Translate

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Nada de novo aconteceu - Cap.2

Todos os dias vive o dilema entre tentar esquecer a vida que teve e sofrer menos com a falta ou viver nos sonhos que as lembranças trazem. Sonhos de ainda estar vivendo aqueles dias... Ah se ele soubesse! Se tivesse dado a devida importância teria sido ainda mais feliz do que foi.

E assim vai passando os dias, trabalhando exaustivamente para poucos momentos ter para ficar pensando. Mas o fim de semana chega e por mais que ele se dedique as tarefas domésticas, a casa vazia não demanda tanto trabalho assim. Ficar ali só aumenta suas lembranças de um tempo que já passou, que foi embora.

Coloca um velho caderno em branco e uma garrafa d'água na mochila surrada e começa a caminhar. Para onde? Não sabe, nem quer pensar nisso. Caminhará até se cansar, até sentir que aquele é o lugar e fará algo que há muito não faz: escreverá. Deixará no papel toda sua impressão do que passou, do que sentiu, do que vem sentindo. Nunca mais escrevera uma linha desde que tudo aquilo começou. Por quê? Talvez falta de vontade, talvez medo de realidade e fantasia se misturarem e no fim não saber mais distingui-las. Mas precisa por as ideias no lugar, e sabia que esse era o melhor método para si; mesmo que no fim estivesse convencido de uma história divergente da realidade, sua cabeça estaria em paz.

O sol não está forte, e ele começa a andar sem rumo, procurando manter a cabeça tão vazia quanto possa. Caminha por um longo tempo, perde a noção das horas, do quanto já andou. Nada disso importa, o cansaço que começa sentir em suas pernas não é nada perto da confusão que sua mente tem estado nos últimos dias, semanas, meses. Já não sabe ao certo, a noção de tempo está totalmente deturpada desde que tudo isso começou.

Olha ao redor e percebe que está bem longe de casa, está em um lugar que em outros tempos seria até perigoso estar andando. Pelo menos para nisso, essas "mudanças" serviram. Não haviam crimes de nenhuma espécie, parecia que todos os criminosos sumiram ou desistiram da vida de delitos. Talvez fosse isso, não havia mais "vida" de nenhuma espécie mesmo. Sabia disso, não era o único que não tinha mais vida, que apenas, sobrevivia e mantinha-se vivo.

Sentou-se em um banco naquele velho jardim. Não aquilo não era nem nunca fora um jardim, era um parque. Não, não era, era muito mais que um parque era grandioso era... Lhe faltavam palavras. Esquecera absolutamente como se chamara aquele lugar. Não importava, apenas quereria abrir seu caderno e começar a escrever. Uma história sem fim.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Nada de novo aconteceu - Cap.1

Mais um dia amanhece, e nada há ao redor. A casa, outrora cheia de móveis, decorações e eletrodomésticos, agora persiste em um deserto de um único colchão, a velha TV, uma geladeira pequena e um fogão. Dezenas de metros quadrados para coisas que cabem com sobra naquela sala. E de fato, salvo o fogão que está na cozinha, tudo se encontra ali, ao alcance de seu assento, seu colchão surrado, que um dia estivera em sua cama.

As portas dos demais cômodos são mantidas trancadas, só sendo abertas para faxina semanal. Seu dia-a-dia nessa casa se restringe ao triângulo banheiro-cozinha-sala. Poderia usar o quarto, o armário embutido que ali se encontra, mas prefere manter suas poucas roupas em um baú perto do colchão onde dorme. É um baú de boa qualidade, colocando seu travesseiro sobre ele, ainda pode-se sentar, quando se cansa de ficar sentado no chão.

E assim ele passa seus dias quando chega em casa após o trabalho: um banho, cozinha o suficiente para a barriga parar de roncar e deixá-lo dormir, depois aguarda o sono chegar lendo um pouco ou se distraindo com algo na TV. Por vezes adormece ouvindo rádio em seu celular, já que todos os outros rádios que tinha, já não se encontram mais ali.

Como chegou nessa situação? Nem ele mesmo sabe, às vezes acha que foi acontecendo aos poucos, certas vezes tem a certeza que tudo foi abrupto demais. Ele tinha uma vida completa, e de um momento para outro não tem mais vida, apenas se mantém vivo... E por quê? Por falta de coragem suficiente para dar um fim nisso também. E teria como dar um fim? Já percebera desde aquele fatídico dia que isso também não adiantava; o fim já chegara para alguns e para os que sobraram não existia mais fim, nem começo, nem vida.

No peito a esperança que tudo mudasse novamente, quem sabe de repente como da última vez, ou aos poucos sem que ele perceba, como poderia ter sido.


domingo, 11 de maio de 2014

Dia das mães

Hoje é dito ser o dia das mães. Em algum dia, em algum lugar do mundo resolveram que o segundo domingo de maio seria o dia das mães. Porém não há um dia específico para homenageá-las, isso deve ser feito diariamente tamanha a importância das mães em nossas vidas.

Deus, antes de nascermos, definiu que nasceríamos em uma família, na família que por motivos diversos precisaríamos viver. Mãe é o nosso primeiro contato com esse mundo físico, com nossa família. Junto a ela começamos a nos desenvolver, de um pequeno grão até um organismo formado no nascimento. Não importa se o relacionamento comtua mãe não é o sonhado nem o amistoso que deveria ser, mas aproveite esse dia que criaram para dar um abraço nela, e diga que apesar de não entenderes o porque de tanto conflito, você é grato(a) a ela pois ela é exatamente a mãe que você precisa que ela seja. Aproveite essa ocasião e mude essa forma de relacionamento que desagrada tanto a ela quanto a você.

A todas as mães de vocês meus parabéns pelo dia de hoje. Para vocês que são mães, avós, meus parabéns dobrados. A vocês, mulheres, que Deus deu a benção de poderem ser mães, minha prece a Deus e pedido que quando forem mães façam desse momento, uma ocasião especial e de realização junto ao pai de seus filhos. Que eles sejam verdadeiros apoios paternos para vocês que sem dúvida serão mães maravilhosas.

Às mães que já foram ao encontro do Pai, minha oração pedindo intercessão por todos nós. Elas cumpriram suas missões na Terra e agora estão no reino de Deus, continuando o intenso trabalho que faziam aqui cuidando de seus filhos, só que agora junto a Deus.

Que Deus abençoe a todas as mães onde quer que elas estejam. E que Ele proteja a todos nós

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Mudei...


Mudei. Já me disseram isso. Sim, mudei, e de certa forma fico feliz com isso, afinal sempre afirmo que é bom aprendermos com os fatos da vida, evoluirmos como pessoa. Se vivemos sempre da mesma forma sem nada aprender ou ensinar, nossa vida perde o sentido.

E aprendi muito com os bons e maus momentos, com os tristes e os felizes. E precisava disso, precisava aprender principalmente a ser eu mesmo e não o que as pessoas queriam que eu fosse.

Durante um tempo eu fui uma imagem de mim mesmo, muito mais a imagem do que eu cria aceitável para o mundo do que  realmente o que eu gostaria de ser, ou melhor eu era. E não era uma tarefa fácil, pensar demasiadamente antes de agir, viver constantemente julgando minhas próprias atitudes para não ter o julgamento alheio. E assim formou-se toda uma imagem complexa de frio e ao mesmo tempo um "doce de pessoa".

Esse longo período, não posso ao certo estimar início e fim precisos, me fez perder oportunidades, mas também me moldou em muitos pontos, me ensinou a ser centrado, me trouxe vantagens. Se mesmo na época me arrependia de certas atitudes tomadas, ou de não ter tomado certas atitudes, hoje encaro isso como se fosse um casulo, meu "infinito particular", onde não era meu esconderijo e sim meu lugar interno de preparação para o restante de minha vida. Gosto de pensar assim, afinal mudar o passado não podemos, então temos que usá-lo para fazer um futuro melhor.

Hoje, me vejo mais como uma pessoa observadora, aparentemente tímida em um primeiro contato, mas que observa e tenta descobrir até onde pode ir. Quem me conhece hoje, pode dizer que tenho minha opinião forte, porém sou flexível a argumentos convincentes. Pode ser que algumas pessoas que me conheceram no passado achem que "o doce azedou um pouco", mas com certeza ou não me conheceram bem antes, ou não me conhecem agora.

Sou assim, já li sobre muitas religiões e quanto mais contato tive com outras crenças, mais cristão católico apostólico romano tradicionalista me tornei, por admirar não sua história como um todo mas as raízes da Igreja em si. Sou vascaíno estando ele na primeira, segunda ou terceira divisão. Isso não me importa, aprendi a sê-lo, por sua história esportiva, social, cultural. Já passei da idade de mudar, sempre digo que depois dos 10 anos a pessoa não muda mais. Muda de roupa, cidade, família, mas de time não muda mais. Se mudou, nunca foi torcedor de nada na verdade, ou não tem caráter suficiente.

Sou assim, e quem acompanha o que aqui escrevo aos poucos vai conhecendo um pouco mais de mim: alguém que erra, acerta, aprende. Não sou perfeito, mas não desisto de tentar, de seguir adiante. Errante.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Amadas palavras

Poderia ter escrito esse texto ontem. Poderia, tê-lo escrito uma semana, um mês, um ou mais anos antes. Por quê? Porque tem coisas que não mudam, não se alteram, por mais que o tempo passe, por mais bons e maus momentos que tenhamos, por mais que a vida nos faça aprender, certas coisas não se perdem, por isso escrever hoje pode ser uma casualidade, um adiamento, uma repetição ou apenas uma necessidade.

Necessidade de expressar, de contar, de dizer ao mundo e a quem se interessar que o mundo segue adiante, nós aprendemos com erros e acertos, evoluímos, mas o sentimento não para, não se extingue, por mais que  palavras "revelem" o oposto. E quantas palavras, entre as ditas e escritas, entre as do passado e do presente, tantas e tão diversas que dariam um dicionário completo com um único tema.

Lembro dos dias que tudo que eu esperava era o momento em que as palavras viravam sonhos que eu nunca tivera, nunca imaginara ter. Nesse momento, meu mundo era outro, um mundo de alegria, felicidade e esperança. Claro que algumas palavras eram tristes, assim como a ausência delas também me entristecia, e nessas horas, parecia que o céu desabaria, que eu não seguiria adiante. Mas nada se compara a alegria de cada esperada palavra, que me levava para longe de onde eu estava.

O tempo foi passando, muitas coisas acontecendo, e senti que me distanciava das palavras. Já não mais as ouvia, nem mais escrevia, mas meu sentimento por elas não mudara. Tentei por um tempo negar a mim mesmo que ainda precisava delas, talvez por medo ou insegurança de não mais saber lidar com elas, nem com a inspiração que elas me passavam. Triste ilusão, negá-las.

Se o mundo seguira adiante, elas ainda tinham um lugar muito especial em minha vida, e meu coração. Mesmo que uma forma diferente, mesmo que hoje com menos sonhos e mais realidades, as palavras, doces e inspiradoras ainda me fazem muito feliz, e sinto que preciso delas para continuar evoluindo, para continuar vivendo. Se a frequência de minha "relação" com elas diminuiu ou mudou, o que sinto não. E serei eternamente grato por cada sorriso e cada lágrima que me fizeram derramar, quando vieram e me permitiram tomar parte delas. De cada palavra, de cada sonho, de cada realidade, de cada oportunidade que me dão de eu ser cada vez mais eu mesmo.

Se outrora amara, hoje ainda amo cada palavra.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Perdido

Perdido em pensamentos, em palavras que entram por meus ouvidos, e ecoam em minha mente. Em alguns segundos, as palavras cessam da mesma forma que surgiram, e o silêncio enche de vazio meu ser.

Olho para o lado, para todos os lados, e para dentro de mim, vejo crescer uma sensação que não sei explicar, como se um ser estranho tomasse conta de meus pensamentos, vontades, atos. Sei que não sou eu, sei que não deixo de sê-lo. Não. Não mais.

Envolto na confusão de palavras, silêncios, pensamentos e ausência deles, perco-me num tempo que já não existe.Passado, presente, futuro tornam-se uma coisa só, e  já não se diferenciam, tudo é passado, tudo é presente, e por isso, não vejo o futuro. Péssimo, triste e real.

Não era para ser, mas é. Não por culpa minha, não por culpa de outrem. Não por culpa do tempo, não por culpa de alguém, de algo. Não existem culpados. Não existem inocentes. Eu estou aqui, como estive ontem, e antes disso. Como estarei amanhã e depois também. Por quanto tempo? Pelo tempo necessário. Não vejo, não sinto, não enxergo como ser diferente.

Continuarei, seja no silêncio ou turbilhão de palavras. Mesmo que nada adiante, continuarei na certeza de estar fazendo minha parte.

Essa é uma ilustração de uma típica confusão mental, que todos já tivemos em algum momento. Vê-se a princípio que não se sabe o motivo de tal confusão e no fim o eu-lírico começa a demostrar estar chegando a um motivo, mesmo que não tenha certeza de que aquilo é o principal responsável. E pode realmente não ser, mas é alguma coisa que veio a tona naquele momento. Tão importante quanto ir descobrindo os "motivos", é o sentimento de não se abater, de enfrentar o motivo, de não desistir diante daquilo que perturba, daquela dificuldade que não vê solução.

É importante continuar, mesmo diante de qualquer dificuldade, se há a certeza de estar certo. Se não existe essa certeza, deve-se procurar outro caminho, aquele que crê ser o melhor. Se apegar a ele e seguir em frente, e nunca duvidar de sua capacidade. Se a dúvida começar a surgir, é hora de rever suas metas, suas decisões. Não há vergonha em corrigir o rumo da vida. O importante é não desistir.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Páscoa

Páscoa é uma data especial. Mesmo não sendo igualmente celebrada, tem uma importância histórica e religiosa maior que Natal e outras festas, afinal nascer todos nascemos, mas ressuscitar somente Deus.
 
Para os judeus, a lembrança a aliança com Deus, que o libertou da escravidão no Egito e que ao longo das eras os acompanhou em suas conquistas, sempre que mantiveram a fé nEle. Para os cristãos, celebra-se a ressurreição do próprio Deus feito homem, Jesus Cristo.
 
Estamos às vésperas do chamado Tríduo Pascal: sexta-feira da Paixão e morte de Cristo, sábado da ‘espera junto ao túmulo’, e o domingo de Páscoa. Gostaria de fazer um convite especial a cada um, inclusive a quem não tem religião, ou segue uma linha religiosa diferente: Esteja onde estiverem, viajando, aproveitando o longo feriado da maneira que for, reservem alguns minutos, para pensar a respeito do significado da Páscoa, de tudo que essa importante data nos traz.
 
Cristo (Salvador, Deus, ou profeta, não importa no que crês) pregou a possibilidade de uma vida melhor para o povo. Não guerreou, não cometeu nenhum crime, apenas quis o melhor não apenas para quem o seguia, mas para todos sem exceção. Fazer o povo acreditar em sua própria capacidade, fez os poderosos da época temerem, e por isso o mataram com a pior morte da época: a morte em cruz. Ele sabia que isso aconteceria, mas não desistiu do que era certo, daquilo que era sua missão, e similar aos sacrifícios que povo na antiguidade fazia, entregou-se para perdão dos pecados da humanidade.
 
Quantas vezes hoje em dia isso acontece? Pessoas que não temem defender o que é o certo, não temem querer o bem das pessoas, mesmo que sem recompensa alguma, ou pior sendo ridicularizadas, e até mesmo mortas por querer o bem aos demais? Mesmo assim não desistem. Por quê? Por que existe a “ressurreição”, aquele bem ‘plantado’ dará frutos, mesmo que demore mais do que 3 dias.
 
Permita “morrer” tudo aquilo que te faz mal a você e às pessoas a seu redor. Permita-se ressurgir para uma vida melhor onde cada pessoa a seu redor é importante. Não é fácil, mas é preciso. Se cada um fizer sua parte, teremos um mundo bem melhor para todos. Mesmo que essa “semente” demore para dar frutos, valerá a pena. Faça as pazes com quem estás brigado, agradeça e peça perdão. Leve uma vida mais leve para teu espírito. Com certeza, sua vida será bem melhor.
 
Uma Feliz Páscoa, de muita paz. E uma vida muito mais feliz a partir de agora e para todo sempre.
 
 
 
 
 
 
 
“Tenho andado a teu lado, junto a ti permanecido, Eu te levo em meus braços, pois sou teu melhor amigo.
  Ninguém te ama como Eu. Olhe para cruz, foi por ti, porque te amo”
                                                                                                                                           Jesus Cristo