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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Crônicas de Mago - Capítulo 7

Olhando o deserto a minha frente, começo a escrever. Não sei ao certo quantas linhas, palavras ou sequer o direcionamento que isto terá.

"Cai a noite e mais uma vez os pensamentos voam sem destino. Não me importa com sua direção, apenas quero um pouco de paz em meu coração, nada mais.

O cansaço do meu corpo não é nada perto de como me sinto cansado mentalmente. Estou olhando para o local onde este texto será enterrado, olho para a fogueira que aquece um pouco esse inicio de noite e perco-me nos pensamentos.

Meus passos não foram precisos até então, mas foram os passos que me trouxeram até aqui. Qualquer passo que tivesse dado diferente poderia me levar a algum lugar que de fato eu não gostaria. E sou feliz sabendo onde cheguei.

Nesse texto gostaria apenas de deixar uma mensagem a quem encontrá-lo, tendo me conhecido ou não antes. Gostaria de deixar meu "Obrigado".

Agradeço a Deus pelas oportunidades que me permitiu viver, momentos alegres que me incentivaram a prosseguir, momentos tristes que me trouxeram grandes ensinamentos. Agradeço a vida.

Agradeço as pessoas que cruzaram meu caminho: as que ficaram e as que simplesmente passaram. Mesmo que eu não tenha entendido no tempo de partida, foi no momento preciso, e se for necessário nossos caminhos voltarão a convergir. Se não, leve minha gratidão, fique com o resultado dos momentos vividos e não com as lembranças. Me esqueça. Sim, esqueça. Não viva de saudosismos pelo tempo que passou. Viva o momento hoje, planeje o futuro se quiser, e deixe o passado apenas como uma marca, que te guia para os acertos e te desvia de repetir erros.

Viva. Sempre. Mas viva da sua forma, nunca querendo fazer da sua vida uma cópia da vida de outros. Tente ser mais, mas mais de você e não porque outros tentam mais, almejam isso ou aquilo. Almeje o que te faz feliz, mesmo que te digam que é pouco, mesmo que te digam que você pode mais do que está fazendo. Não adianta ser o que outros querem e ser infeliz.

Se está na dúvida, pare. Pare, pense e siga por onde realmente queres, por onde te faz bem. Os caminhos podem ser diversos e escolher sempre é difícil. Não tenha vergonha de voltar, de tentar, de começar de novo se não houver saída ou a saída não for bem a que querias. Faz parte da vida errar o rumo, faz parte da vida mudar o rumo.

Se está difícil, mas vês que o destino é o que esperas, o que queres, lute. Vale combater o bom combate, e chega a ser gratificante vencer após batalhas árduas.

Leia. Mas leia o que gostas, mesmo que muitos achem que deves ler outros textos, outros livros. E ganhe o hábito de escrever um pouco também, deixar fluir o que passa por tua mente. Às vezes escreverás pouco, outras vezes parecerá que não tem fim.

Não sou o dono da verdade, nem almejo sê-lo. Apenas passei por muitas coisas em um período curto, e minha mente sempre funcionou numa velocidade maior do que sou capaz de processar. Por isso deixo o que aprendi para quem se interessar, para quem puder ajudar."

Coloco uma cópia em uma garrafa e enterro. A cópia carbonada é jogada na fogueira e suas cinzas voam ao vento. Que cheguem a quem precisar. Que encontre quem precisar.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Onde está o tempo?

Onde está o tempo que eu tinha? Onde estão meus dias? Sinto que os perco sem perceber...

Houve dias em que trabalhava, estuda algo, lia, escrevia e ainda tinha tempo para descansar vendo televisão, ou usando o computador...

Hoje acordo mais cedo, durmo mais tarde e já  não me resta tempo para quase nada. Pouco leio, pouco escrevo, pouco estudo, pouco vivo. Já não tenho energia ou disposição para quase nada.

Nem mesmo para terminar este texto...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Crônicas de Mago - Capítulo 6

Caminho como faço há muito tempo. Já não tenho mais a força de outrora, mas mantenho meus passo, mesmo que nem tão firmes, sem desistir.

Olho e ao longe vejo uma figura conhecida: Anjo. Vejo sem ser visto, e quem o acompanha também conheço, ambos personagens de velhas histórias contraditórias. Fazem parte de passos já dados, lições já aprendidas, e histórias já recontadas ou simplesmente esquecidas. Mas me traz uma certeza já antiga, de que nunca de fato tivera um escudeiro presente.

Houve tempo em um povoado chamado tukrO que se dizia que Anjo acompanhava um certo guerreiro, já há tempos. Questionara-o a respeito, que negou veementemente, com ressalvas de indignação com tal informação.

Hoje olho e sorrio. Talvez já o acompanhe desde a época que me prometera presença nos campos de batalha, mas cumpriu sua missão mesmo que em campos ilusórios. Fora um grande aprendizado sem dúvida, mesmo por vezes tendo meu escudo desamparado, caído ao chão me expondo ao perigo. Sobrevivi, isso foi o importante.

Olho novamente e não mais os vejo. Sento em uma pedra, e olho a vastidão a minha frente, um deserto conhecido, no qual me sinto seguro. Resolvo escrever algumas linhas com um velho carbono. Uma via será queimada, para que o vento decida aonde levar. A outra será enterrada nas areias, a espera que alguém a encontre. Não sei ao certo quantas serão escritas, talvez três, talvez trezentas. Talvez sejam todas de uma vez, ou uma a cada século... O importante é colocar no papel as palavras, e deixar que se decidam que rumo tomar.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Conto de Amor





"Quando servi o Exército eu me tornei especialista em bombas. Sei fabricar qualquer tipo de bomba portátil, muito usada por terroristas. A bomba que eu estava fazendo tinha que ter efeito fulminante, para que a vítima nada sofresse. E antes da explosão, era necessário que fosse emitido um feixe de luz radiante que fizesse a vítima perceber a iminência da explosão.

A pessoa que eu queria matar era o meu filho João.

Minha mulher Jane estava grávida quando fui enviado ao exterior com um contingente do Exército a serviço das Nações Unidas. Fiquei ausente cerca de dois anos. Escrevia constantemente para Jane e ela respondia. Quando o meu filho nasceu e recebeu o nome de João, as cartas de Jane ficaram bem estranhas. Ela dizia que precisava falar comigo uma coisa muito séria, mas não sabia como. Eu respondia impaciente para ela dizer de qualquer maneira, mas ela persistia na falta de clareza, que cada vez piorava mais. Afinal, Jane deixou de responder minhas cartas.

Quando voltei da missão da ONU, corri para casa assim que desembarquei no aeroporto.

Jane abriu a porta para mim. Seu aspecto me surpreendeu. Estava envelhecida, pálida, parecia doente.

“Onde está o João?”, perguntei. Jane começou a chorar convulsivamente, apontando a porta do quarto onde ele estava.

Entrei no quarto, seguido de Jane.

João estava deitado no berço, um menino lindo, que ao me ver deu um sorriso. Peguei-o no colo.

Então, tive uma surpresa que me deixou atônito. João só tinha uma perna e um braço, eram os únicos membros que possuía.

Jane estendeu-me um papel, todo amassado, uma receita médica onde estava escrito: esta criança sofre de focomelia, uma anomalia congênita que impede a formação de braços e pernas. Jane cuidava do João com o maior cuidado e com grande carinho. Mas ela definhava cada vez mais e morreu quando João tinha seis anos. Eu dei baixa no Exército para poder cuidar do meu filho. Quando eu perguntava se ele queria alguma coisa, ele dizia “Eu quero ir para a guerra”.

Sua deficiência física se agravava com a idade. Ele tinha 15 anos, mas não podia andar, estava impossibilitado de exercer as mínimas atividades físicas.

“Eu quero ir para a guerra, papai”, ele pediu mais uma vez.

Então decidi que ele iria à guerra. Foi quando preparei a bomba.

Com a bomba na mão eu disse: “Meu filho, você foi convocado para ir à guerra.”

“Obrigado, meu pai querido, eu te amo muito.”

Eu o amava mais ainda.

Coloquei a bomba na sua mão.

“Essa bomba vai explodir. É a guerra”, eu disse.

“É a guerra”, ele repetiu feliz.

Saí do quarto onde estava. Pouco depois vi o clarão.

João também viu esse clarão, feliz, antes da bomba explodir, matando-o.

Eu amava o meu filho.



Rubem Fonseca

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Advento

Estamos no advento, período litúrgico que antecede o Natal. É uma época de reflexão e espera pela celebração do nascimento de Jesus Cristo.

O Advento é tempo de alegria, espera e esperança. Um momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. Neste período, há o despojamento das igrejas, é usada a cor roxa, não se canta o hino do Glória e as leituras ajudam a refletir sobre o mistério do Cristo que virá no final dos tempos. Dom Armando explica que a melhor preparação para este tempo é vivenciar atentamente às propostas da liturgia que, com riqueza de mensagens, vai conduzindo quem acolher o que a Palavra propõe.

Existem diversos simbolos que são utilizados em época de Natal, e em vez de escrever um pouco sobre cada símbolo, deixo uma playlist de vídeos curtos, onde cada um é explicado. Vale muito ver e conhecer.


Símbolos de Natal














quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Bohemian Rhapsody.

Em tempos em que, por causa do filme, a música e o Queen estão sendo relembrados, republico essa imagem muito legal que encontrei no site "Tudo Kibado". Aconselho a verem a imagem ouvindo a musica Bohemian Rhapsody do Queen. Quem não a tem, pode deixar rolar o áudio daqui. Curtam e se divirtam com essa bela música.


































quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Incompletos - parte 5

Confiança. Certas vezes é algo bom, mas em alguns casos pode ser mortal.

Eu estava confiante. Já fizera aquilo muitas vezes, inclusive nos dias anteriores. Ali seria apenas mais uma repetição do mesmo, além de que eu possuía todos os recursos necessários, em caso de algum problema.

E o problema surgiu. E em poucos segundos passei da tranquilidade ao desconhecimento, e no caso o desconhecimento poderia ser fatal. Não sei ao certo como começou, só lembro da escuridão total e nos segundos seguintes já não conseguia respirar. Tomei um impulso, buscando o ar que me faltava e sentia uma pressão no meu peito que não permitia o ar de entrar. Tentei sair do lugar, mas parecia que nem me movia.

E da confiança ao desespero foi algo que não passou de um minuto. E por alguns segundos imaginei que seria meu fim. Um doce fim, talvez da forma e ambiente que "mais agradasse". Forma? Forma tola e desnecessária. E o tempo precoce em demasia.

Da mesma forma que caí no esquecimento total, tudo voltou a tona: eu sabia sair da situação, só precisa respirar um pouco que fosse a cada passo, por mais que a pressão no peito impedisse.

Segui, e agora percebia que me movia, devagar, mas o necessário. Sem folego, mas não sem forças, parava, retomava o ar e prosseguia, pouco a pouco. Não sei quanto tempo durou o processo, mas depois senti que minhas forças voltavam cada vez mais, até que eu chegasse de volta a confiança que perdera.

Confiança sim, mas com segurança. Basta estar calmo e certo.