Hoje não apresentarei uma definição quaresmal e sim um texto para reflexão para esse tempo. o Nome do texto é "Eu e o Tempo" do Padre Fábio de Melo, scj
Eu na trilha incerta dos meus passos
Mergulhado no destino imenso dos meus sonhos
Vou percorrendo as estradas do mundo
Deitando a toalha branca sobre os altares da humanidade
E retirando do horizonte profano da vida
A matéria-prima que será sacralizada
Ele , o tempo, e seus movimentos de suas cirandas
Vida que se reveste de cores e estações litúrgicas
Que nos convida a celebrar
O específico de cada motivo
Tempo de preparo, de colheita, vida comum
Sopro do espírito, tempo de ressuscitar
Eu, sacerdote das divinas causas
Ele, sacerdote das humanas razões
Quando com Ele não posso, faço acordo
Sorrio com os motivos de suas alegrias
E poetizo as tristezas, que de suas mãos se desprendem
Mas quando com Ele posso
Ah, quando com Ele posso, eu dele me esqueço
E vivo
Esse texto me chamou atenção pela abrangência dele em meio aos tempos litúrgicos (cada qual com sua cor e suas celebrações), em relação a vida dele (padre) e de todos nós.
Em meio os passos incertos pelo mundo, caminhamos cumprindo nosso papel, agindo conforme nossas vocações e aptidões, buscando o sagrado em meio a um mundo profanando, e muitas vezes profanando o que sempre foi sagrado. Assim, nós seres humanos agimos, e Deus segue o seu próprio tempo, diferente do nosso. Como poderia ser igual, Deus é eterno, não teve um começo e não terá o fim. Nós tivemos uma origem, um nascimento, e, pelo menos fisicamente, teremos um fim.
Celebramos a vida, seguimos o tempo, celebramos também a morte. Nós fazemos nosso papel. Nós temos que fazer, é importante que não esqueçamos nossa parte, porque Deus sempre faz a Dele.
Quando com Deus não "podemos", quando com Ele não conseguimos estar em sintonia e nos sentimos frágeis, com problemas, fazemos "acordos", promessas, oramos, buscamos Nele nosso conforto e fortaleza. Mas quando tudo vai bem, quando com Ele podemos... Até Dele esquecemos e vivemos, pois os pedidos, as súplicas se tornam cada vez menores. E só nos basta agradecer. Sempre.
Não esqueçamos de agradecer a dádiva de nossa vida, tudo de bom que nos acontece, e o que de ruim também, pois nos traz ensinamentos, nos faz reerguer-nos. Às vezes para que possamos mudar verdadeiramente é preciso que cheguemos até o fundo do poço, mas sem perder nossa fé, pois no fundo do poço, a água será abundante e Deus nos dará forças para subir, não para condição que estávamos, mas para uma muito melhor para nós.
Acredite. E viva.
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quarta-feira, 11 de março de 2015
quarta-feira, 4 de março de 2015
Símbolos da Quaresma: Cinzas
Continuando com o assunto Quaresma e seus significados, trago hoje um texto sobre o significado das Cinzas que são recebidas no início da Quaresma, na quarta-feira de cinzas.
O uso litúrgico das cinzas tem sua origem no Antigo Testamento. As cinzas simbolizam dor, morte e penitência. Por exemplo, no livro de Ester, Mardoqueu se veste de saco e se cobre de cinzas quando soube do decreto do Rei Asuer I (Xerxes, 485-464 antes de Cristo) da Pérsia que condenou à morte todos os judeus de seu império. (Est 4,1). Jó (cuja história foi escrita entre os anos VII e V antes de Cristo) mostrou seu arrependimento vestindo-se de saco e cobrindo-se de cinzas (Jó 42,6). Daniel (cerca de 550 antes de Cristo) ao profetizar a captura de Jerusalém pela Babilônia, escreveu: "Volvi-me para o Senhor Deus a fim de dirigir-lhe uma oração de súplica, jejuando e me impondo o cilício e a cinza" (Dn 9,3). No século V antes de Cristo, logo depois da pregação de Jonas, o povo de Nínive proclamou um jejum a todos e se vestiram de saco, inclusive o Rei, que além de tudo levantou-se de seu trono e sentou sobre cinzas (Jn 3,5-6). Estes exemplos retirados do Antigo Testamento demonstram a prática estabelecida de utilizar-se cinzas como símbolo (algo que todos compreendiam) de arrependimento.
O próprio Jesus fez referência ao uso das cinzas. A respeito daqueles povos que recusavam-se a se arrepender de seus pecados, apesar de terem visto os milagres e escutado a Boa Nova, Nosso Senhor proferiu: "Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e as cinzas. (Mt 11,21) A Igreja, desde os primeiros tempos, continuou a prática do uso das cinzas com o mesmo simbolismo. Em seu livro "De Poenitentia" , Tertuliano (160-220 DC), prescreveu que um penitente deveria "viver sem alegria vestido com um tecido de saco rude e coberto de cinzas". O famoso historiador dos primeiros anos da igreja, Eusébio (260-340 DC), relata em seu livro A História da Igreja, como um apóstata de nome Natalis se apresentou vestido de saco e coberto de cinzas diante do Papa Ceferino, para suplicar-lhe perdão. Sabe-se que num determinado momento existiu uma prática que consistia no sacerdote impor as cinzas em todos aqueles que deviam fazer penitência pública. As cinzas eram colocadas quando o penitente saía do Confessionário.
Já no período medieval, por volta do século VIII, aquelas pessoas que estavam para morrer eram deitadas no chão sobre um tecido de saco coberto de cinzas. O sacerdote benzia o moribundo com água benta dizendo-lhe: "Recorda-te que és pó e em pó te converterás". Depois de aspergir o moribundo com a água benta, o sacerdote perguntava: "Estás de acordo com o tecido de saco e as cinzas como testemunho de tua penitência diante do Senhor no dia do Juízo?" O moribundo então respondia: "Sim, estou de acordo". Se podem apreciar em todos esses exemplos que o simbolismo do tecido de saco e das cinzas serviam para representar os sentimentos de aflição e arrependimento, bem como a intenção de se fazer penitência pelos pecados cometidos contra o Senhor e a Sua igreja. Com o passar dos tempos o uso das cinzas foi adotado como sinal do início do tempo da Quaresma; o período de preparação de quarenta dias (excluindo-se os domingos) antes da Páscoa da Ressurreição. O ritual para a Quarta-feira de Cinzas já era parte do Sacramental Gregoriano. As primeiras edições deste sacramental datam do século VII. Na nossa liturgia atual da Quarta-feira de Cinzas, utilizamos cinzas feitas com os ramos de palmas distribuídos no ano anterior no Domingo de Ramos. O sacerdote abençoa as cinzas e as impõe na fronte de cada fiel traçando com essas o Sinal da Cruz. Logo em seguida diz : "Recorda-te que és pó e em pó te converterás" ou então "Arrepende-te e crede no Evangelho".
Aceitando que nos imponham as cinzas, expressamos duas realidades fundamentais:
Somos criaturas mortais; tomar consciência de nossa fragilidade, de inevitável fim de nossa existência terrestre, nos ajuda a avaliar melhor os rumos que compete dar à nossa vida: "você é pó, e ao pó voltará" (Gn 3, 19).
Somos chamados, chamados a nos converter ao Evangelho de Jesus e sua proposta do Reino, mudando nossa maneira de ver, pensar, agir.
Muitas comunidades sem padre assumiram esse rito significativo como abertura da quaresma anual, realizando-o numa celebração da Palavras.
Existem muitos embasamentos bíblicos sobre as cinzas através das seguintes passagens: (Nm 19; Hb 9,13); como sinal de transitoriedade (Gn 18,27; Jó 30,19). Como sinal de luto (2Sm 13,19; Sl 102,10; Ap 19,19). Como sinal de penitência (Dn 9,3; Mt 11,21). Caso se interesse pelo assunto, você pode fazer uma pesquisa através de todas estas passagens bíblicas, prestando a atenção ao texto e seu contexto, relacionando com a vida pessoal, comunitária, social e com o rito litúrgico da Quarta-feira de cinzas.
A primeira parte deste texto foi traduzido de um escrito do Padre Saunders que apareceu publicado no Arlington Catholic Herald, em 17 de fevereiro de 1994. O Padre Saunders é Presidente do Instituto Notre Dame para Catequese e Assistente de Pároco na Igreja Rainha dos Apóstolos em Alexandria, Virigina. (Cortesia do Website EWTN, 1998) .A segunda parte foi obtida do opúsculo SÍMBOLOS NA LITURGIA, Ione Buyst, Paulinas, 1998.
O uso litúrgico das cinzas tem sua origem no Antigo Testamento. As cinzas simbolizam dor, morte e penitência. Por exemplo, no livro de Ester, Mardoqueu se veste de saco e se cobre de cinzas quando soube do decreto do Rei Asuer I (Xerxes, 485-464 antes de Cristo) da Pérsia que condenou à morte todos os judeus de seu império. (Est 4,1). Jó (cuja história foi escrita entre os anos VII e V antes de Cristo) mostrou seu arrependimento vestindo-se de saco e cobrindo-se de cinzas (Jó 42,6). Daniel (cerca de 550 antes de Cristo) ao profetizar a captura de Jerusalém pela Babilônia, escreveu: "Volvi-me para o Senhor Deus a fim de dirigir-lhe uma oração de súplica, jejuando e me impondo o cilício e a cinza" (Dn 9,3). No século V antes de Cristo, logo depois da pregação de Jonas, o povo de Nínive proclamou um jejum a todos e se vestiram de saco, inclusive o Rei, que além de tudo levantou-se de seu trono e sentou sobre cinzas (Jn 3,5-6). Estes exemplos retirados do Antigo Testamento demonstram a prática estabelecida de utilizar-se cinzas como símbolo (algo que todos compreendiam) de arrependimento.
O próprio Jesus fez referência ao uso das cinzas. A respeito daqueles povos que recusavam-se a se arrepender de seus pecados, apesar de terem visto os milagres e escutado a Boa Nova, Nosso Senhor proferiu: "Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e as cinzas. (Mt 11,21) A Igreja, desde os primeiros tempos, continuou a prática do uso das cinzas com o mesmo simbolismo. Em seu livro "De Poenitentia" , Tertuliano (160-220 DC), prescreveu que um penitente deveria "viver sem alegria vestido com um tecido de saco rude e coberto de cinzas". O famoso historiador dos primeiros anos da igreja, Eusébio (260-340 DC), relata em seu livro A História da Igreja, como um apóstata de nome Natalis se apresentou vestido de saco e coberto de cinzas diante do Papa Ceferino, para suplicar-lhe perdão. Sabe-se que num determinado momento existiu uma prática que consistia no sacerdote impor as cinzas em todos aqueles que deviam fazer penitência pública. As cinzas eram colocadas quando o penitente saía do Confessionário.
Já no período medieval, por volta do século VIII, aquelas pessoas que estavam para morrer eram deitadas no chão sobre um tecido de saco coberto de cinzas. O sacerdote benzia o moribundo com água benta dizendo-lhe: "Recorda-te que és pó e em pó te converterás". Depois de aspergir o moribundo com a água benta, o sacerdote perguntava: "Estás de acordo com o tecido de saco e as cinzas como testemunho de tua penitência diante do Senhor no dia do Juízo?" O moribundo então respondia: "Sim, estou de acordo". Se podem apreciar em todos esses exemplos que o simbolismo do tecido de saco e das cinzas serviam para representar os sentimentos de aflição e arrependimento, bem como a intenção de se fazer penitência pelos pecados cometidos contra o Senhor e a Sua igreja. Com o passar dos tempos o uso das cinzas foi adotado como sinal do início do tempo da Quaresma; o período de preparação de quarenta dias (excluindo-se os domingos) antes da Páscoa da Ressurreição. O ritual para a Quarta-feira de Cinzas já era parte do Sacramental Gregoriano. As primeiras edições deste sacramental datam do século VII. Na nossa liturgia atual da Quarta-feira de Cinzas, utilizamos cinzas feitas com os ramos de palmas distribuídos no ano anterior no Domingo de Ramos. O sacerdote abençoa as cinzas e as impõe na fronte de cada fiel traçando com essas o Sinal da Cruz. Logo em seguida diz : "Recorda-te que és pó e em pó te converterás" ou então "Arrepende-te e crede no Evangelho".
Aceitando que nos imponham as cinzas, expressamos duas realidades fundamentais:
Somos criaturas mortais; tomar consciência de nossa fragilidade, de inevitável fim de nossa existência terrestre, nos ajuda a avaliar melhor os rumos que compete dar à nossa vida: "você é pó, e ao pó voltará" (Gn 3, 19).
Somos chamados, chamados a nos converter ao Evangelho de Jesus e sua proposta do Reino, mudando nossa maneira de ver, pensar, agir.
Muitas comunidades sem padre assumiram esse rito significativo como abertura da quaresma anual, realizando-o numa celebração da Palavras.
Existem muitos embasamentos bíblicos sobre as cinzas através das seguintes passagens: (Nm 19; Hb 9,13); como sinal de transitoriedade (Gn 18,27; Jó 30,19). Como sinal de luto (2Sm 13,19; Sl 102,10; Ap 19,19). Como sinal de penitência (Dn 9,3; Mt 11,21). Caso se interesse pelo assunto, você pode fazer uma pesquisa através de todas estas passagens bíblicas, prestando a atenção ao texto e seu contexto, relacionando com a vida pessoal, comunitária, social e com o rito litúrgico da Quarta-feira de cinzas.
A primeira parte deste texto foi traduzido de um escrito do Padre Saunders que apareceu publicado no Arlington Catholic Herald, em 17 de fevereiro de 1994. O Padre Saunders é Presidente do Instituto Notre Dame para Catequese e Assistente de Pároco na Igreja Rainha dos Apóstolos em Alexandria, Virigina. (Cortesia do Website EWTN, 1998) .A segunda parte foi obtida do opúsculo SÍMBOLOS NA LITURGIA, Ione Buyst, Paulinas, 1998.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Símbolos da Quaresma: Quarenta dias
Na quarta-feira passada iniciou-se a Quaresma, que são os quarenta dias que antecedem a semana santa, o período pascal. Neste dia os fiéis que foram à celebração de cinzas, tiveram sua fronte marcada com as cinzas, iniciando esse período de penitencia e preparação para o momento ápice da Igreja Católica: a Páscoa.
Ao longo dessas semanas vou escrever um pouco dos significados dos símbolos desse período, desde o significado desse número de dias, passando pelo significado das cinzas com as quais somos marcados, o que significa o tríduo Pascal e terminando, já na semana santa com o próprio significado da Páscoa.
Quarenta é um número meio que cabalístico para a Igreja. Quarenta foram os anos em que Moisés atravessou o deserto com o povo liberto do Egito. Quarenta dias durou o dilúvio do qual Noé livrou um casal de cada ser vivente com sua arca. Quarenta foram os dias em que Cristo passou jejuando, orando e sendo tentado no deserto. O que podemos tirar de cada episódio? O que tem-se em comum? Sim, temos algo em comum: em todos os casos, esse período foi de preparação.
Durante os quarenta anos que o povo seguiu Moisés para longe do Egito, todos passaram por grandes provações, dúvidas, brigas, e no fim os que ali estavam já tinham passado por tanta coisa que estavam preparados para recomeçar suas vidas, enfrentar os desafios.
Noé construiu uma arca sem tamanho, reuniu várias espécies de animais e por quarenta dias aguardou pelo fim do dilúvio. Confiou e por sua fé a humanidade prosseguiu.
Cristo passou quarenta dias jejuando e orando. Jesus Cristo, que é Deus feito homem, quis colocar sua condição humana no limite para se preparar para sua missão: espalhar a palavra de Deus, e por fim lavar nossos pecados, morrendo na cruz. Foi tentado a "transformar pedras em pães" para saciar sua fome, foi tentado a "tentar" a Deus atirando-se do penhasco na certeza que anjos o viriam salvar e por fim adorar o diabo em troca de reinar sobre todos os reinos do mundo. (Escreverei um pouco sobre cada tentação em uma publicação futura).
Partindo da ideia dos 40 dias de preparação, quis a igreja instituir a Quaresma como os quarenta dias de preparação para Páscoa. Por tradição é um período onde três práticas devem ser intensificadas: jejum, esmola e oração.
Jejum é privar seu corpo de algo que sente-se falta. Através dessa "mortificação" busca-se a maior valorização do ser humano, uma forma de mostrar ao próprio corpo e instintos quem realmente o comanda.Jejum não é passar fome, muito menos provocar algum mal ao próprio corpo, apenas a privação dos exageros, das vontades, dos supérfluos.
Esmola não é necessariamente dar dinheiro aos pedintes nas ruas. É doar-se, mais que do ponto de vista material, mas com atitudes, ajudando a quem precisa. Talvez a palavra mais correta a ser usada seja caridade, ajudar a quem precisa.
Oração é a essência de todo católico. Muita gente confunde um pouco o sentido de orar, pensando que orar é uma forma de Deus se aproximar de nós. Creio que Deus é onipotente, não é minha simples oração que vai mudá-lo. Ao contrário a oração nos torna mais próximos de Deus, nos faz senti-lo mais perto. Ele está ali, sempre estará ali, a oração nos faz senti-lo. Mesmo quando oramos sem vontade, mesmo naqueles dias em que vamos à missa sem aquela vontade toda, é importante que não deixemos de orar, não deixemos de ir à missa. Um pouco que seja, aquela oração de "má-vontade" muda a gente. É como uma mãe que tenta alimentar seu filho doente que nada quer comer, mesmo com muito dificuldade força que a criança coma um pouquinho que seja. Mesmo que pouco sabe que aquele pouco, engolido de má vontade, vai ajudar seu filho a ter forças para melhorar. Oração é a essência, é o alimento da alma. Deus, como bom Pai, ficará feliz se você estiver se alimentando, mesmo que pouquinho, mesmo que de pouca vontade, pois isso te dará força nas tribulações.
Pratique isso e estenda a prática além da Quaresma. Não importa qual sua crença, pratique o bem, ajude, seja autentico e autenticamente correto. Ore da forma que souber. Tenha sua fé, pois ela te sustentará quando tudo parecer sem solução.
Semana que vem, Cinzas. O que são e qual seu significado.
Caso queira sugerir algum tema, deixe seu comentário.
Ao longo dessas semanas vou escrever um pouco dos significados dos símbolos desse período, desde o significado desse número de dias, passando pelo significado das cinzas com as quais somos marcados, o que significa o tríduo Pascal e terminando, já na semana santa com o próprio significado da Páscoa.
Quarenta é um número meio que cabalístico para a Igreja. Quarenta foram os anos em que Moisés atravessou o deserto com o povo liberto do Egito. Quarenta dias durou o dilúvio do qual Noé livrou um casal de cada ser vivente com sua arca. Quarenta foram os dias em que Cristo passou jejuando, orando e sendo tentado no deserto. O que podemos tirar de cada episódio? O que tem-se em comum? Sim, temos algo em comum: em todos os casos, esse período foi de preparação.
Durante os quarenta anos que o povo seguiu Moisés para longe do Egito, todos passaram por grandes provações, dúvidas, brigas, e no fim os que ali estavam já tinham passado por tanta coisa que estavam preparados para recomeçar suas vidas, enfrentar os desafios.
Noé construiu uma arca sem tamanho, reuniu várias espécies de animais e por quarenta dias aguardou pelo fim do dilúvio. Confiou e por sua fé a humanidade prosseguiu.
Cristo passou quarenta dias jejuando e orando. Jesus Cristo, que é Deus feito homem, quis colocar sua condição humana no limite para se preparar para sua missão: espalhar a palavra de Deus, e por fim lavar nossos pecados, morrendo na cruz. Foi tentado a "transformar pedras em pães" para saciar sua fome, foi tentado a "tentar" a Deus atirando-se do penhasco na certeza que anjos o viriam salvar e por fim adorar o diabo em troca de reinar sobre todos os reinos do mundo. (Escreverei um pouco sobre cada tentação em uma publicação futura).
Partindo da ideia dos 40 dias de preparação, quis a igreja instituir a Quaresma como os quarenta dias de preparação para Páscoa. Por tradição é um período onde três práticas devem ser intensificadas: jejum, esmola e oração.
Jejum é privar seu corpo de algo que sente-se falta. Através dessa "mortificação" busca-se a maior valorização do ser humano, uma forma de mostrar ao próprio corpo e instintos quem realmente o comanda.Jejum não é passar fome, muito menos provocar algum mal ao próprio corpo, apenas a privação dos exageros, das vontades, dos supérfluos.
Esmola não é necessariamente dar dinheiro aos pedintes nas ruas. É doar-se, mais que do ponto de vista material, mas com atitudes, ajudando a quem precisa. Talvez a palavra mais correta a ser usada seja caridade, ajudar a quem precisa.
Oração é a essência de todo católico. Muita gente confunde um pouco o sentido de orar, pensando que orar é uma forma de Deus se aproximar de nós. Creio que Deus é onipotente, não é minha simples oração que vai mudá-lo. Ao contrário a oração nos torna mais próximos de Deus, nos faz senti-lo mais perto. Ele está ali, sempre estará ali, a oração nos faz senti-lo. Mesmo quando oramos sem vontade, mesmo naqueles dias em que vamos à missa sem aquela vontade toda, é importante que não deixemos de orar, não deixemos de ir à missa. Um pouco que seja, aquela oração de "má-vontade" muda a gente. É como uma mãe que tenta alimentar seu filho doente que nada quer comer, mesmo com muito dificuldade força que a criança coma um pouquinho que seja. Mesmo que pouco sabe que aquele pouco, engolido de má vontade, vai ajudar seu filho a ter forças para melhorar. Oração é a essência, é o alimento da alma. Deus, como bom Pai, ficará feliz se você estiver se alimentando, mesmo que pouquinho, mesmo que de pouca vontade, pois isso te dará força nas tribulações.
Pratique isso e estenda a prática além da Quaresma. Não importa qual sua crença, pratique o bem, ajude, seja autentico e autenticamente correto. Ore da forma que souber. Tenha sua fé, pois ela te sustentará quando tudo parecer sem solução.
Semana que vem, Cinzas. O que são e qual seu significado.
Caso queira sugerir algum tema, deixe seu comentário.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Cinzas
Quarta-feira de cinzas. Cinzas do carnaval que já queimou a energia de tantos foliões e o dinheiro de tantos outros. Cinzas com as quais são marcadas as frontes de quem vai a cerimônia de hoje, nesse início da Quaresma, os quarenta dias de preparação para festa maior da Igreja: a Páscoa.
Fico feliz de ter passado mais um carnaval. Não sou apreciador da algazarra que é feita, mas respeito quem gosta disso. Por outro lado fico triste com a depravação que se tornou o carnaval para alguns. Afinal, justificam estes, no carnaval pode, no carnaval ninguém é de ninguém nem de si próprio. E homens que andam engravatados o ano inteiro aparecem vestidos de drag queens, "soltando a franga". Homens e mulheres banalizando a própria alegria, com futilidades.
Fico feliz de ter passado mais um carnaval. Não sou apreciador da algazarra que é feita, mas respeito quem gosta disso. Por outro lado fico triste com a depravação que se tornou o carnaval para alguns. Afinal, justificam estes, no carnaval pode, no carnaval ninguém é de ninguém nem de si próprio. E homens que andam engravatados o ano inteiro aparecem vestidos de drag queens, "soltando a franga". Homens e mulheres banalizando a própria alegria, com futilidades.
No fim essa imagem resume o que vemos muitas vezes.
Desejo que você tenha aproveitado bem o carnaval, seja se divertindo (de verdade) ou descansado.
Carnaval...
Publico novamente um texto que escrevi um tempo atrás sobre o carnaval.
"A luz apaga porque já raiou o dia
e a fantasia vai voltar pro barracão
outra ilusão desaparece quarta-feira
queira ou não queira terminou o carnaval (...)"
Ah! Fim do carnaval! Quem me conhece sabe o quanto gosto da quarta-feira de cinzas. Fim do carnaval, da agitação... Início da Quaresma, e efetivamente do ano.
Pode parecer uma afirmação ranzinza, de aversão à festa, à diversão popular, mas acredite em mim, não é. O carnaval tem "duas importâncias" que admito e acredito: desopilação mental (para quem gosta) e prenuncio da Quaresma (para quem crê). Infelizmente essas duas características acabam perdendo a ligação entre si, diante da desestruturação social provocada tipo de festa que se tornou o carnaval.
Em sua origem recente, carnaval era a última festa antes de começar o segundo período mais importante da Igreja: a Quaresma, época de reflexão e preparação para Páscoa que só perde em importância para própria Páscoa. Usualmente não se comia carne durante a Quaresma, por isso fazia-se essa "festa da carne", carneval, carnaval.
Deturpado o sentido da festa, assim como a sociedade em si cada dia mais deturpada, virou uma festa de depravação, onde o culto à libido é maior que a própria vontade de se divertir verdadeiramente. Pessoas, sob a desculpa de ser carnaval, já não são donas de si mesmas, passam a ser de todos e ao mesmo tempo de ninguém. A dança, a música, tudo passou a ser apenas um complemento aos principais atores da festa: "pegação", sexo. No meio disso, ainda tem que só queira brigar...
Lembro de meus tempos de criança, tinha uma bandinha na esquina que tocava aquelas músicas antigas de carnaval. Minha alegria no carnaval era apenas ir até onde estava a bandinha, e comer pipoca doce e salgada misturada. Desde aquele tempo não era adepto de ficar no meio da muvuca, nem podia na época. Mas era algo alegre de se ver, algo civilizado onde no fim tudo que se via era confete, serpentina. Hoje, no melhor dos cenários, quando um bloco passa ficam toneladas de lixo de todos os tipos, e um cheiro insuportável de urina.
Sonho com a volta dos velhos carnavais, onde quem gosta pode se divertir sem medo, e sem ter que presenciar situações lamentáveis e odores tão lamentáveis quanto. E quem não gosta possa olhar e sorrir com alegria dos foliões de verdade.
"A luz apaga porque já raiou o dia
e a fantasia vai voltar pro barracão
outra ilusão desaparece quarta-feira
queira ou não queira terminou o carnaval (...)"
Ah! Fim do carnaval! Quem me conhece sabe o quanto gosto da quarta-feira de cinzas. Fim do carnaval, da agitação... Início da Quaresma, e efetivamente do ano.
Pode parecer uma afirmação ranzinza, de aversão à festa, à diversão popular, mas acredite em mim, não é. O carnaval tem "duas importâncias" que admito e acredito: desopilação mental (para quem gosta) e prenuncio da Quaresma (para quem crê). Infelizmente essas duas características acabam perdendo a ligação entre si, diante da desestruturação social provocada tipo de festa que se tornou o carnaval.
Em sua origem recente, carnaval era a última festa antes de começar o segundo período mais importante da Igreja: a Quaresma, época de reflexão e preparação para Páscoa que só perde em importância para própria Páscoa. Usualmente não se comia carne durante a Quaresma, por isso fazia-se essa "festa da carne", carneval, carnaval.
Deturpado o sentido da festa, assim como a sociedade em si cada dia mais deturpada, virou uma festa de depravação, onde o culto à libido é maior que a própria vontade de se divertir verdadeiramente. Pessoas, sob a desculpa de ser carnaval, já não são donas de si mesmas, passam a ser de todos e ao mesmo tempo de ninguém. A dança, a música, tudo passou a ser apenas um complemento aos principais atores da festa: "pegação", sexo. No meio disso, ainda tem que só queira brigar...
Lembro de meus tempos de criança, tinha uma bandinha na esquina que tocava aquelas músicas antigas de carnaval. Minha alegria no carnaval era apenas ir até onde estava a bandinha, e comer pipoca doce e salgada misturada. Desde aquele tempo não era adepto de ficar no meio da muvuca, nem podia na época. Mas era algo alegre de se ver, algo civilizado onde no fim tudo que se via era confete, serpentina. Hoje, no melhor dos cenários, quando um bloco passa ficam toneladas de lixo de todos os tipos, e um cheiro insuportável de urina.
Sonho com a volta dos velhos carnavais, onde quem gosta pode se divertir sem medo, e sem ter que presenciar situações lamentáveis e odores tão lamentáveis quanto. E quem não gosta possa olhar e sorrir com alegria dos foliões de verdade.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Três dias
Esse texto fala de três dias. Três dias que poderiam ser na vida de qualquer pessoa, na sua, na minha, na de alguém que você conhece. Ao ler o texto tente perceber em que época ele se encaixa em tua, em que situação. Podem ser três dias seguidos ou três aleatórios. São três dias de sua vida, três dias de nossas vidas.
Primeiro dia
Aparentemente era um dia como outro qualquer que tenha vivido e ao mesmo tempo mais um dessa nova fase. Uma fase que não sabia ao certo se deveria passar, se era certo ou errado, mas era uma tentativa de mudança, se boa a seguiria se ruim aprenderia algo. Mas hoje não pensava nisso, apenas caminhara até ali para esperar. Sim, mais uma vez esperar, como tanto esperara em outras épocas, outras fases, uma espera nem sempre frutífera, nem sempre correspondida, mas uma espera.
Os elementos eram outros, e ali repetira uma espera que já dera certo, em outra ocasião, com outro objetivo. E como tudo, a espera chega ao fim, não por cansaço ou desistência mas por chegada. Não era como pensava, não é como esperava e ali começa um misto de decepção e surpresa que perduraria por um bom tempo em alternância de intensidades; ora a decepção era maior, ora era a surpresa, até o dia em que uma deveria prevalecer, terminando com a outra.
Naquele dia a surpresa ofuscou a decepção o suficiente para permitir que outros dias existissem. Não havia culpados ou inocentes nesse efeito ludibriante, o próprio fato do sangue correr nas veias já era suficiente para justificar a situação. E assim o dia decorreu até o seu fim, na certeza que novos dias viriam a partir daqueles. Bons ou ruins o tempo diria. E as atitudes também.
Segundo dia
Como gado que sai para o matadouro, sair sabendo onde vai, sabendo o que pode acontecer. E quer que aconteça? Não e sim. O pensamento não importa, tampouco o raciocínio, pois se estes contassem deveras nada aconteceria. Racionalmente o nada seria o certo. Sem pensar o tudo está à sua espera. Não provoca, deixa que aconteça, que a sociedade o corrompa, que o senso-comum faça de si podridão.
Sente-se mal? Sem pensar em nada nem sente se é bom ou ruim, apenas age e deixa-se agir, como uma máquina programada para uma tarefa, como um bitolado em uma linha de produção. Age por agir, segue o que deve seguir, sem pensar, sem questionar.
Nesse dia a decepção paira não sobre o que há a sua volta, ainda não é tempo disso. Decepciona-se consigo mesmo, mas esquece de si durante um bom tempo. Tempos obscuros de aprendizado. Tempos em que esquece a face de seu pai, tempos em que esquece quem é.
Terceiro dia
Dias se passam, horas se passam, talvez meses ou anos. Ou talvez essa seja a sensação quando se esquece quem realmente é, se age contra seus princípios, se age contra seu caráter. Stephen King diria: quando esquece-se a face de seu pai.
Mas quando o caráter é forte, em algum momento ele prevalece, toma a frente. Satura-se de fugir de si e quer-se ter o controle que predera. E toda aquela surpresa que um dia existiu, desgasta-se sendo totalmente sufocada pela decepção, que agora exala de seus poros e é visível a seu redor. E tudo fica por um fio muito fino que ao menor peso será rompido.
Um grande peso chega e não há mais como segurar, nem que se queira, nem se quisesse realmente. Não existe transição, o momento é de realmente largar tudo e voltar a si, seu caminho, seu verdadeiro rumo. O que deveria aprender aprendeu, hora de seguir em frente. E nunca mais esquecer que é, nunca mais esquecer a face de seu pai.
Primeiro dia
Aparentemente era um dia como outro qualquer que tenha vivido e ao mesmo tempo mais um dessa nova fase. Uma fase que não sabia ao certo se deveria passar, se era certo ou errado, mas era uma tentativa de mudança, se boa a seguiria se ruim aprenderia algo. Mas hoje não pensava nisso, apenas caminhara até ali para esperar. Sim, mais uma vez esperar, como tanto esperara em outras épocas, outras fases, uma espera nem sempre frutífera, nem sempre correspondida, mas uma espera.
Os elementos eram outros, e ali repetira uma espera que já dera certo, em outra ocasião, com outro objetivo. E como tudo, a espera chega ao fim, não por cansaço ou desistência mas por chegada. Não era como pensava, não é como esperava e ali começa um misto de decepção e surpresa que perduraria por um bom tempo em alternância de intensidades; ora a decepção era maior, ora era a surpresa, até o dia em que uma deveria prevalecer, terminando com a outra.
Naquele dia a surpresa ofuscou a decepção o suficiente para permitir que outros dias existissem. Não havia culpados ou inocentes nesse efeito ludibriante, o próprio fato do sangue correr nas veias já era suficiente para justificar a situação. E assim o dia decorreu até o seu fim, na certeza que novos dias viriam a partir daqueles. Bons ou ruins o tempo diria. E as atitudes também.
Segundo dia
Como gado que sai para o matadouro, sair sabendo onde vai, sabendo o que pode acontecer. E quer que aconteça? Não e sim. O pensamento não importa, tampouco o raciocínio, pois se estes contassem deveras nada aconteceria. Racionalmente o nada seria o certo. Sem pensar o tudo está à sua espera. Não provoca, deixa que aconteça, que a sociedade o corrompa, que o senso-comum faça de si podridão.
Sente-se mal? Sem pensar em nada nem sente se é bom ou ruim, apenas age e deixa-se agir, como uma máquina programada para uma tarefa, como um bitolado em uma linha de produção. Age por agir, segue o que deve seguir, sem pensar, sem questionar.
Nesse dia a decepção paira não sobre o que há a sua volta, ainda não é tempo disso. Decepciona-se consigo mesmo, mas esquece de si durante um bom tempo. Tempos obscuros de aprendizado. Tempos em que esquece a face de seu pai, tempos em que esquece quem é.
Terceiro dia
Dias se passam, horas se passam, talvez meses ou anos. Ou talvez essa seja a sensação quando se esquece quem realmente é, se age contra seus princípios, se age contra seu caráter. Stephen King diria: quando esquece-se a face de seu pai.
Mas quando o caráter é forte, em algum momento ele prevalece, toma a frente. Satura-se de fugir de si e quer-se ter o controle que predera. E toda aquela surpresa que um dia existiu, desgasta-se sendo totalmente sufocada pela decepção, que agora exala de seus poros e é visível a seu redor. E tudo fica por um fio muito fino que ao menor peso será rompido.
Um grande peso chega e não há mais como segurar, nem que se queira, nem se quisesse realmente. Não existe transição, o momento é de realmente largar tudo e voltar a si, seu caminho, seu verdadeiro rumo. O que deveria aprender aprendeu, hora de seguir em frente. E nunca mais esquecer que é, nunca mais esquecer a face de seu pai.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Valorizar
Tenho aprendido cada dia mais a valorizar mais e mais pequenas coisas, pequenos momentos, pequenas dádivas da vida.
Dizem que só valorizamos algo quando perdemos e comigo não foi muito diferente nem continua sendo diferente. Pequenas "surpresas" desagradáveis, pequenos e consistentes problemas de saúde que venho tendo nos últimos anos tem me ensinado o valor de cada mísero grão de arroz que coloco em minha boca, tamanha a limitação, para algumas coisas periódicas, tantas outras permanentes, que venho tendo.
Ao longo desse caminho passei por algumas fases até chegar onde estou hoje. Tive um longo tempo em que não sabia o que me fazia mal, nem qual era meu mal, pulando de médico em médico sem nenhum solução. Em resumo, fui a um primeiro que talvez um dia acertasse, mas todo remédio que me passava me fazia sentir ainda pior. O segundo, otimista demais, dizia que tudo que me receitava ia me fazer melhorar. O problema era que estava tratando algo que eu (ainda) não tinha e de tanto tratar o que eu não tinha, acabou agravando o que eu já tinha e me arrumando nova enfermidade.
Passada essa época "tenebrosa", finalmente fui a um médico que não apenas começou a tratar o que eu tinha como também disse abertamente que o monte de coisa que tomei erroneamente acabou com meu estômago. Vida que segue, passei por um período de aceitação de minhas limitações, inclusive do constante controle que eu teria de ter e as possíveis crises eventuais. Nunca questionei "por que eu". Sempre digo que tudo é consequencia de nossas escolhas, e foi escolha minha me manter em um médico ou em outro pelo tempo que fiquei, assim como hoje é escolha minha comer algo que pode (ou não) me fazer mal, porque no fim mesmo mantendo uma alimentação saudável, o que não me fez mal hoje pode me dar algum desconforto em outra ocasião. É conviver.
Passar da aceitação ao hábito foi algo necessário. Valorizo cada coisa que eu como porque é o que eu posso comer. Fico privado de coisas que eu gosto muitas vezes, mas fico feliz porque um dia eu pude comer. Hoje fico apenas com vontade de dizer para pessoa: aproveite. Sem inveja, sem tristeza.
Porém também, certas vezes ando pela rua, e vejo como o real respeito pelo próximo é uma utopia, algo inalcançável. As pessoas não respeitam nem a si próprias, não respeitam sua própria saúde, como podem respeitar os outros? Gente fumando, comendo porcarias que só fazem mal a saúde, muitas vezes que já estão contaminadas, sendo vendidas sem as mínimas condições pelas calçadas. E essas pessoas seguem suas vidas como se fossem as mais saudáveis do mundo. Dessas, eu admito, tenho inveja. Sim, porque se eu pudesse ter uma vida dessas, comendo qualquer coisa sem nenhum efeito adverso, eu teria uma alimentação saudável como tenho hoje, mas com a certeza de não passar mal, afinal se o cara não passa mal poluindo seu corpo, imagina se não o fizesse.
Esse é apenas um exemplo de valorizar pequenas coisas, pequenos atos do dia a dia que não damos conta até o momento em que passam a influenciar nossa vida de forma significativa. Valorize sua vida, valorize o que você come, o ar que você respira, o sol, a chuva, as palavras que lhe são dirigidas, mesmo as mais rudes e duras. Valorize as palavras que saem de sua boca também. Valorize a si, e valorize quem está a seu redor.
A vida pode ser difícil mas nas pequenas coisas, pode valer a pena.
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