Talvez eu esteja até um pouco atrasado em escrever sobre essa pessoa. Creio nunca ter escrito nada sobre ela, e pouco para ela. Ela foi meu porto seguro durante um bom tempo em uma fase de minha vida que um turbilhão de coisas aconteceram e eu sentia que não tinha ninguém.
Tanta coisa que qualquer um que leia pensa que foi algum romance do passado. Nada disso, de fato isso nunca passou por minha mente. Apenas foi e é uma amizade que não surgiu, de alguma forma já existia, do tipo que incentivava a fazer o que me fazia bem e alertava sobre o que achava que não ia bem ou daria certo. Uma pessoa com qualidades e defeitos como qualquer outra. Uma amizade humana que vinha da alma.
E sempre me incentivou a escrever, me emprestou livros, me presenteou com outros e com uma agenda com frases espirituais. Sempre me disse para que eu escrevesse e lesse se quisesse, senão completasse o caderno ou agenda e desse um fim definitivo, para deixar aqueles pensamentos e sentimentos para trás, para viver outros e novos. Confesso que segui muito isso, tentar caminhar em frente com as marcas e cicatrizes apenas. As registradas no papel foram facéis de deixar lá. As da mente nenm tanto.
Te agradeço imensamente por cada palavra e incentivo, por cada lágrima e sorriso. Até hoje me sinto feliz sabendo que sorris. Se não tiver vontade, respire fundo e siga em frente.
Minha gratidão a ti, κμ'.
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quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
quarta-feira, 22 de janeiro de 2020
Começo do fim - parte 4
Não posso de forma nenhuma falar de incentivos a escrever, sem mencionar aquela pessoa que me deu a minha primeira agenda para escrever.
Lembro como se hoje fosse, o ambiente não poderia ser diferente, na Igreja da Candelária, ela já estava lá quando cheguei. Uma escritora, que não vivia dos livros, conhecendo um leitor, e o presenteando com uma agenda (tema: paulo Coelho), com uma bela dedicatória em que a escritora admitia estar tão perdida quanto o leitor, ali sem script, sem roteiro do que dizer ou agir. E nada precisava ser dito ali, bastava ficar olhando a Igreja e sua beleza. Em mim a gratidão pelo presente e pelo escrito inédito e exclusivo que estava na primeira página. Eu fazia estágio ali perto, e aqueles momentos inicialmente de silêncio, depois das habituais conversas, foram muito bons.
A partir dali comecei a escrever quase que diariamente, durante alguns anos, naquela e em outras agendas. Deixava passar para o papel o que eu estava pensando, independente do que fosse, sem julgamentos, sem culpas, sem raciocinar, sem reler. Momentos de alegria, tristeza, raiva e dúvidas ficaram ali registrados e lacrados para que nem eu volte a ler.
Quando penso no tanto que escrevi tenho apenas uma vontade: fazer uma bela fogueira, pois já serviu a seu propósito. Estranho mas uma sensação real...
Quero deixar meu muito obrigado a quem me incentivou a começar a escrever para mim, a deixar derramar para as páginas o turbilhão que passava em minha mente, para que um dia eu fosse capaz de concatenar ideias e chegar aqui.
Minha gratidão a ti.
Lembro como se hoje fosse, o ambiente não poderia ser diferente, na Igreja da Candelária, ela já estava lá quando cheguei. Uma escritora, que não vivia dos livros, conhecendo um leitor, e o presenteando com uma agenda (tema: paulo Coelho), com uma bela dedicatória em que a escritora admitia estar tão perdida quanto o leitor, ali sem script, sem roteiro do que dizer ou agir. E nada precisava ser dito ali, bastava ficar olhando a Igreja e sua beleza. Em mim a gratidão pelo presente e pelo escrito inédito e exclusivo que estava na primeira página. Eu fazia estágio ali perto, e aqueles momentos inicialmente de silêncio, depois das habituais conversas, foram muito bons.
A partir dali comecei a escrever quase que diariamente, durante alguns anos, naquela e em outras agendas. Deixava passar para o papel o que eu estava pensando, independente do que fosse, sem julgamentos, sem culpas, sem raciocinar, sem reler. Momentos de alegria, tristeza, raiva e dúvidas ficaram ali registrados e lacrados para que nem eu volte a ler.
Quando penso no tanto que escrevi tenho apenas uma vontade: fazer uma bela fogueira, pois já serviu a seu propósito. Estranho mas uma sensação real...
Quero deixar meu muito obrigado a quem me incentivou a começar a escrever para mim, a deixar derramar para as páginas o turbilhão que passava em minha mente, para que um dia eu fosse capaz de concatenar ideias e chegar aqui.
Minha gratidão a ti.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2020
Começo do fim - parte 3
Nem todos os incentivos a escrever foram tão diretos. Algumas vezes foram bem sutis, como um pequeno bilhete recebido, ou um texto de alguém que não encontrava como expressar falando o que gostaria.
Conheci algumas pessoas assim, e talvez em outros tempos eu pudesse dedicar uma parte inteira a cada uma, mas hoje as ideias são outras, os tempos são outros e creio que resumir seja melhor. Assim consigo explicar melhor sem me estender tanto.
De fato eu sou grato a cada pessoa que escreveu algo para mim, seja um pequeno bilhete, um manuscrito numa folha de papel ou um email. Tudo que feito de coração me incentivou e muito a querer escrever. E foram tantas coisas espontâneas que eu não conseguiria mencionar cada uma, mas posso citar duas ou três ilustrativas.
Lembro de uma vez, na lanchonete de onde eu estudava, como um dia qualquer, e uma pessoa que estudava comigo começou a escrever no caderno enquanto lanchávamos. Quando terminou me entregou. Algo belo e simples, uma demonstração de amizade, sem nenhum desejo a mais do que me fazer sorrir e demonstrar amizade. Eterna? Não sei, apesar de não ter contato há muito tempo, tenho um bem querer por essa pessoa. Assim como tenho por muitas pessoas que conheci.
Outro exemplo que posso citar, foi da mesma época, de alguém que era apelidada de "Lispector". Escrevia bem, isso é inegável, mas não se tornou escritora e sim médica. Na ocasião, éramos quase que um trio que virou uma dupla dentro de uma turma inteira. Um dia me presenteou com um manuscrito seu, que infelizmente tempos depois a chuva levou. Mas naquele dia me deixou feliz, assim como sou feliz de ter contato esporádico com essa "velha", mas verdadeira amiga.
Este texto de hoje é uma homenagem a todos que me incentivaram a escrever, escrevendo. Um texto, e-mail, mensagem, uma carta, um bilhete, ou uma frase/desenho no meu caderno. Por vocês e para vocês também, tenho escrito todos esses anos.
Obrigado.
Conheci algumas pessoas assim, e talvez em outros tempos eu pudesse dedicar uma parte inteira a cada uma, mas hoje as ideias são outras, os tempos são outros e creio que resumir seja melhor. Assim consigo explicar melhor sem me estender tanto.
De fato eu sou grato a cada pessoa que escreveu algo para mim, seja um pequeno bilhete, um manuscrito numa folha de papel ou um email. Tudo que feito de coração me incentivou e muito a querer escrever. E foram tantas coisas espontâneas que eu não conseguiria mencionar cada uma, mas posso citar duas ou três ilustrativas.
Lembro de uma vez, na lanchonete de onde eu estudava, como um dia qualquer, e uma pessoa que estudava comigo começou a escrever no caderno enquanto lanchávamos. Quando terminou me entregou. Algo belo e simples, uma demonstração de amizade, sem nenhum desejo a mais do que me fazer sorrir e demonstrar amizade. Eterna? Não sei, apesar de não ter contato há muito tempo, tenho um bem querer por essa pessoa. Assim como tenho por muitas pessoas que conheci.
Outro exemplo que posso citar, foi da mesma época, de alguém que era apelidada de "Lispector". Escrevia bem, isso é inegável, mas não se tornou escritora e sim médica. Na ocasião, éramos quase que um trio que virou uma dupla dentro de uma turma inteira. Um dia me presenteou com um manuscrito seu, que infelizmente tempos depois a chuva levou. Mas naquele dia me deixou feliz, assim como sou feliz de ter contato esporádico com essa "velha", mas verdadeira amiga.
Este texto de hoje é uma homenagem a todos que me incentivaram a escrever, escrevendo. Um texto, e-mail, mensagem, uma carta, um bilhete, ou uma frase/desenho no meu caderno. Por vocês e para vocês também, tenho escrito todos esses anos.
Obrigado.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2019
Começo do fim - parte 2
Talvez a melhor forma de começar seja indo bem no passado. Sempre gostei de ler e ler bastante. Minha maior alegria quando criança foi perceber que mesmo ainda com dificuldade, eu conseguia juntar as letras e ver algo além daqueles cartazes coloridos nas ruas.
Aprendi a ler, escrever e na escola incentivavam muito isso. Com o tempo fui escrevendo em cadernos textos que ninguém nunca leria, nem mesmo eu. Descobri que algumas pessoas gostavam de ler, e de textos avulsos fui às cartas.
Sim, cartas. Ainda estava longe da era digital de emails e afins. Cartas e mensagens entregues pessoalmente ou via correios mesmo. E não posso mencionar cartas sem lembrar de uma pessoa a quem mandei muitas por um bom tempo. Uma amizade longa e duradoura, que até hoje mantenho. Improvável no início e certeira no fim.
Lembro como curiosa foi a forma que nos aproximamos. Por causa do período de greve no colégio, alguns professores resolveram dar aulas extras no fim do dia para repor a matéria, para quem se interessasse. Aconteceu de um dia ambos irem para aula, mas a mesma tinha sido cancelada e não sabíamos. Como a mãe dela estava fazendo aula de idiomas a noite, ficamos conversando enquanto ela aguardava a mãe. Descobri que ela gosta de ler, adorava receber cartas, e, no fim, descobri uma grande amizade depois de quase um ano estudando juntos. Sentávamos em lados opostos da sala, dentre quase quarenta alunos, era pouco provável que tivéssemos aquela conversa em outras circunstâncias.
Uma amizade que venceu esses quase vinte anos de hiato. Ela foi a única pessoa daquela época que esteve em meu casamento, e com quem ainda hoje converso, mesmo que esporadicamente. Foi um incentivo a escrever, talvez o primeiro do ponto de vista escrever para que alguém leia. Um começo feliz e uma amizade duradoura.
Cara amiga, meu muito obrigado. Este texto é seu.
Lembro como curiosa foi a forma que nos aproximamos. Por causa do período de greve no colégio, alguns professores resolveram dar aulas extras no fim do dia para repor a matéria, para quem se interessasse. Aconteceu de um dia ambos irem para aula, mas a mesma tinha sido cancelada e não sabíamos. Como a mãe dela estava fazendo aula de idiomas a noite, ficamos conversando enquanto ela aguardava a mãe. Descobri que ela gosta de ler, adorava receber cartas, e, no fim, descobri uma grande amizade depois de quase um ano estudando juntos. Sentávamos em lados opostos da sala, dentre quase quarenta alunos, era pouco provável que tivéssemos aquela conversa em outras circunstâncias.
Uma amizade que venceu esses quase vinte anos de hiato. Ela foi a única pessoa daquela época que esteve em meu casamento, e com quem ainda hoje converso, mesmo que esporadicamente. Foi um incentivo a escrever, talvez o primeiro do ponto de vista escrever para que alguém leia. Um começo feliz e uma amizade duradoura.
Cara amiga, meu muito obrigado. Este texto é seu.
continua
quarta-feira, 20 de novembro de 2019
Começo do fim - parte 1
Para tudo há um começo, meio e fim. E aqui não seria muito diferente, este pode ser realmente o começo do fim.
Não sei ao certo se será o fim ou apenas um hiato bem prolongado. A inspiração tem me faltado tanto quanto o tempo para escrever.Mas seria uma injustiça simplesmente parar sem escrever nada, sem uma despedida. Tudo que aqui está escrito, a própria ideia de escrever é fruto de toda uma história, onde personagens reais me inspiraram e tantos outros me incentivaram a escrever, desde aquele pequeno incentivo no colégio, ainda no primário, até agenda com dedicatória me incentivando a escrever ali um pouco cada dia.
Mas tudo isso, irei contando aqui, aos poucos, com hiatos ou semanalmente. Pode ser que existam textos intermediários que quebrem a sequência desta "série", mesmo que a intenção seja não ter. Não tenho nem quero ter o controle das palavras, quero deixar fluir normalmente sem qualquer limitação.
Então é hora. Hora de "começar o fim".
Não sei ao certo se será o fim ou apenas um hiato bem prolongado. A inspiração tem me faltado tanto quanto o tempo para escrever.Mas seria uma injustiça simplesmente parar sem escrever nada, sem uma despedida. Tudo que aqui está escrito, a própria ideia de escrever é fruto de toda uma história, onde personagens reais me inspiraram e tantos outros me incentivaram a escrever, desde aquele pequeno incentivo no colégio, ainda no primário, até agenda com dedicatória me incentivando a escrever ali um pouco cada dia.
Mas tudo isso, irei contando aqui, aos poucos, com hiatos ou semanalmente. Pode ser que existam textos intermediários que quebrem a sequência desta "série", mesmo que a intenção seja não ter. Não tenho nem quero ter o controle das palavras, quero deixar fluir normalmente sem qualquer limitação.
Então é hora. Hora de "começar o fim".
quarta-feira, 25 de setembro de 2019
Contaminado
Eu não tinha nada além de mim mesmo. Preso em um mundo onde nada fazia sentido.
Fui uma criança feliz. Não sei dizer até quando o peso morto da vida não existia sob meus ombros, mas foi bem mais cedo do que normalmente acontece com as pessoas. Isso quando acontece.
Bem cedo comecei a ver que o mundo não me agradava, me incomodava. Criei um mundo para mim e personagens para viver o que eu não queria. Fui vários personagens: estudante, irmão, filho, primo, sobrinho, amigo, colega. Vários personagens que me permitiam não "me expor" e me sentir mais seguro. Mas isso não me fazia mais feliz, me poupava tanto de dores quanto de alegrias externas. Internamente só me afogava em mim mesmo.
Novos mundos surgem, aproximando os que estão longe, afastando quem está perto. Para mim era apenas mais uma oportunidade de tentar ser agora o mais importante dos personagens: eu mesmo. Mas ali era ainda mais fácil ser outro, ser outros, ser muitos ao mesmo tempo. E meu mundo, meu infinito particular, já era um lugar tão aconchegante que eu já não quereria sair de lá. E ao invés de abrir uma porta, aproveitei o ambiente propício para levantar muros cada vez mais altos e fortes.
Dentro dos muros eu adoecia sem perceber. Minha mente já começava a se deteriorar, enquanto meu corpo era pouco a pouco envenenado. Entorpecido por esse veneno fui tentando continuar. Assim como ainda continuo.
Hoje, mesmo querendo voltar a ser eu mesmo, não o posso, não totalmente. Por tanto tempo tentei ser tantos outros que hoje já não sei quem eu sou. Me sinto uma mistura disforme de todos os personagens que criei, ao mesmo tempo não sou nenhum deles, nem eu mesmo. Corpo e mente envenenados por tudo que não vivi como eu mesmo, por tudo que ficou guardado e foi apodrecendo por dentro, contaminando. Hoje estou apenas sobrevivendo...
Fui uma criança feliz. Não sei dizer até quando o peso morto da vida não existia sob meus ombros, mas foi bem mais cedo do que normalmente acontece com as pessoas. Isso quando acontece.
Bem cedo comecei a ver que o mundo não me agradava, me incomodava. Criei um mundo para mim e personagens para viver o que eu não queria. Fui vários personagens: estudante, irmão, filho, primo, sobrinho, amigo, colega. Vários personagens que me permitiam não "me expor" e me sentir mais seguro. Mas isso não me fazia mais feliz, me poupava tanto de dores quanto de alegrias externas. Internamente só me afogava em mim mesmo.
Novos mundos surgem, aproximando os que estão longe, afastando quem está perto. Para mim era apenas mais uma oportunidade de tentar ser agora o mais importante dos personagens: eu mesmo. Mas ali era ainda mais fácil ser outro, ser outros, ser muitos ao mesmo tempo. E meu mundo, meu infinito particular, já era um lugar tão aconchegante que eu já não quereria sair de lá. E ao invés de abrir uma porta, aproveitei o ambiente propício para levantar muros cada vez mais altos e fortes.
Dentro dos muros eu adoecia sem perceber. Minha mente já começava a se deteriorar, enquanto meu corpo era pouco a pouco envenenado. Entorpecido por esse veneno fui tentando continuar. Assim como ainda continuo.
Hoje, mesmo querendo voltar a ser eu mesmo, não o posso, não totalmente. Por tanto tempo tentei ser tantos outros que hoje já não sei quem eu sou. Me sinto uma mistura disforme de todos os personagens que criei, ao mesmo tempo não sou nenhum deles, nem eu mesmo. Corpo e mente envenenados por tudo que não vivi como eu mesmo, por tudo que ficou guardado e foi apodrecendo por dentro, contaminando. Hoje estou apenas sobrevivendo...
terça-feira, 17 de setembro de 2019
Outro lugar
O tempo não tem sido meu amigo quando o assunto é escrever. Não tem me sobrado tempo para escrever, assim como tive outrora e isso me faz muita falta. Me falta também um pouco de inspiração, me sinto longe, cada vez mais longe de quem está do outro lado da tela, daquelas pessoas (Deus as abençoe) que ainda passam por aqui e leem algo.
O título desse texto está meio perdido, pois o assunto não fala de nenhum outro lugar além do interno. Dentro de mim mesmo. Hoje quero compartilhar algo ruim, mas que mudou minha percepção de algumas coisas, e uma delas foi a dor.
Dor lancinante, praticamente insuportável. Parecia que doía até a alma. E mesmo assim, mantive-me o mais calmo que se se possa imaginar nessa situação. Eu acho que a dor era tão grande que já aceitava até o fim. Sem drama, sem maiores alardes. Apenas aceitava o que viesse.
E em um momento senti que acontecera. No auge da dor que me consumia, senti meu corpo perder totalmente o peso, inteiramente. Já não havia dor, já não sentia nada. Absolutamente nada. Sem qualquer tipo de alegoria ou ficção. Não sentia, não ouvia, não via nada. Por um tempo que não sei precisar tudo que havia para mim era o nada, a simples ausência de tudo. Não vi tudo escuro, nem claridade ofuscando a visão, nem vi meu corpo inerte abaixo de mim, como tanto relatos afirmam. Para mim é como se não tivesse corpo, não tivesse pensamentos, não houvesse nada a meu redor, apenas o vazio. E uma paz.
Uma paz que não sei descrever. Parecia algo que me envolvia e ao mesmo tempo saía de mim. Alguns segundos de pura paz, sem qualquer outra sensação. Segundos que pareceram minutos...
Depois senti como se caísse, e estava de volta, sentindo tudo, inclusive aquela dor sem mensuração.
Isso aconteceu algumas vezes na ocasião. Não sei onde estive, nem se estive. Pode ter sido mera alucinação de febre ou uma partida real para algum lugar, mas me mandaram de volta.
Sei que tudo que aconteceu naquelas horas, mudou minha percepção do que é dor. Para sempre.
O título desse texto está meio perdido, pois o assunto não fala de nenhum outro lugar além do interno. Dentro de mim mesmo. Hoje quero compartilhar algo ruim, mas que mudou minha percepção de algumas coisas, e uma delas foi a dor.
Dor lancinante, praticamente insuportável. Parecia que doía até a alma. E mesmo assim, mantive-me o mais calmo que se se possa imaginar nessa situação. Eu acho que a dor era tão grande que já aceitava até o fim. Sem drama, sem maiores alardes. Apenas aceitava o que viesse.
E em um momento senti que acontecera. No auge da dor que me consumia, senti meu corpo perder totalmente o peso, inteiramente. Já não havia dor, já não sentia nada. Absolutamente nada. Sem qualquer tipo de alegoria ou ficção. Não sentia, não ouvia, não via nada. Por um tempo que não sei precisar tudo que havia para mim era o nada, a simples ausência de tudo. Não vi tudo escuro, nem claridade ofuscando a visão, nem vi meu corpo inerte abaixo de mim, como tanto relatos afirmam. Para mim é como se não tivesse corpo, não tivesse pensamentos, não houvesse nada a meu redor, apenas o vazio. E uma paz.
Uma paz que não sei descrever. Parecia algo que me envolvia e ao mesmo tempo saía de mim. Alguns segundos de pura paz, sem qualquer outra sensação. Segundos que pareceram minutos...
Depois senti como se caísse, e estava de volta, sentindo tudo, inclusive aquela dor sem mensuração.
Isso aconteceu algumas vezes na ocasião. Não sei onde estive, nem se estive. Pode ter sido mera alucinação de febre ou uma partida real para algum lugar, mas me mandaram de volta.
Sei que tudo que aconteceu naquelas horas, mudou minha percepção do que é dor. Para sempre.
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