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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Um torneio, uma nação

No último domingo, 10/7/2016, foi a final da Eurocopa. E como já venho fazendo desde que a televisão pro aqui resolveu transmitir o torneio, assisti não apenas a final, mas os jogos que me foram possíveis assistir.

Virou algo como um hábito para mim, a cada quatro anos, enquanto muitos esperam as olimpíadas, eu aguardo ansioso pela Eurocopa, a meu ver muito melhor que a bienal Copa América. Em geral não tenho nenhuma torcida, além de ver sempre um bom futebol, e se tratando de Eurocopa, isso é praticamente garantido. Claro que em todas edições, minha torcida sempre foi pelos lusitanos, mas excluindo a edição realizada em Portugal (2004), nunca conseguiam ir muito longe, e pela qualidade conhecida das outras seleções, uma vitória era algo muito improvável. Até esse ano...

Lembro-me de doze anos atrás, a seleção portuguesa talvez com a melhor formação desde a década de 60. Jogadores como Luís Figo, Maniche, Ricardo Carvalho, Costinha, Deco e o ainda garoto Cristiano Ronaldo. Uma baita seleção, com um baita goleiro: Ricardo, o qual protagonizou uma cena inesquecível: nas quartas de final, decisão por pênaltis contra Inglaterra, o goleiro foi bater o último pênalti, fez o gol, e voltou para a meta para tentar defender o chute inglês. Olhou para a cara do batedor, tirou as luvas e defendeu.

A final daquele ano, Portugal jogando em casa, com um time muito melhor que o adversário, a Grécia. Aos doze minutos do segundo tempo, naquela tarde de primeiro de julho de 2004, os gregos conseguem um gol e se fecham na defesa. E os portugueses perdem a chance de ganhar a Euro em pleno Estádio da Luz, depois de ter eliminado Inglaterra e Holanda. E o jovem Ronaldo chora e é consolado pelo experiente Figo, já em fim de carreira.

Doze anos depois, Portugal chega a mais uma final de Euro, contra a França, na França. Aquele jovem que chorou a derrota agora lidera a equipe, mais fraca tecnicamente, mas aguerrida, que aos poucos conseguiu chegar até ali, com 3 empates na primeira fase, depois com gol na prorrogação nas oitavas de final, passando nos pênaltis contra a Polônia a seguir, e ganhando no tempo normal apenas do estreante Pais de Gales de Gareth Bale na semi.

De um lado, Portugal que já fora longe e acreditava que com muita sorte e um lampejo de seu craque (CR7) conseguiria algo. Do outro os donos da casa, confiantes que ganhariam.

Aos 8 minutos o craque português toma uma pancada no joelho. Por duas vezes sai de campo e retorna, ele quer jogar, quer ajudar a conquistar o título que lhe falta, o primeiro e talvez único pela seleção. Mas não aguenta e aos 20 minutos sai chorando de maca. Chance maior para os franceses que agora não precisariam se preocupar com o craque. Acreditavam que ganhariam o jogo mais fácil ainda. E tentaram... Por mais de 90 minutos tentaram sem sucesso fazer um gol. E foram para a prorrogação, já sentindo a obrigação de ganhar por jogar em casa... E durante mais 15 minutos nada de gol. Os portugueses começam a acreditar em um gol, nada têm a perder e partem para cima, apoiados por seu craque que agora do banco de reserva passa instruções como se técnico fosse, e torce como torcedor que é.

Tanto tentam que aos cinco minutos do segundo tempo da prorrogação, Éder, reserva que entrara no finalzinho do tempo normal, acerta um chute de fora da área e o goleiro francês não alcança. Festa e incredulidade... Agora só precisavam segurar mais dez minutos. Para quem aguentara a pressão francesa durante 110 minutos, aquilo seria fácil diante da desesperada equipe francesa.

Fim de jogo, e agora o jovem de 2004, que se tornara o líder daquela equipe, novamente chora, agora de alegria com o título inédito de sua seleção, o título para seu povo que há tanto esperava.

Para os franceses, restam as medalhas de prata, e a artilharia de Griezmann. Tenho certeza que ele trocaria a artilharia com seus seis gols, pelo único gol que importou na final: o único gol de Éder no torneio.

Parabéns aos portugueses natos e àqueles que, assim como eu, escolheram ser também parte desse povo lutador, agora campeão europeu de futebol. Somos campeões!



quarta-feira, 6 de julho de 2016

A ti leitor

Bom dia. Boa tarde. Boa noite.

Nunca sei ao certo quando você lê isso, a que horas lê ou mesmo porque lê. Gostaria até de saber, mas você sempre passa por aqui, lê, marca o +1 e nada mais escreve, comenta ou diz.

Mesmo sem saber quem és, ou porque estás passando por aqui fico feliz com tua visita. Você torna o hábito de escrever um pouco menos egoísta que simplesmente escrever porque quero ou por me fazer bem. Escrevo também porque alguém lê, mesmo que nunca saiba quem é.

Neste espaço, compartilho um pouco de mi, seja por opiniões, pensamentos, histórias, ou simples relatos de situações fictícias ou não. E muitas vezes escrevo por ti, para ti, e acho que no fundo você sabe disso, pois sempre retorna para ler e dar seu +1. Por isso, e por leres, quero escrever hoje, primeiro agradecendo os minutos dedicados a "essas mal traçadas linhas", depois para pedir desculpas.

Sim, desculpas. Sei que mesmo inconscientemente você espera mais de mim. Na verdade sempre esperou, mesmo que nunca tenha confessado isso. Talvez em alguns de meus escritos, eu tenha prometido um mundo de sonhos que não pude corresponder a contento com o passar do tempo. Peço que entenda, sou humano, tenho altos e baixos como qualquer um. Não sou perfeito e nem quero sê-lo de fato. Quero continuar errando e acertando, buscando sempre deixar essa "balança" positiva para o lado dos acertos, mas às vezes tropeço no meio do caminho, por ainda estar aprendendo.

Um dia esse aprendizado acabará e assim estarei pronto para próxima etapa. Aí estarei pronto para partir desse mundo em busca do desconhecido. Até lá continuaremos com esse nosso relacionamento meio às cegas onde você me conhece, sabe quem sou e eu de cá nunca sei. Mas isso não torna meu sentimento por ti menor.

Mesmo que nunca te veja, mesmo que nunca saiba quem és, sua existência é razão deste espaço existir. Agradeço o carinho e zelo por este, que não é poeta, nem mesmo um grande escritor, mas que aqui deixa uma parte de si.

Muito obrigado.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Cansado ou refém

Estou cansado. Cansado de não ter controle sobre meus próprios passos, sobre o que posso ou não fazer, o que posso ou não comer, onde posso ou não ir.

Não, não há ninguém que me impeça... Além de eu mesmo, de minhas limitações que aos poucos fui adquirindo, de forma que a cada passo levemente diverso, já devo esperar as consequências.E elas chegam mesmo quando não espero, quando não imagino que possam vir.

Estou cansado. Cansado do mundo e daqueles que acham ser de menor valia a dor alheia, de achar que tudo varia de acordo com a sensibilidade da dor para cada um. Sei o tamanho da dor, sei o tamanho do incômodo, e essa não varia de acordo com uma "sensibilidade maior" a dor que eu tenha ou não.

Estou cansado de opiniões do tipo: "isso é psicológico", "toma um calmante que ajuda", "você se aborrece muito?". Estou cansado de não compreenderem que algo que tem um fundo ou um simples gatilho emocional é tão sério quanto algo independente do psicossomático. E pode ser ainda mais sério porque não vai melhorar com um simples comprido ou tratamento de curto prazo.

Estou muito, mas muito cansado de ver o quanto eu estava errado. Já fui assim, já fui dessas pessoas que creem que o emocional nada vale para "vida física", para saúde corporal. Já acreditei ser imune a sentimentos, sensações, pensamentos e emoções. Não sou perfeito, sou um ser falho, e essa foi minha primeira grande falha: crer no que não sou. Guardei dentro de mim tantas coisas, querendo parecer o inatingível, o sensato que resolveria os problemas de forma racional, alguém capaz de resolver sua vida sem sentir, antes de pensar em emoções.

Hoje sou refém do que me tornei, após anos e décadas de contenções e poucas "explosões": alguém que alguns acham anti-social, outros contido emocionalmente, mas nada mais que um refém, não das emoções já não tão contidas (nem tão explicitas também), mas do meu próprio corpo e limitações. Refém do que como, sapiente que mesmo que nunca varia um só alimento, posso ter dias bem ruins. Variar um simples tempero pode vir a ser algo temerário e de arrependimento. Refém de tentar não me abalar nem mesmo nos dias ruins, pois isso pode ser um gatilho para disparar algo muito pior.

Refém de emoções e porções... Enquanto o mundo, ou quase todo mundo não consegue entender a real dimensão de tudo isso, a pura incerteza dos dias...

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Os Barcos

"Os Barcos" é uma letra de esperança e de um término de uma relação.


Com uma letra muito simples e interessante de se analisar, a música nos passa uma moral interessante da obsessão pelo próximo e do sofrimento causado pela perda de alguém num relacionamento amoroso.:

Você diz que tudo terminou
Você não quer mais o meu querer
Estamos medindo forças desiguais
Qualquer um pode ver
Que só terminou pra você

O término foi unilateral. Um quer, mas o outro já não quer mais. Renato diz frases interessantes como "estar medindo forças desiguais", no sentido de "estamos tentando mostrar quem é mais forte", mas ele sabe que não é, porque não se conforma com esse fim, porque como ele mesmo diz, qualquer um pode ver, que só terminou pra outra pessoa. Pra ele, esse amor ainda continua e ele sofre com esses sentimentos que ficaram.

São só palavras, texto, ensaio e cena
A cada ato enceno a diferença
Do que é amor ficou o seu retrato
A peça que interpreto,um improviso insensato
Essa saudade eu sei de cor
Sei o caminho dos barcos

Aqui, é a parte mais poética, dessa letra que é sobretudo uma grande genialidade retratada em música.
Renato compara a vida com um teatro, e sua falsidade de estar bem após esse fim de relacionamento, como um papel paralelo, uma vida alheia que um ator tem.
São palavras e textos as respostas automáticas de "estou bem" e "não sinto falta", e ensaios que fazem cenas quando ele deve dizer essas frases ou realmente fingir que está tudo bem e que não sente falta, a cada ato, ele encena a diferença, o que não é ele, o que não é do seu jeito normal - igual.

Do que é amor, ficou apenas um retrato, assim como seria dito por Adriana Calcanhoto em "Devolva-me". Renato finaliza essa parte dizendo que essa peça (vida) que ele atua (vive) é um improviso insensato e que a saudade que ele está tendo no momento, ele sabe de cor, de tanto que decorou esses momentos, de tanto que viveu essas lágrimas e vazio, pois ele sabe o caminho dos barcos, "o caminho que as coisas levam".

E há muito estou alheio e quem me entende
Recebe o resto exato e tão pequeno
É dor, se há, tentava, já não tento
E ao transformar em dor o que é vaidade
E ao ter amor, se este é só orgulho
Eu faço da mentira, liberdade
E de qualquer quintal, faço cidade
E insisto que é virtude o que é entulho
Baldio é o meu terreno e meu alarde
Eu vejo você se apaixonando outra vez
Eu fico com a saudade e você com outro alguém

Há muito ele se sente alheio de tudo, e após algumas ideias ditas ali, ele diz as seguintes frases: " eu faço da mentira, liberdade" ele se sente livre do outro, quando diz coisas falsas sobre si, complementando que "de qualquer quintal faz cidades", consegue fazer coisas grandes de coisas pequenas, talvez comparando isso aos seus problemas, à suas emoções e aos sentimentos que está vivendo em solidão, silêncio e vazio.

Renato diz ainda que insiste que é VIRTUDE o que é ENTULHO: Ele insiste em dizer que esse amor perdido seria virtude sabendo que isso é entulho. Ele insiste em crer que é bom e construtivo, algo que já foi usado e hoje é lixo. Vê a pessoa se apaixonando por outro e ele sente saudade do que sentiu, de quem achou que seria parte de si e agora é parte de outro. Enquanto ele sofre, ela está com outra pessoa, esquecendo-se dele.

E você diz que tudo terminou
Mas qualquer um pode ver
Só terminou pra você
Só terminou pra você


Tudo terminou, aos quatro ventos foi falado e todos sabem que tudo terminou, mas qualquer um pode notar, que só terminou apenas pra um dos lados. Que o outro lado está em desequilíbrio e total solidão.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Pagliacci...

Este texto é continuação da série:

Texto anterior: http://erranteescritor.blogspot.com.br/2016/06/a-carta.html


quarta-feira, 1 de junho de 2016

Duas semanas

Volto depois de duas semanas afastado para alegria (ou não) de meus 4 leitores. Eram cinco só que com duas semanas fora um desistiu de acompanhar e não deve voltar mais, mas tudo bem, se alguns se vão, outros podem ser que venham. Ou não.

Pensei em voltar continuando aquela história meio sem pé nem cabeça que estava começando a virar uma série ou história em capítulos. Mas não voltarei com ela hoje não, pode ser que na próxima semana ou de repente na outra. Tudo a seu tempo, na sua devida hora, pelo menos para isso.

Pelo menos para os textos consigo ter esse controle, mesmo que desagrade a algum leitor esporádico. Aqui os tempos são respeitados de acordo com um cronograma bem exato de não ter cronograma algum. Apenas o tempo das palavras que saem, ora como torrentes inundatórias, ora como filetes de um córrego em tempo de seca grave.

É... Difícil crer, mas as palavras têm o controle do tempo melhor do que eu. Elas saem quando precisam, quando sentem que essa é a hora. Houve tempo que as condenei por achar que saíram na hora errada e por isso foram interpretadas erroneamente. Errado estava eu quando as culpei. As palavras sempre foram mais sábias que aparentavam.

E assim as quero: livres para voarem longe, expressarem sentimentos, pensamentos e sensações que não senti, não vivi, não sei, unicamente por aprisioná-las quando queriam ser libertas. Voem como pássaros em busca de um lugar acolhedor para seu ninho. Que nunca precisem voar como anjos para a batalha final.