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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Análise: Um Dia Perfeito

Hoje trago minha análise de mais uma música do Legião Urbana: Um dia Perfeito.





Não sei dizer o que senti quando ouvi essa música pela primeira vez. Sua melodia tranquila, transmitindo uma paz serena, inicialmente me fez pensar no que passou pela cabeça de quem a compôs... Mas no fim isso é o que menos importa, não acha? Não sei o que quiseram expor, mas sei o que recebi, o que senti...

Quase morri
Há menos de trinta e duas horas atrás
Hoje a gente fica na varanda
Um dia perfeito com as crianças

"Quase morri / Há menos de trinta e duas horas atrás(...)". Esse é nosso dia a dia. Todo dia quase morremos, e nesse medo de "quase morrer", acabamos quase vivendo. Mas se ontem a vida nos castigou, hoje temos um dia mais tranquilo, mais sereno. "Não nos dão uma cruz que não possamos carregar". Passamos por dificuldades, apertos, tristezas, mas também temos nossos momentos de paz.

São as pequenas coisas que valem mais
É tão bom estarmos juntos
E tão simples: Dia perfeito

A grande mística da vida: São as pequenas coisas que valem mais. Tanta busca por querer mais, ganhar mais, tentar ser melhor nisso, naquilo, tanta ambição. Não é ruim querer o melhor, mas se nessa busca, certas vezes insana, deixamos de viver, de aproveitar o que temos, aproveitar as coisas simples que dão tanta satisfação, do que adianta? Acabamos por estar vivos para conquistar e nunca aproveitar o que conquistou, o que se tem de maior valor: estar vivo, estar ao lado de quem se gosta e que gosta de si. Algo tão simples para um dia perfeito...

Corre, corre, corre
Que vai chover!
Olha a chuva!

Esse trecho me lembra coisas simples de infância: brincar na calçada e de dentro de casa gritarem: "Vem pra dentro, que vai chover!" E que criança que não gosta de correr na chuva? Ou algo mais: Correr para tirar a roupa do varal antes que chova. Olha a chuva!

Não vou me deixar embrutecer
Eu acredito nos meus ideais
Podem até maltratar meu coração
Que meu espírito ninguém vai conseguir quebrar!

Terminando com algo para se pensar: Não se deixar embrutecer. As situações da vida que nos castigam, fazem-nos perder aquela inocência e confiança pueril. É triste que acabemos por embrutecer nosso coração, e igualmente triste isso ser quase que necessário para conseguir sobreviver no mundo atual. Mas é preciso manter um pouco de fé em dias melhores, precisamos acreditar nos nossos ideais, convicções, acreditar em nossa essência boa, mesmo que diante de situações e pessoas nem tão boas. Maltratarão nossos corações, sofreremos. Sim, podem até maltratar, mas o nosso espírito, nossa fé em Deus, nossa fé no que é certo, ninguém vai conseguir quebrar. Se cada um não se deixar influenciar pelo caminho errado, pelo mal que há no mundo, as coisas podem começar a mudar. Não é fácil resistir, remar contra a corrente do que parece mais fácil e cômodo. Porém podemos engrossar a corrente oposta, do bem e da paz. Podem maltratar nosso coração, que nosso espírito ninguém conseguirá quebrar.


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Uma manhã

Mais uma manhã começa, e o despertador é cruel. O desligo e paro alguns segundos tentando recordar o que estava sonhando. Já se esvaiu, não me lembro.

Levanto com cuidado para não acordá-la. Ela merece dormir mais um pouco. A olho com ternura e fico tentado a dar-lhe um beijo de bom dia. Mando de longe e sem som para não despertá-la.

Começo minha rotina matinal lenta: higiene, remédios, um pão (árabe ou de forma), um pouco de tv. Gosto de ver um pouco pela manhã, desde que seja algo que me faça rir um pouco e começar o dia bem. Escovo os dente, troco de roupa e desço.

Inicio a minha caminhada matinal, em geral são de dez a quinze minutos até o metrô, tempo que uso para orar, quase sempre começo um terço que só termino já no meio da viagem. Mas hoje quero fazer diferente, caminhar sem pressa, nem que leve vinte ou até trinta minutos.

Deixo a mente fluir para longe, mais longe do que qualquer pensamento. Um enorme branco inunda minha mente e uma paz o meu ser. Já não sinto meu corpo, que parece flutuar no ar. De súbito uma forte dor toma conta de meu corpo, mas da mesma maneira que veio parece se dissolver naquele mar de paz.

Abro os olhos e enxergo pessoas que não conheço falando comigo como se conhecidos fossem. Um lugar totalmente desconhecido e as pessoas insistindo em falar comigo. Olho nos olhos de uma delas e digo: Desculpe, não te conheço. Ela me olha assustada e repito: Desculpe, eu não te conheço!


Em prantos ela se vai e os demais me olham com cara assustada. "Por que do susto? Não conheço a nenhum de vocês!" - digo. E um a um vão indo embora, através de uma porta que não consigo enxergar. Bem ao longe enxergo o último deles indo e tento segui-lo. Não sei porque, mas sinto precisar sair daquele lugar, por mais tranquilo e pacífico que seja.

Ando, mas parece não haver saída, parece que caminho por horas e horas, e apesar disso não estou cansado, me sinto cada vez mais disposto.

De repente o cenário parece que está mudando, vejo o que parece ser uma porta com vidro, coloco a mão nela, mas não há como abrir. Mesmo parado sinto meu corpo se mexendo, mas permaneço ali parado com as mãos na porta. Ela se abre e atrás de mim aparece uma multidão. Dou um passo e me vejo na estação que sempre desço para ir trabalhar. As pessoas passam por mim e eu apenas as observo, sem saber como cheguei até ali.

Caminho até o trabalho, pensando no que aconteceu, sem encontrar resposta. No trabalho, sento em "minha cadeira" e olho meu celular. Um "Bom dia"  com um emoticon me mostra que nada mais importa.

Nada mesmo

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

My Way

Essa bela música que trago hoje já foi interpretada por diversos gênios da musica, dentre eles, o grande Frank Sinatra.




My Way (Claude François/Jacques Revaux/Paul Anka) é o título em inglês da canção francesa Comme d'habitude, que foi lançada pela primeira vez pelo autor, Claude François, em 1967, na França. Em 1968, Frank Sinatra lançou sua versão em língua inglesa, adaptada por Paul Anka e que virou um de seus maiores clássicos. É uma das músicas populares mais gravadas da história.

A versão em inglês manteve somente a melodia, pois o texto é completamente diferente da versão francesa original. A versão inglesa em resumo, conta a história de um único homem que tem a convicção de ter "trilhado seu caminho" conforme sua própria vontade após uma longa vida.

Essa música me faz pensar... E em poucos minutos, prestando atenção na letra, já sinto como se fossem minhas as palavras...

E agora o fim está próximo
Então eu encaro a cortina final
Meu amigo, Eu vou falar claro
Eu irei expor meu caso do qual tenho certeza

Eu vivi uma vida por inteiro
Eu viajei por cada e em todas as estradas
Oh, mais, muito mais que isso
Eu fiz do meu jeito

Arrependimentos, eu tive alguns
Mas então, tão poucos para mencionar
Eu fiz, o que eu tinha que fazer
E eu vi tudo, sem exceção

Eu planejei cada caminho do mapa
Cada passo, ao longo da estrada
Oh, mais, muito mais que isso
Eu fiz do meu jeito

Sim
Teve horas
Eu tenho certeza de que você sabe
Quando eu mordi mais que eu podia mastigar

Mas, entretanto, quando havia dúvidas
Eu engoli e cuspi fora
Eu encarei tudo isso e continuei altivo
E fiz do meu jeito

Eu amei, eu sorri e chorei
Tive minhas falhas, minha parte de derrotas
E agora como as lágrimas descem
Eu acho tudo tão divertido

De pensar que eu fiz tudo
E talvez eu diga, não de uma maneira tímida
Oh não, não eu
Eu fiz do meu jeito

E o que é um homem, senão o que ele tem
Se não ele mesmo, então ele não tem nada
Para dizer as coisas que ele sente de verdade
E não as palavras de alguem que se ajoelha

Os registros mostram
Que eu recebi as desgraças
E fiz do meu jeito

Sim, esse era meu jeito

Vivemos e um dia sentimos que estamos perto do grande fim do espetáculo da vida... Mas como foi que vivi? O que fiz? Como fiz... e por quê?

Ah sim! Vivi a vida, percorri caminhos, experimentei sensações. Arrisquei, acertei, errei, me arrependi, mas segui em frente, não me paralisei diante da tristeza dos erros, nem da euforia dos acertos. Fiz o que tinha de ser feito, mesmo quando não me era favorável ou agradável. Tentei ser mais do que podia, foi um risco, eu sei, mas senti que era preciso. Aprendi com meus erros, tive que engolir alguns, mas outros cuspi, e segui adiante.

Amei. Chorei e sorri com isso. Tive culpa nas derrotas, mas se antes chorei de culpa e tristeza, hoje, sorrio em meio as lágrimas, porque foi divertido. Foi vida vivida. Não, caro amigo, não, caro leitor. Não fiz de tudo. Talvez você ache que o que fiz foi tão pouco perto do que muitos fazem. Talvez aches que tanta gente vive mais intensamente, tem uma vida mais divertida, mais agitada. Mas eu vivi a minha vida, do meu jeito, da minha forma de ser. Se é tímida perto de tantos aventureiros, não tem importância. Vivi do meu jeito, da minha forma de ser, que nõ precisa ser igual a de ninguém.

"(...)E o que é um homem, senão o que ele tem / Se não ele mesmo, então ele não tem nada (...)". Tentar ser quem não é para parecer ser mais divertido, para parecer ser melhor para os outros... Se não se está de bem consigo mesmo, nada, nem a vida, tem validade. Se não é sincero consigo mesmo, passa-se a ser um arremedo de si mesmo, um escravo das palavras e vontade dos outros.

Tive tristezas e alegrias. Emoções do meu jeito, Eu fiz do meu jeito. "I did my way", Fiz o meu caminho.

Embalado na emoção dessa música, deixo mais um vídeo para vocês: Pavarotti, Carreras e Placido Domingo, em 1994, cantando My Way, e emocionando o próprio Frank Sinatra que estava na platéia assistindo.



quarta-feira, 27 de julho de 2016

Cinzas no campo de batalha

Manhã chuvosa. O ar úmido entrava pelas narinas e de certa forma eu já sentia que algo acontecia, mas não quis me preocupar com algo desconhecido. Em algumas horas o sol saiu dentre as nuvens e tudo parecia melhorar pouco a pouco, sob minha ignorância absoluta do que acontecia em outro extremo da cidade. Ou de outra cidade, outro país, eu já nem sabia ao certo onde. O fato é que a notícia caiu sobre mim como uma bomba, trazida por alguém que nunca fizera parte de meus dias, mas que viera como portador intrometido de tão más notícias.

Ainda assustado com a forma ríspida que uma série de palavras desnecessárias e sem fundamento, me foram ditas por esse portador intrometido, em minha mente enxerguei toda a cena: Em alguma parte do universo jazia o anjo. 

Suas asas, que tantas vezes o levaram para longe e possibilitaram seu retorno, desintegraram como se o calor do próprio universo o queimasse. Suas cascas, tantas usadas ao longo de décadas, manifestando-se em lugares e ocasiões diferentes, esfacelaram como se de areia fossem. Desapareceu e nem mais sua aura se sente.

Não foi morto. Quis morrer, quis partir para não mais voltar. Eu, que o vira em tantas frentes, em tantas batalhas longevas, agora olho e vejo escudo e espada ao chão. Seu elmo está vazio, perdeu todo o fulgor de outrora, seu brilho que me inspirava a seguir. Seguir... Não é fácil, não depois da enorme pancada que recebi, mesmo antes de sua morte. 

Sinto uma forte dor no lado, e quando olho vejo sua velha lança cravada junto a meu peito. Em meio a cena de caos não sentira quando ela transpassara meu corpo. Fui atingido com a precisão milimétrica que só meu amigo anjo tinha: preciso e profundo o suficiente para ferir sem matar. E agora morrer, não como pessoa que de fato nunca fora para mim, mas como anjo, que sempre me ajudara em todas as batalhas. Me ferindo, morreu em mim, não para mim, e sabia disso. Sucumbiu sem agonizar, sem derramar uma só gota de sangue, desfez-se como se fosse em brasa, no calor de um dia chuvoso.

"(...)O sândalo perfuma o machado que o feriu(...)¹". Da mesma forma dentro de mim, guardo a lembrança dos bons dias e aprendizados. Guardo o perdão que nunca poderei pedir, e o perdão que nunca poderei dar. Se foi o anjo, se foi o companheiro de guerras, batalhas, derrotas e conquistas, mas ao contrário da música, da qual extraí esse verso, não fiquei em mil pedaços, segui e seguirei em frente. A ferida cicatriza, a marca fica, mas eu sigo adiante. Sempre.

Seu elmo, espada e escudo ficarão no campo de batalha, como testemunho de dias gloriosos, que não mais voltarão. Outros virão, continuarei combatendo o bom combate, agora solo, porque assim deve ser. Só assim poderei valorar os dois extremos: vida, minha vida, e morte, seu fim desejado.

Que assim seja




1 Mil Pedaços - Legião Urbana

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Maturidade da perda...

Hoje, 20/7/2016, completam 18 anos da morte de meu avô materno. Não, não foi meu primeiro "contato com a morte", quatro anos antes sua esposa, minha avó, falecera, e fora um choque grande para mim, que mesmo sabendo da doença dela ainda não me dera conta da mortalidade das pessoas que eu gostava. Chorara muito quando minha avó morrera sem ter noção do que sentia, vira meu avô chorar entre pedidos de ir também. Não fora fácil.

Naquela manhã de segunda-feira, quando meu avô se fora, tudo foi um pouco diferente. Na noite anterior o médico viera vê-lo, lhe prescrevera um calmante para que ele dormisse melhor e prometera voltar em alguns dias para vê-lo. Realmente ele dormira bem melhor, o suficiente para não despertar mais. Olhos fechados, expressão indolor e serena. Apenas dormira e acordara junto a Deus.

Enquanto isso eu também dormia e fora acordado, em meu horário habitual para ir para o colégio, de uma maneira nada habitual: minha mãe me acordou dizendo que eu não iria ao colégio pois meu avô havia morrido. Nem me dei tempo para pensar, levantei e disse que iria sim ao colégio.

Postura errada? Não sei, só sei que a ficha foi caindo durante o café-da-manhã e e junto as primeiras lágrimas. Mesmo assim, fui ao colégio, ao contrário dos dias habituais não fui de ônibus, meu pai me levou de carro. Tentei levar meu dia normalmente, por mais difícil que fosse e voltei para casa. Vazia. Todos haviam ido ao enterro. Assim como acontecera quando minha avó faleceu, eu não fora. Mas dessa vez, a sensação ali fora diferente.

Quatro anos antes, eu ligara a TV e fora fazer um bolo. Por que? Porque isso me lembrava minha infância quando na casa de minha avó: eu na sala brincando e vendo TV enquanto ela fazia um bolo para o lanche. Bolo, assim como todos os domingos que íamos visitá-la, ela fazia e que eu nunca conseguira repetir tal sabor.

Dessa vez nada eu precisaria para lembrar de meu avô, pois nos últimos quatro anos ele morara com a gente, dormira em meu quarto, sentara naquele mesmo sofá que ali na sala estava. E até a noite passada ele ali estivera. Ao contrário do que eu mesmo imaginara, não chorei naquela tarde, nem mais por sua ausência física, mesmo tudo ali ainda me lembrando dele. Fiz minhas atividades de colégio e curso técnico, sem nada mais pensar. Ao entrar no quarto onde ele dormia, e dormira para sempre, parecia-me ainda sentir que ele estava ali, descansando depois de almoçar. Não consegui olhar para a cama, mas se olhasse possivelmente ainda o veria tamanha sensação de sua presença.

Não fui o melhor neto do mundo, nem tentei sê-lo, nem pensava nisso. Mas pela diferença de idade para meu primo que nascera apenas três anos antes da partida dele, sou o único que me recordo bem, e tenho em mim mais dele do que os 25% que garantem a genética. Tenho o que vi, ouvi, aprendi e vivenciei. Acertos, erros e histórias de alguém que viveu em outros tempos e lugares de forma sincera com seus princípios e convicções.

E hoje, 18 anos depois de sua partida, deixo minha lembrança e prece para que junto a Deus possa interceder por nós, entre uma prosa e outra com os amigos do céu, onde com certeza está contando suas trovas e histórias, próprias, de Bocage e dos inúmeros livros que leu em seus 91 anos de vida, bem vividos.

Nos espere, vô, junto a todos os "nossos" que aí já estão. Mas nos esperem pacientemente, sem pressa, ou alarde. Ainda temos por aqui muitas histórias para viver e podê-las contar para vocês aí no Céu.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Um torneio, uma nação

No último domingo, 10/7/2016, foi a final da Eurocopa. E como já venho fazendo desde que a televisão pro aqui resolveu transmitir o torneio, assisti não apenas a final, mas os jogos que me foram possíveis assistir.

Virou algo como um hábito para mim, a cada quatro anos, enquanto muitos esperam as olimpíadas, eu aguardo ansioso pela Eurocopa, a meu ver muito melhor que a bienal Copa América. Em geral não tenho nenhuma torcida, além de ver sempre um bom futebol, e se tratando de Eurocopa, isso é praticamente garantido. Claro que em todas edições, minha torcida sempre foi pelos lusitanos, mas excluindo a edição realizada em Portugal (2004), nunca conseguiam ir muito longe, e pela qualidade conhecida das outras seleções, uma vitória era algo muito improvável. Até esse ano...

Lembro-me de doze anos atrás, a seleção portuguesa talvez com a melhor formação desde a década de 60. Jogadores como Luís Figo, Maniche, Ricardo Carvalho, Costinha, Deco e o ainda garoto Cristiano Ronaldo. Uma baita seleção, com um baita goleiro: Ricardo, o qual protagonizou uma cena inesquecível: nas quartas de final, decisão por pênaltis contra Inglaterra, o goleiro foi bater o último pênalti, fez o gol, e voltou para a meta para tentar defender o chute inglês. Olhou para a cara do batedor, tirou as luvas e defendeu.

A final daquele ano, Portugal jogando em casa, com um time muito melhor que o adversário, a Grécia. Aos doze minutos do segundo tempo, naquela tarde de primeiro de julho de 2004, os gregos conseguem um gol e se fecham na defesa. E os portugueses perdem a chance de ganhar a Euro em pleno Estádio da Luz, depois de ter eliminado Inglaterra e Holanda. E o jovem Ronaldo chora e é consolado pelo experiente Figo, já em fim de carreira.

Doze anos depois, Portugal chega a mais uma final de Euro, contra a França, na França. Aquele jovem que chorou a derrota agora lidera a equipe, mais fraca tecnicamente, mas aguerrida, que aos poucos conseguiu chegar até ali, com 3 empates na primeira fase, depois com gol na prorrogação nas oitavas de final, passando nos pênaltis contra a Polônia a seguir, e ganhando no tempo normal apenas do estreante Pais de Gales de Gareth Bale na semi.

De um lado, Portugal que já fora longe e acreditava que com muita sorte e um lampejo de seu craque (CR7) conseguiria algo. Do outro os donos da casa, confiantes que ganhariam.

Aos 8 minutos o craque português toma uma pancada no joelho. Por duas vezes sai de campo e retorna, ele quer jogar, quer ajudar a conquistar o título que lhe falta, o primeiro e talvez único pela seleção. Mas não aguenta e aos 20 minutos sai chorando de maca. Chance maior para os franceses que agora não precisariam se preocupar com o craque. Acreditavam que ganhariam o jogo mais fácil ainda. E tentaram... Por mais de 90 minutos tentaram sem sucesso fazer um gol. E foram para a prorrogação, já sentindo a obrigação de ganhar por jogar em casa... E durante mais 15 minutos nada de gol. Os portugueses começam a acreditar em um gol, nada têm a perder e partem para cima, apoiados por seu craque que agora do banco de reserva passa instruções como se técnico fosse, e torce como torcedor que é.

Tanto tentam que aos cinco minutos do segundo tempo da prorrogação, Éder, reserva que entrara no finalzinho do tempo normal, acerta um chute de fora da área e o goleiro francês não alcança. Festa e incredulidade... Agora só precisavam segurar mais dez minutos. Para quem aguentara a pressão francesa durante 110 minutos, aquilo seria fácil diante da desesperada equipe francesa.

Fim de jogo, e agora o jovem de 2004, que se tornara o líder daquela equipe, novamente chora, agora de alegria com o título inédito de sua seleção, o título para seu povo que há tanto esperava.

Para os franceses, restam as medalhas de prata, e a artilharia de Griezmann. Tenho certeza que ele trocaria a artilharia com seus seis gols, pelo único gol que importou na final: o único gol de Éder no torneio.

Parabéns aos portugueses natos e àqueles que, assim como eu, escolheram ser também parte desse povo lutador, agora campeão europeu de futebol. Somos campeões!



quarta-feira, 6 de julho de 2016

A ti leitor

Bom dia. Boa tarde. Boa noite.

Nunca sei ao certo quando você lê isso, a que horas lê ou mesmo porque lê. Gostaria até de saber, mas você sempre passa por aqui, lê, marca o +1 e nada mais escreve, comenta ou diz.

Mesmo sem saber quem és, ou porque estás passando por aqui fico feliz com tua visita. Você torna o hábito de escrever um pouco menos egoísta que simplesmente escrever porque quero ou por me fazer bem. Escrevo também porque alguém lê, mesmo que nunca saiba quem é.

Neste espaço, compartilho um pouco de mi, seja por opiniões, pensamentos, histórias, ou simples relatos de situações fictícias ou não. E muitas vezes escrevo por ti, para ti, e acho que no fundo você sabe disso, pois sempre retorna para ler e dar seu +1. Por isso, e por leres, quero escrever hoje, primeiro agradecendo os minutos dedicados a "essas mal traçadas linhas", depois para pedir desculpas.

Sim, desculpas. Sei que mesmo inconscientemente você espera mais de mim. Na verdade sempre esperou, mesmo que nunca tenha confessado isso. Talvez em alguns de meus escritos, eu tenha prometido um mundo de sonhos que não pude corresponder a contento com o passar do tempo. Peço que entenda, sou humano, tenho altos e baixos como qualquer um. Não sou perfeito e nem quero sê-lo de fato. Quero continuar errando e acertando, buscando sempre deixar essa "balança" positiva para o lado dos acertos, mas às vezes tropeço no meio do caminho, por ainda estar aprendendo.

Um dia esse aprendizado acabará e assim estarei pronto para próxima etapa. Aí estarei pronto para partir desse mundo em busca do desconhecido. Até lá continuaremos com esse nosso relacionamento meio às cegas onde você me conhece, sabe quem sou e eu de cá nunca sei. Mas isso não torna meu sentimento por ti menor.

Mesmo que nunca te veja, mesmo que nunca saiba quem és, sua existência é razão deste espaço existir. Agradeço o carinho e zelo por este, que não é poeta, nem mesmo um grande escritor, mas que aqui deixa uma parte de si.

Muito obrigado.