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terça-feira, 29 de junho de 2021

Intervalos

 Tenho tornado o intervalo entre os textos bem inconstante. 

Infelizmente nao tenho o tempo que um dia eu tive para escrever... Tampouco tenho tido a inspiração necessária para isso... O mundo, os acontecimentos em geral, tem prejudicado muito minha inspiração. O cansaço também.

Estou cansado de notícias. Estou cansado de ver notícias, de ler notícias, de ler opiniões, de ver opiniões. O grande mal da internet, redes sociais e afins é isso: todo mundo virou conhecedor de tudo. Então você é bombardeado de informações e desinformações, chegando ao ponto de não sabermos mais o que é verdade, o que é mentira, o que é fato ou simples opinião de alguém. Porque hoje, todos tem opinião sobre tudo.

Um dia desses quis fazer um bolo de coco e procurei uma receita para não errar as quantidades. Passando rapidamente os comentários para verificar se alguém aprovou me deparo com um comentário assim: 'Argh! Horrível! Odeio coco!'. Perguntei-me o que fazia alguém que odeia coco em uma receita de bolo de coco. Foi apenas um exemplo de algo que tenho visto muito: pessoas que entram apenas para dizer que não gostam, ou que sempre estão em determinado canal de youtube e afins apenas para "pôr o polegar para baixo". Ninguém obriga a ver, porque entrar para marcar que não gostou? Creio ser pela simples necessidade de se fazer notar.

Talvez esse seja o real motivo disso tudo: se fazer notar. Pessoas opinam sem ter profundo conhecimento do assunto, outras constantemente colocam fotos de lugares onde estão ou fotos suas, sempre "sorridentes e felizes". É preciso se mostrar bem, é preciso tentar parecer bem, talvez para convencer a si mesmo que tudo está bem. É preciso opinar, é preciso se manifestar para convencer a si mesmo e a quem se interessar de que não é um alienado... Ou acabar dando provas que é mais alienado que todos pensavam.

Enfim, hoje escrevi apenas para romper esse período sem nada. Procurarei alguns minutos por semana para escrever. 

Gratidão.



sábado, 29 de maio de 2021

Estatísticas

Entrei para escrever algo, mas me perdi um pouco olhando as estatísticas de algumas publicações. Percebi que algumas têm muito pouco acesso e outras um número até considerável.

Nunca escrevi atrás de números. Tampouco tive por objetivo ter muitos leitores, assim como em qualquer rede social, não almejo muitos seguidores. Não critico (mais) quem gosta disso, apenas não me identifico com essa necessidade.

Escrevo o que me vem, o que penso e às vezes acontece de agradar alguém. E não nego, me sinto bem quando o que escrevo chega até alguém e agrada, ajuda, faz pensar. Isso dá um novo ar para meus textos, uma nova utilidade para eles, mesmo que não imaginado inicialmente.


Não sei o que faz ou não você entrar aqui, mesmo que esporadicamente, e ler algo. Contudo, gostaria muito de saber, afinal o que escrevo é para mim, mas também para você que lê. Deixe seu comentário, seu pedido, sua opinião. Vamos fazer desse um espaço de ideias compartilhadas, não apenas minhas, mas de todos os talvez 4 a 6 leitores habituais.

Gratidão por passar por aqui.

sábado, 22 de maio de 2021

Como é por dentro outra pessoa – Fernando Pessoa


O que somos, quem somos? Tantas vezes julgamos os atos de outrem, sem fazer ideia do que se passa com ela. Julgamos pela nossa perspectiva, nosso entendimento, e tantas vezes mencionamos: "Ah! Se fosse eu faria diferente." Mas, diferimos e por mais que suponhamos nunca saberemos como é estar no lugar do outro. Convivemos, como diz o poeta, em um desentendimento fluido, com igualdades e diferenças. Mas nunca saberemos como é ser o outro. E isso é bom... Enlouquecedor seria saber, quando, na verdade, passamos toda uma vida para saber como ser nós mesmos.

Trago um texto de Fernando Pessoa, na belíssima declamação do saudoso Antônio Abujamra.

sábado, 8 de maio de 2021

Fresta na casca

 Quereria contar tudo. Há tanto que ainda não mencionei. 

Mas tenho medo. Tive medo. Assim como você também o tem. O receio de se mostrar ao mundo, de demostrar alguma fraqueza. Somos criados para parecer fortes diante do mundo e com isso vamos criando uma carapaça dura e intransponível. E de tanto tentar segurar essa carapaça externa, vamos ficando fracos por dentro, sem forças para prosseguir. Nesse ponto, os caminhos são diversos: alguns buscam ajuda profissional, terapia, remédios e afins. Outros começam a derrubar a carapaça e mostrar ao mundo o que são, abandonando (ou não) o medo de represálias e julgamentos. Outros ainda se "encolhem" tanto que assumem a "personalidade externa" ignorando quem são de fato. Por último, há quem não aguente e adoeça irreversivelmente.

O mundo nos empurra a ficarmos dentro desta casca que criamos, nos incentiva a mantê-la, por mais sufocante que seja. Por vezes, e por uma benção divina, conseguimos uma "válvula de escape", alguém que encontra gradualmente uma fresta em nossa casca, e descobre quem realmente somos, como realmente somos. 

Isso é bom, muito bom mesmo. Alivia a pressão, alivia a tensão, nos faz relaxar nos deixa bem. Porém, a princípio, também dá um certo medo. Medo do exagero, medo de até onde permitir-se conhecer, o quanto e quando permitir que entrem em nosso "infinito particular", como sabiamente diz Marisa Monte em uma música. Por isso, ainda tenho muito a contar, assim como creio que também tenhas. Tanto que pouquíssimos sabem, ou mesmo ninguém sabe, talvez nem nós mesmos. 

É preciso coragem para seguir, para viver e não apenas estar vivo. É preciso coragem para sermos nós mesmos. Coragem não é a ausência total de medo, isso é imprudência. Coragem é não se deixar deter pelo medo, e mesmo com ele seguir, tentar, acertar, errar e continuar.

Sou grato por estar aqui, sou grato por você que lê e agora me conhece um pouco mais, através dessa "fresta em minha casca" que se chama escrever.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Carta 07

 "Cartas" é quase uma série atemporal e multi temática. Se me lembro as primeiras tinham um tema de despedida, seja de pessoas, de tempos ou situações. Mantenho o número apenas para referência do título mesmo.

Hoje é uma carta desse tipo mesmo: atemporal e multi temática. O destinatário? Qualquer um que se identifique, até eu mesmo, sem foco ou objetivo. Ou com todo foco e objetivo, depende de quem leia.

sábado, 24 de abril de 2021

Saudade

 Hoje abri essa página e olhei tantos textos inacabados e não publicados. Abri alguns e percebi que tiveram seu tempo, e hoje já não quero ou devo continuá-los por não ter sentido ou simplesmente por me sentir incapaz de fazê-lo.

Hoje acordei com saudade. Mas não aquela saudade nostálgica de outros tempos, de situações vividas ou pessoas que há muito não vejo. Apenas uma "saudade do não".

Saudade de momentos que não vivi, de situações que não passei, saudade daquilo que não conheço nem mesmo para sentir falta, desejo ou saudade. 

Saudade dos apertos de mão e abraços que não dei, sorrisos que não vi, dos olhares que não troquei, das palavras que não ouvi ou não falei, dos cheiros que não senti, do calor (ou frio) que não senti, dos risos que não dei e também dos que não ouvi, das lágrimas que não derramei e também das que não enxuguei, das sensações que não senti ou fiz sentir, da chuva que não me molhou e das vezes que o sol não me aqueceu, das palavras que não disse e tantas outras que não ouvi... Dos textos que não escrevi e tantos que não li. Das músicas que não ouvi...

O que fazer com tanta saudade do desconhecido? O que fazer quando parece que se sente falta de tudo o que é desconhecido e tão pontualmente daquilo que se conhece?

Certa vez uma amiga me disse que eu era uma "alma velha". Talvez ela tenha razão e eu tenha saudade de tempos que não vivi... Ou, segundo ela, vivi e estão em meu subconsciente. Será? 

Seja como for, dessa vez esse texto se completou, mesmo que com ideias em aberto...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Como nascem as doenças

 O texto que trago hoje me foi repassado e desconheço seu autor real. Mas creio ser uma ótima forma de reflexão, sobre o que passamos e transmitimos. Pequenos "traumas" que nos foram passados e que acabamos passando a frente, por ignorar o que é certo ou por puro "pré-conceito" que temos, dogmático e não raciocinado.