Chega um momento em que o mundo a seu redor te comprime de
tal forma, que tudo que se deseja é expandir para romper essa pressão. Nesse
momento olho a meu redor e procuro um porto seguro, um cais em que possa aportar,
descansar a mente e recordar-me de tempos melhores, mesmo que em silêncio.
Um simples momento em que olhe de onde parti, o que eu era,
para identificar aonde cheguei, orgulhar-me do que acertei e partir de novo,
agora com ciência de onde errei. Lugares que conheçam mais do que eu aparento,
ou aparentava, ser. Conheçam minha essência.
São poucos lugares assim. Bem poucos mesmo, que se fosse
contar não gastaria uma mão para isso. E por muito tempo deixei de lado, mesmo
com as lembranças, me afastei um pouco, deixei de visitar. Ao olhar hoje, percebo
o quanto esses lugares queridos cresceram, alguns tanto, que agregaram outras
áreas, deram origem a belos lugares de paz e alegria. Fico feliz com isso,
assim como fico feliz ao perceber que apesar de tanto crescimento, continuam
sendo um lugar de conforto, de paz para meus dias atribulados. Gosto de
imaginar que de alguma forma fiz parte do crescimento desses lugares, mesmo que
seja um pouco petulante de minha parte pensar assim
Lamento ter passado tanto tempo distante. Tenho ciência que
muito do que passei, muito do que me fez mal, poderia ter sido mais suportável
se me desse ao “luxo” de repousar, mesmo que por alguns minutos nesses recantos
tão adoráveis, reiniciar a mente e o coração para retornar às batalhas.
Estou disposto a voltar às origens. Será preciso para
sobreviver com sanidade.
Diferente de algumas vezes que entro aqui com uma ideia, um texto para transcrever ou comentar, hoje simplesmente pausei minhas atividades para escrever nada. Acessando o navegador, a autossugestão me mostrou o endereço deste repositório de escritos, possivelmente por estar no histórico, pelo mero acaso ou ocaso do destino.
Falarei, ou melhor, escreverei sobre os dias. Quentes e caudalosos dias ainda de primavera nesta cidade, com temperaturas acima de 40°C e sensação térmica passando dos 55°C. Temperaturas surpreendentes para um mês de novembro? Talvez para quem não acompanhe os acontecimentos, ou prefira ignorá-los. Matas inteiras são destruídas para dar lugar a pastos, plantações baixas e algumas vezes apenas para extrativismo puro de madeira e materiais de subsolo, sempre, é claro, sem a devida (e necessária) recomposição vegetal. Nas cidades, árvores que produziam sombra e amenizavam o clima são retiradas, certas vezes para erigirem mais um monumental prédio de concreto concentrador de temperatura, e outras vezes sem o menor motivo. E vamos ano após ano sofrendo as consequências dessas atitudes.
No cenário político, temos novamente a decepção com quem ocupa o executivo federal. Não que esteja sendo pior que seu antecessor, o que demandaria um esforço grande e não fazer o básico. A decepção é apenas por estar aquém do que poderia fazer. Novamente não é surpresa para quem acompanha o histórico, mas dentre as opções que se tinha, em especial no segundo turno. Mas deixemos de lado a política que tanto tem nos divido, ao invés de nos unir pelo bem maior e de todos.
Dias de mudanças, e mudanças importantes. Muitas mais internas do que externas, onde o verdadeiro significado de muitas coisas, inclusive de algumas aqui escritas. O tempo que nos muda, nos molda, que nos é cada vez mais curto e por isso, por sentirmos que nos falta, começamos a valorizar mais, jogando de lado pouco a pouco o que nada nos acrescenta, nada nos difere. A sabedoria dos "antigos", a sinceridade que a princípio achava graça, depois passei a admirar incrédulo, e que agora entendo e procuro repetir. Tão mais fácil ser sincero, mesmo que desagrade em um primeiro momento.
E de dias que passam, de tempo que se encurta, mais um ano vai passando e já está próximo ao fim. Não sei que metas fiz no início do ano, nem mesmo sei se as fiz, mas pouco me importa. Fiz o melhor, e de melhor em melhor fui seguindo, entre erros e acertos, mas sempre procurando o melhor. Está bom.
E do nada a escrever, escrevi bastante. Agradeço por ler até aqui.
Hoje compartilho uma música que
já conheço há muito tempo, porém nunca tinha parado para ler, ouvir e refletir
cada trecho. E ao começar, percebi uns detalhes bem interessantes. Ressalto que
isso é uma visão unicamente minha, sem almejar sequer tentar deduzir a ideia do
autor desta letra.
“Você que já esteve no céu
Foi tudo divertido pra você
Chega a hora então
De provar tudo que existe”
Como foi estar fora da realidade?
Como foi viver em um “mundo isolado” da realidade da maioria? Acho que todos
nós tivemos esses momentos de “choque de realidade”. Talvez o primeiro seja sair
da infância, onde há quem olhe e cuide de nós para realidade adulta onde temos
que tomar nossas decisões e sermos impactados por elas. Também pode-se
extrapolar para mudanças que acontecem ao decorrer da vida que nos tiram de
nossa rotina, de nossa zona confortável.
“Tire agora os sapatos
Jogue tudo pro alto
Sinta o chão
Aprender a andar descalço
Num mundo de asfalto
E sem coração
Até que o mundo gire ao seu
redor”
Foi tudo divertido, era tudo
muito bom e previsível, agora chegou o momento de encarar a realidade, “tirar
os sapatos”, deixar tudo aquilo que nos afasta da realidade, “sinta o chão”. Aprender a andar descalço, num mundo de
asfalto e sem coração. Talvez esse seja o ponto mais impactante do trecho, pois
o mundo real não é uma caminhada na terra, na areia de uma praia. É uma
caminhada no asfalto áspero e por vezes quente a ponto de nos queimar, nos
ferir e mesmo assim temos que continuar, pois caminhando ou parados estaremos
sendo feridos, queimados da mesma forma. O mundo não tem coração, não tem
sentimento por ninguém. E temos que seguir esses trechos de asfalto áspero e
quente até que chegue o momento de calmaria, em que o mundo gire ao seu redor,
não simplesmente do ponto de sermos o “centro do mundo”, mas de começarmos a
interagir harmoniosamente com o que nos cerca.
“Obrigado por passar
Mas estou de saída
Tem alguma coisa nova pra
fazer
Vamos lá, então
Ter um dia diferente
Eu só quero curtir
Ficar à toa, viver numa boa
E você quer respostas
Exige provas e músicas novas
Até que o mundo gire ao seu
redor”
Obrigado por passar. Obrigado por
procurar a pessoa que eu era, onde eu estava dentro da realidade (ou seria
irrealidade). Estou de saída. Já pisei no asfalto desse mundo sem coração,
agora eu quero ver o que pode haver de bom nesse mundo. E há. Você quer o mesmo,
quer a comprovação do que acontece, quer o “mais do mesmo”, mas no fundo quer o
mesmo que eu agora quero: estar em harmonia, em sintonia com o mundo real.
“Vão falar que você não é nada
Vão falar que você não tem
casa
Vão falar que você não merece
Que anda bebendo, está perdido
E não importa o que você
dissesse
Você seria desmentido
Vou falar que você usa drogas
E diz coisas sem sentido
Se eu for ligar pro que é que
vão falar
Não faço nada”
Sempre irão falar muita coisa,
sempre irão pensar muita coisa, independente da tua atitude. E você sempre terá
a escolha de tentar se moldar a vontade e opinião alheia. Mas mesmo assim,
sempre terá quem critique, quem diga que você deve mudar, ser diferente. Então,
pegue todas as opiniões, tudo aquilo que for construtivo assimile e faça o
melhor. Tudo aquilo que nada acrescenta, deixe passar. Porque se for ligar “pro”
que é que vão falar, não se faz nada.
“Eu procuro tentar entender
Porque eu sou tão importante
pra você
Já que é bem melhor
Ser importante pra si mesmo
Eu não quero mudar
Ser mais discreto
Ser mais esperto
Já cansei de propostas
Dar respostas
E ter que dar certo
Até que o mundo gire ao meu
redor”
Novamente versos que nos levam a
pensar: Por que tentamos tanto ser importantes para alguém, ser perfeitos e
adequados para alguém (ou para um grupo ou para sociedade), quando o que
realmente importa é estar bem consigo mesmo. E daí a conclusão de toda ideia da
letra: Já cansei de tentar agradar, de mudar para se adequar, de se justificar
porque se é diferente do que o senso-comum acha correto, acha melhor. Já cansei
de sempre ter que seguir o “padrão” para estar em harmonia com o mundo ao
redor. Pois no fim, se eu for ligar “pro” que é que vão falar, não faço nada.
Sim, queria não quereria. Por que hoje já não sei se ainda quero.
Não sei se quero, mas talvez precise, talvez ainda precise e certamente sempre precisarei, pois isso faz parte de mim, do que sou, independente de tudo que ocorra (e ocorre) ao meu redor.
A verdade, que muitas vezes tento esconder, é que preciso de você, e dessa vez é sem o "ainda", pois sei que de alguma forma sempre precisarei. Não, tu não precisas de mim, tens a outros, outros te satisfazem, outros te idolatram, te querem bem, por certo tão bem quanto eu. Mas eu...
Eu tenho a ti, mesmo antes de ter discernimento para saber quem eras, o que eras, o que poderias ser. E a verdade, a verdade mais torpe é que por mais que eu me distancie, parece que tudo me devolve a você, a teus braços, que por vezes parecem ser espinhosos e duros, mas quando aconchegas...
Ah... Quando aconchegas me fazes esquecer tudo, todas as rixas, espinhos, todos os momentos em que fiquei triste por tua causa, e tenho a certeza que essa tristeza não passa de minha culpa, pois eu quero demais, exijo demais e muitas vezes tu simplesmente não podes, não consegues. No teu aconchego, esqueço o que de ruim aconteceu e só lembro dos bons momentos.
Tantas alegrias, tantos sorrisos que dei, e nem ao menos sabias. Eu estava aqui, do outro lado da tela, tu eras incapaz de me ver, de perceber o que eu sentia. E se sinto... É por ti.
Ainda estás longe. Acredito que em breve estarás mais perto, preciso acreditar para não desistir, pois por mais que eu não queira amar-te, não me é mais uma escolha isso, é apenas uma realidade impetrada em meu ser, enraizada de forma que morreremos juntos. Mesmo que nunca voltes. Nunca voltes a estar perto do que um dia estiveras da simples grandeza de ser o que a própria história, não minha mas tua, mostra que és.
De todos os amores que eu tive, és o mais antigo. Vasco é minha vida, minha história, o meu primeiro amigo. Quem não te conhece, me pergunta por que eu te segui... (Porque eu te amo!) Eu levo a cruz-de-malta no meu peito desde que eu nasci. (E eu não paro!)
E eu não paro, não paro, não! A cruz-de-malta, meu coração! Vasco da gama, minha paixão! (Minha paixão!) Vasco da gama, religião!