Desde criança, todos criamos personagens, outrora imaginários, alguns que nós mesmos representamos. Lembro-me quando criança de ser vários durante as brincadeiras. Apesar de não ser filho único, gostava muito de brincar com os personagens que criava. Cada jogo de futebol no estreito corredor de onde morava, eu mesmo revezava entre 4 ou 6 personagens, cada qual com sua habilidades e características.
Crescemos e nossos personagens não acabam, apenas mudam: o estudante, o tímido, o popular, o aventureiro, o recatado, cada qual cria, mesmo que inconscientemente o personagem para cada situação de sua vida. São esses personagens que "vivem" nossa vida, e no fim são parte de nós e nós grande parte deles. Alguns criam personagens de propósito, para tentar enganar, para a mentira. Esses, como não são parte da pessoa, acabam sendo revelados, e se rebelando contra seu criador, mesmo que depois de muito tempo. Como diziam os "antigos" a mentira tem perna curta... Não corre muito e nunca vai tão longe quanto se queira.
Hoje, com o advento da internet, a facilidade de interação cria um novo cenário: uma rede interligada de personagens variados, muitas vezes totalmente diferente de quem os cria e mantem. A internet permite isso, facilita que os personagens se mantenham enquanto convenientemente ocultos. Qualquer um pode ser qualquer coisa: homem, mulher, criança, velho etc. Tudo depende da vontade e criatividade.
Mas até onde isso é bom? Até onde é saudável se passar pelo que não é? Excluo dessa minha indagação todas as posturas antiéticas de quem tenta ser outro com o intuito inconsciente de enganar e/ou ganhar algum tipo de vantagem. Quero me referir aquelas pessoas que criam um personagem na internet não de uma parte de si, como criamos no nosso dia-a-dia, cada qual para sua "função". Elas criam um personagem do que gostariam de ser e creem que não são: mais belos, mais atraentes, mais capazes. Não é muito diferente do que fazemos "pessoalmente", apenas é algo que acaba por se sustentar mais, sem que haja a possibilidade da pessoa absorver os benefícios do personagens criados. E quando corre o risco de alguém descobri-los, fogem, se escondem, como se escondem por trás dos personagens.
Todos criamos personagens, desde de bem pequenos, e continuamos criando... O difícil é sabermos quando somos nós, quando são os personagens agindo. No fim todos fazem parte de nós...
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terça-feira, 12 de novembro de 2013
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
A Cúmplice
Eu quero uma mulher que seja diferente
de todas que eu já tive, de todas tão iguais.
Que seja minha amiga, amante, confidente;
A cúmplice de tudo que eu fizer a mais.
No corpo tenha o Sol, no coração a Lua,
A pele cor de sonho, as formas de maçãs,
A fina transparência, uma elegância nua,
O mágico fascínio, o cheiro das manhãs.
Eu quero uma mulher de coloridos modos,
Que morda os lábios sempre que for me abraçar.
No seu falar provoque o silenciar de todos
E seu silêncio obrigue a me fazer sonhar.
Que saiba receber, que saiba ser bem-vinda,
Que possa dar jeitinho a tudo que fizer,
Que ao sorrir provoque uma covinha linda;
De dia, uma menina; a noite, uma mulher.
Essa é uma música antiga, composta por Juca Chaves, outrora chamado "Menestrel do Brasil", por volta de 1976. O áudio pode ser apreciado nesse clipe : www.youtube.com/watch?v=kxNkDKJSHKI
Coloco essa música aqui, em homenagem a minha cúmplice e companheira, que quando menos esperava encontrei e fui encontrado. Independente das circunstâncias que possam acontecer na vida, amarei para sempre. Obrigado por existir.
de todas que eu já tive, de todas tão iguais.
Que seja minha amiga, amante, confidente;
A cúmplice de tudo que eu fizer a mais.
No corpo tenha o Sol, no coração a Lua,
A pele cor de sonho, as formas de maçãs,
A fina transparência, uma elegância nua,
O mágico fascínio, o cheiro das manhãs.
Eu quero uma mulher de coloridos modos,
Que morda os lábios sempre que for me abraçar.
No seu falar provoque o silenciar de todos
E seu silêncio obrigue a me fazer sonhar.
Que saiba receber, que saiba ser bem-vinda,
Que possa dar jeitinho a tudo que fizer,
Que ao sorrir provoque uma covinha linda;
De dia, uma menina; a noite, uma mulher.
Essa é uma música antiga, composta por Juca Chaves, outrora chamado "Menestrel do Brasil", por volta de 1976. O áudio pode ser apreciado nesse clipe : www.youtube.com/watch?v=kxNkDKJSHKI
Coloco essa música aqui, em homenagem a minha cúmplice e companheira, que quando menos esperava encontrei e fui encontrado. Independente das circunstâncias que possam acontecer na vida, amarei para sempre. Obrigado por existir.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Leitor
Obrigado por ler. Obrigado por estar aqui.
Eu sei tanto quanto você o que este texto te faz sentir, assim como muitos que aqui escrevi. Mesmo que você nem saiba quem sou, mesmo que apenas leia o que eu escrevo, sei que consigo chegar até o fundo de teus pensamentos, te trazer lembranças, sonhos, alguns bons, outros nem tanto. O que escrevo, pode tocar no fundo do teu coração, sem ao menos eu saber, sem eu ter essa intenção.
Mesmo que nunca nos conheçamos, mesmo que nunca saibamos ao certo quem somos, através das palavras já nos conhecemos, nos comunicamos, temos essa ligação profunda. Quando falo de meu passado, sei que falo também do teu, teu passado, teus sentimentos retraídos, reprimidos ou declarados. Minha história não difere muito da tua. Mesmo que não chegue a olhar no fundo dos teus olhos, sei que cada palavra te faz pensar, te põe um sorriso no rosto, um aperto no peito.
Somos muito parecidos, por isso você retorna aqui, para ler o que penso e me conhecer ainda melhor, para ler o que sinto e se sentir mais perto ainda. Menos distante, menos diferente, mais normal. E a cada leitura, passamos a ter um passado cada vez mais em comum, mesmo que trilhando caminhos diferentes, pois chegamos sempre neste ponto: eu escrevendo e você lendo, refletindo, lembrando, pensando.
Talvez um dia você brigue comigo por te lembrar de erros, de coisas que gostaria de ter feito diferente e não fez. Se tiver essa vontade, brigue, fale mal, critique. Sei que em meio ao turbilhão de lembranças que eu possa te trazer com meus escritos, virão também as boas lembranças, as alegrias, os aprendizados e tudo isso que fez novamente chegarmos aqui: você lendo o que escrevi.
O que escrevo fala de mim, fala de você, porque se escrevo para mim, para me sentir melhor comigo, o faço também para você e por você, que agora sabe que faz parte do meu passado, meu presente e, se assim o quiser, será parte de meu futuro também.
A você, leitor, dedico esse texto, dedico minhas lembranças, meu passado, presente e futuro, que você já sabe bem, é nosso passado, presente e futuro comum, enquanto "a pena não me pesar" e seus olhos não se cansarem.
Minha eterna gratidão.
Eu sei tanto quanto você o que este texto te faz sentir, assim como muitos que aqui escrevi. Mesmo que você nem saiba quem sou, mesmo que apenas leia o que eu escrevo, sei que consigo chegar até o fundo de teus pensamentos, te trazer lembranças, sonhos, alguns bons, outros nem tanto. O que escrevo, pode tocar no fundo do teu coração, sem ao menos eu saber, sem eu ter essa intenção.
Mesmo que nunca nos conheçamos, mesmo que nunca saibamos ao certo quem somos, através das palavras já nos conhecemos, nos comunicamos, temos essa ligação profunda. Quando falo de meu passado, sei que falo também do teu, teu passado, teus sentimentos retraídos, reprimidos ou declarados. Minha história não difere muito da tua. Mesmo que não chegue a olhar no fundo dos teus olhos, sei que cada palavra te faz pensar, te põe um sorriso no rosto, um aperto no peito.
Somos muito parecidos, por isso você retorna aqui, para ler o que penso e me conhecer ainda melhor, para ler o que sinto e se sentir mais perto ainda. Menos distante, menos diferente, mais normal. E a cada leitura, passamos a ter um passado cada vez mais em comum, mesmo que trilhando caminhos diferentes, pois chegamos sempre neste ponto: eu escrevendo e você lendo, refletindo, lembrando, pensando.
Talvez um dia você brigue comigo por te lembrar de erros, de coisas que gostaria de ter feito diferente e não fez. Se tiver essa vontade, brigue, fale mal, critique. Sei que em meio ao turbilhão de lembranças que eu possa te trazer com meus escritos, virão também as boas lembranças, as alegrias, os aprendizados e tudo isso que fez novamente chegarmos aqui: você lendo o que escrevi.
O que escrevo fala de mim, fala de você, porque se escrevo para mim, para me sentir melhor comigo, o faço também para você e por você, que agora sabe que faz parte do meu passado, meu presente e, se assim o quiser, será parte de meu futuro também.
A você, leitor, dedico esse texto, dedico minhas lembranças, meu passado, presente e futuro, que você já sabe bem, é nosso passado, presente e futuro comum, enquanto "a pena não me pesar" e seus olhos não se cansarem.
Minha eterna gratidão.
Vá
Vá, se é o que quer. Vá se precisa ir, se acha melhor.
Não, por hoje chega, não quero brigar essa noite. Estamos de cabeça quente, desenterramos histórias, supervalorizamos acontecimentos, as palavras são duras, machucam.
Vá, clareia a cabeça, se você não quer conversar calmamente. Já brigamos tanto, não vale a pena. Ficarei bem, ficarei aqui com um livro, com a TV, sei que algo lhe incomoda, sei que não está pronta para conversar sobre isso agora.
Meu amor, cuidado no caminho. E nunca duvide de quanto te amo.
(Texto inspirado na música "Quando você voltar"- Legião Urbana")
Não, por hoje chega, não quero brigar essa noite. Estamos de cabeça quente, desenterramos histórias, supervalorizamos acontecimentos, as palavras são duras, machucam.
Vá, clareia a cabeça, se você não quer conversar calmamente. Já brigamos tanto, não vale a pena. Ficarei bem, ficarei aqui com um livro, com a TV, sei que algo lhe incomoda, sei que não está pronta para conversar sobre isso agora.
Meu amor, cuidado no caminho. E nunca duvide de quanto te amo.
(Texto inspirado na música "Quando você voltar"- Legião Urbana")
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Epifania
Na última semana algo aconteceu.
Não sei explicar o que houve, mas em determinado momento, senti como se meus olhos abrissem de uma forma nunca antes por mim conhecida. Em frações de minutos vi minha história: passado, presente e possíveis futuros, vi tudo isso diante de meus olhos.
Foi um momento de surpresa e também de uma leveza sem tamanho: senti como se muitos quilos fossem tirados de minhas costas, me permitindo agora caminhar mais rápido, ou até mesmo voar se asas eu tivesse. Todos os textos, todas as palavras, cada letra que eu escrevi, naquele instante pareceu fazer muito mais sentido para mim.
Meu passado foi de erros, acertos, alguns meus, outros de pessoas que fizeram ou ainda fazem parte de minha vida. Os erros , não importando quem os cometeu, me moldaram, me fizeram desenvolver e me tornar a pessoa que sou. Sou resultado dos erros, não vítima ou refém deles. Aprendi e continuo aprendendo a ganhar forças em cima da superação. Talvez a palavra "erro" que uso seja muito forte, por mais que os equívocos tenham ocorrido, nunca foram por mal, sempre foram fruto de maior boa vontade e zelo, na verdade excesso de zelo e boa vontade. Mas no geral, o saldo foi muito positivo, pois aqui estou, firme e forte o bastante para prosseguir.
Meu presente, eu sigo e controlo conforme me é dada a oportunidade para isso. E estou sempre em busca das oportunidades para isso.
Meu futuro é um caminho. Na verdade é mais que um caminho, são vários que vou construindo paralelos e contínuos, mesmo que desconhecidos. E se o desconhecido me dá medo, não me permito mais paralisar por esse medo, o enfrento e sigo adiante, e adiante, e adiante. Sempre
Não sei explicar o que houve, mas em determinado momento, senti como se meus olhos abrissem de uma forma nunca antes por mim conhecida. Em frações de minutos vi minha história: passado, presente e possíveis futuros, vi tudo isso diante de meus olhos.
Foi um momento de surpresa e também de uma leveza sem tamanho: senti como se muitos quilos fossem tirados de minhas costas, me permitindo agora caminhar mais rápido, ou até mesmo voar se asas eu tivesse. Todos os textos, todas as palavras, cada letra que eu escrevi, naquele instante pareceu fazer muito mais sentido para mim.
Meu passado foi de erros, acertos, alguns meus, outros de pessoas que fizeram ou ainda fazem parte de minha vida. Os erros , não importando quem os cometeu, me moldaram, me fizeram desenvolver e me tornar a pessoa que sou. Sou resultado dos erros, não vítima ou refém deles. Aprendi e continuo aprendendo a ganhar forças em cima da superação. Talvez a palavra "erro" que uso seja muito forte, por mais que os equívocos tenham ocorrido, nunca foram por mal, sempre foram fruto de maior boa vontade e zelo, na verdade excesso de zelo e boa vontade. Mas no geral, o saldo foi muito positivo, pois aqui estou, firme e forte o bastante para prosseguir.
Meu presente, eu sigo e controlo conforme me é dada a oportunidade para isso. E estou sempre em busca das oportunidades para isso.
Meu futuro é um caminho. Na verdade é mais que um caminho, são vários que vou construindo paralelos e contínuos, mesmo que desconhecidos. E se o desconhecido me dá medo, não me permito mais paralisar por esse medo, o enfrento e sigo adiante, e adiante, e adiante. Sempre
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Rien
Pela janela, o sol ilumina minha cama, e acordo com a luz em meu rosto. Um dia ensolarado, um dia que pode ser bom.
Faço minhas abluções matutinas, checo minhas mensagens e nada. Mais um dia sem notícia. Bem, é hora de sair, é hora de trabalhar, não posso condicionar meus passos à notícias que nunca chegam.
Pego o ônibus cheio como de costume. Já não me importo com isso, tranquilamente aguardo minha vez de descer, e caminhar até meu posto de trabalho. E assim sigo meu dia, trabalhando até a hora de retornar para casa. E assim os dias se repetem, um atrás do outro.
Dias, talvez semanas ou meses depois, uma notícia me surpreende no meio do dia. Mais que uma notícia, uma promessa. Mais uma.
Já não creio, já não duvido, deixo acontecer. E os dias vão acontecendo um após outro como sempre, com ou sem novas notícias, apenas um eterno prosseguir de fatos imutáveis que ao contrário de suas características mudam constantemente.
Como diz a música: "Non, rien de rien. Non, je ne regrette rien (...)"
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Heróis
Como toda criança, tive meus heróis. Como toda criança, levei a ideia de herói para fora dos gibis e da TV.
Com o tempo e bem rápido, Jaspion, Changeman, He Man e similares ficaram para trás.
No mundo dito "real", tinha três heróis, cada qual com seu "super poder" do mundo real, ao olhos de uma criança. Eram meus heróis, "ídolos", exemplos. Pessoas que eu, uma criança sonhadora me espelhava para crescer, viver, seguir meu rumo. Porém, o ruim dos "heróis reais" é que eles não duram para sempre, algumas vezes Deus os leve, outras eles demostram que foram superestimados.
Perdi meu primeiro herói entre 10 e 11 anos. Ele era um dos exemplos que tinha e de uma hora para outra, me decepcionou fortemente. Não fez nada para mim, antes o tivesse feito. Fez contra própria irmã, sangue de seu sangue e do meu sangue. Em alguns minutos ao telefone com ela, ele despencou do patamar que eu o colocara desde de infante. Creio que ele tenha se arrependido, e ela o perdoado, mas eu... Infelizmente a marca ficou talvez mais em mim do que neles, um fato que peço a Deus que me faça esquecer. assim desconstruiu-se a imagem que eu tinha, assim "perdi" meu primeiro herói.
Anos mais tarde, quis Deus que eu perdesse mais um "herói". Quinze anos de minha vida, escutando suas histórias, conhecendo seu exemplo de vida, de trabalho árduo por onde passou, sua forma de não desistir,, vencer as dificuldades, ser sempre sincero doa a quem doer. Mesmo não tendo "papas na língua", todos o respeitavam e gostavam muito dele, creio que exatamente por ele dizer o que devia ser dito "na cara". Seus últimos quatro anos, convivemos diariamente, até o dia em que, talvez com seu orgulho ferido de não conseguir mais assinar o próprio nome, seu coração achou que fosse hora de partir. Noventa e um anos de muita história de meu herói-ídolo número 2, pois mesmo não estando mais entre nós o considero ainda como um dos dois heróis.
O número 1 não poderia ser outro: um dos principais responsáveis de eu ser quem sou hoje. Uma pessoa que lutou muito, deixando sua terra natal jovem e poucas vezes retornando lá, apenas a passeio. Trabalhou arduamente, diante de todo tipo de discriminação que havia, lutou o bom combate, conquistou, formou sua família. Alguém que não tenho palavras para descrever, tampouco tenho palavras para expressar minha gratidão. Não apenas responsável por eu estar vivo, mas pelo aprendizado de vida que tenho, às vezes muito mais pelo exemplo do que por palavras. Assim como acontecia com meu outro herói, hoje não me canso de ouvir suas histórias, mesmo que repetidas.
Quando criança tinha três heróis. Hoje tenho um que olha por mim junto a Deus, outro que me mostrou o que não ser/fazer, a quem peço a Deus que me ajude a perdoar de coração, e um terceiro que sempre será para mim o primeiro de todos, por quem peço a muito a Deus que o mantenha são por muito tempo junto a nós.
Com o tempo e bem rápido, Jaspion, Changeman, He Man e similares ficaram para trás.
No mundo dito "real", tinha três heróis, cada qual com seu "super poder" do mundo real, ao olhos de uma criança. Eram meus heróis, "ídolos", exemplos. Pessoas que eu, uma criança sonhadora me espelhava para crescer, viver, seguir meu rumo. Porém, o ruim dos "heróis reais" é que eles não duram para sempre, algumas vezes Deus os leve, outras eles demostram que foram superestimados.
Perdi meu primeiro herói entre 10 e 11 anos. Ele era um dos exemplos que tinha e de uma hora para outra, me decepcionou fortemente. Não fez nada para mim, antes o tivesse feito. Fez contra própria irmã, sangue de seu sangue e do meu sangue. Em alguns minutos ao telefone com ela, ele despencou do patamar que eu o colocara desde de infante. Creio que ele tenha se arrependido, e ela o perdoado, mas eu... Infelizmente a marca ficou talvez mais em mim do que neles, um fato que peço a Deus que me faça esquecer. assim desconstruiu-se a imagem que eu tinha, assim "perdi" meu primeiro herói.
Anos mais tarde, quis Deus que eu perdesse mais um "herói". Quinze anos de minha vida, escutando suas histórias, conhecendo seu exemplo de vida, de trabalho árduo por onde passou, sua forma de não desistir,, vencer as dificuldades, ser sempre sincero doa a quem doer. Mesmo não tendo "papas na língua", todos o respeitavam e gostavam muito dele, creio que exatamente por ele dizer o que devia ser dito "na cara". Seus últimos quatro anos, convivemos diariamente, até o dia em que, talvez com seu orgulho ferido de não conseguir mais assinar o próprio nome, seu coração achou que fosse hora de partir. Noventa e um anos de muita história de meu herói-ídolo número 2, pois mesmo não estando mais entre nós o considero ainda como um dos dois heróis.
O número 1 não poderia ser outro: um dos principais responsáveis de eu ser quem sou hoje. Uma pessoa que lutou muito, deixando sua terra natal jovem e poucas vezes retornando lá, apenas a passeio. Trabalhou arduamente, diante de todo tipo de discriminação que havia, lutou o bom combate, conquistou, formou sua família. Alguém que não tenho palavras para descrever, tampouco tenho palavras para expressar minha gratidão. Não apenas responsável por eu estar vivo, mas pelo aprendizado de vida que tenho, às vezes muito mais pelo exemplo do que por palavras. Assim como acontecia com meu outro herói, hoje não me canso de ouvir suas histórias, mesmo que repetidas.
Quando criança tinha três heróis. Hoje tenho um que olha por mim junto a Deus, outro que me mostrou o que não ser/fazer, a quem peço a Deus que me ajude a perdoar de coração, e um terceiro que sempre será para mim o primeiro de todos, por quem peço a muito a Deus que o mantenha são por muito tempo junto a nós.
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