incentivo a escrever, talvez o primeiro do ponto de vista escrever para que alguém leia. Um começo feliz e uma amizade duradoura.

Cara amiga, meu muito obrigado. Este texto é seu.

continua