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quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Das visões do sol

 Por tantas vezes esteve ali, mas nem sempre o enxerguei, e por motivos diversos.

Era criança, ele me iluminava, tornava os dias mais quentes, iluminados e alegres, mas mesmo assim eu não percebia ao certo sua presença, mesmo sendo cheio dele. Éramos como um só ser, mesmo quando o dia parecia ser chuvoso, ele emanava dentro de mim.

Ainda quando criança, tive pela primeira vez a fuga de um raio de sol. “Está impossível viver nesse mundo!”. Ouvi a frase, e uma parte de todo aquele sol se esvaiu. Era como se toda a blindagem que eu tinha para as trevas ao redor tivesse sofrido uma rachadura, e agora toda a luz guardada em mim, pudesse escapar.

Conforme crescia, olhava o sol do lado de fora e percebia que meu sol interno ia enfraquecendo. Enquanto aprendia que no céu, o sol tinha em seu núcleo uma quantidade estupenda de combustível para brilhar e aquecer mais alguns bilhões de anos, sabia que meu sol interno não tinha mais tanto combustível assim. Por vezes eu sentia que algum combustível era injetado, e seu brilho aumentava, tantas outras sentia gastar mais e mais combustível para manter-se diante das densas nuvens. Houve pessoas que pareciam que queriam compartilhar o brilho, mas no fim apenas queriam se apropriar do que eu tinha.

Durante um tempo blindei-me, e enquanto o fazia percebia que apenas aparentava um brilho que já não tinha tanta força. Parecia ser a coisa certa a fazer, afinal na teoria não perderia aquele brilho que ainda iluminava o fundo do emu ser, e ainda aquecia, mesmo que bem menos que outrora. Apenas parecia a coisa certa, pois meu sol interno não se alimentava e estava cada vez mais fraco.

A blindagem não funcionava. Tentava olhar para o sol externo, esquecer tudo e me aquecer e nos curtos momentos que me permiti isso, me senti um pouco aquecido. Descobri pessoas que perderam um pouco de seu brilho também, mas mesmo assim ofereciam o que tinha para alegrar-me. Hoje sou grato a essas poucas pessoas que compartilham seu brilho e com que compartilho o meu. Surpreendentemente isso alimenta nosso “sol interior”.

E da janela observo o por-do-sol, certo de que renascerá a cada dia. Assim como cada um de nós.

Gratidão

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Sempre é tempo

É chegado o tempo de crescer. É tempo de superar os medos e receios e acreditar mais em si.

Estamos em um tempo de um novo normal. A pandemia nos trouxe a percepção que somos frágeis, capazes de sermos dizimados por um simples vírus. Já sabíamos disso, mas tentávamos ignorar o máximo que podíamos até o momento em que não pudemos mais ignorar. Somos fracos, frágeis e dependentes uns dos outros, mesmo que essa dependência seja mantermos distancia quando preciso e nos cuidarmos. A pandemia trouxe essa ideia: enquanto o outro não se cuidar, não se vacinar, não se proteger, todos estamos em perigo. O vírus quando sobrevive sofre mutações, e nós é que acabamos por não sobreviver a isso.

É chegado o tempo de aprendermos a pensar coletivamente, a pensarmos no próximo, na segurança dele pela nossa própria. Algo que parece tão antigo e tão antiquado para alguns se mostra tão verdadeiro: o dito bíblico: amar o próximo como a nós mesmos. Amar, cuidar, proteger. Da saúde dele, depende a nossa, depende o fim de toda essa pandemia, ou mais próximo que poderemos chegar desse fim.

Se cuide. Viva, mas se cuide. Por você, por mim, pelo mundo. Cuide do mundo, cuide do ambiente a seu redor, para que novas pandemias não venham a acontecer.

Que Deus proteja a todos nós.

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Releituras, inspirações e afins

 Há algum tempo recebi em uma postagem um comentário que me acusava de plágio. Não respondi, o deixei arquivado e pensando se realmente há anos atrás eu havia plagiado alguma coisa. 

Sinceramente não sei responder. Talvez eu possa ter lido algo e me inspirado a escrever, talvez lido algo e gostado a ponto de começar a escrever em cima da ideia. Mas então a vida seria um tremendo plágio, e consequentemente praticamente tudo que eu escrevi aqui o seja. Sempre estamos nos inspirando em algo, aprendendo algo, vivendo em cima dos aprendizados e experiências.

Pensei em excluir tal publicação e reescrevê-la, pois, com certeza, anos depois qualquer coisa que eu escrever será diferente daquilo que eu escrevi ali. Talvez a edite ali mesmo e republique, ainda estou decidindo.

O que quero hoje é apenas fazer um pedido ao leitor: se identificar algo que pareça que já leu em outro lugar, algo com data anterior a minha publicação, e eu não coloquei a referência, me avise. Posso olhar, reescrever se for o caso, ou simplesmente dar os créditos a quem publicou antes e eu indevidamente não citei. Apesar de não ser do meu feitio, textos de cinco, seis ou mais anos atrás podem ser "releituras do que li", e se não o fiz, devo dar o crédito a quem o merece.

Agradeço os alertas recebidos e que receberei.

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Mensagens obsoletas

 Quantas foram as mensagens que se tornaram obsoletas? Quantas vezes imaginamos escrever, falar, contar determinada coisa e nunca sai do pensamento? Quantas vezes passamos longos minutos escrevendo mentalmente algo, que no fim não é transmitido a ninguém, nem mesmo a nós mesmos e acabamos por esquecer.

Este é um texto dedicado a estas mensagens, cartas, bilhetes e afins que nunca saíram da vontade de serem produzidos. Pode ser que tenham inúmeras partes ou morra neste aqui. Tudo vai depender de quantas ideias decidirão aparecer, quanto pseudos destinatários se apresentarão, quanto do que não disse a mim mesmo precisar "extrapolar" os limites da mente. Que comece a obsolescência. 


terça-feira, 14 de setembro de 2021

Não há segredo nenhum

 Uma música para pensar um pouco, refletir e sentir... Nos faz tanta falta isso... Acho que com tanta coisa que acontece em nosso dia a dia, esquecemos do principal: sentir. Já não sentimos nada, não temos "tempo" para sentir e quando demos conta, há tanto "sentir" dentro de nós que não suportamos... Acabamos por "explodir", e tudo vai se refletindo em nosso corpo, nossa saúde física e mental.

Escondemos o "sentir", pois o "sentir" ainda é questionável e condenável. "Sentir" ainda é visto como fraqueza, em um mundo que quer ser tão insensível. Mas a mudança desse errôneo pensamento começa com cada um de nós, cada um fazendo sua parte, e mostrando que não há problema, não há franqueza em assumir o que é de sua natureza: somos seres humanos, pensamos, sentimos, vivemos. Aproveite a música.


Apaga a dor, já passou

Abre a janela feliz

Olha que o vento soprou

Bem mais cor do que você quis

Canta o que nunca cantou

Foi teu irmão que pediu

Tudo o que sempre sonhou

Tava perto e você não viu

A vida é bola de gás

Segura a corda com a mão

Tudo o que o vento não traz

Ta guardado em seu coração

A estrada sempre tem luz

O amor tem sempre razão

Quando a alegria conduz

Não importa qual direção

Lembra da flauta que ouviu

Vai te ensinar a dançar

Pensa que quem já partiu

Tá voando e vai te encontrar

Todo o milagre é comum

Todo poder é fugaz

Não há segredo nenhum

E o teu sonho, a mão do amor traz


Composição Oswaldo Montenegro


sábado, 10 de julho de 2021

Ouse tudo!! - Antônio Abujamra (Autora: Lou Andreas-Salomé)

 



Ouse, ouse... ouse tudo!!

Não tenha necessidade de nada!

Não tente adequar sua vida a modelos,

nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.

Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.

Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la!

Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.

Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:

algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!


Lou Andreas-Salomé

terça-feira, 29 de junho de 2021

Intervalos

 Tenho tornado o intervalo entre os textos bem inconstante. 

Infelizmente nao tenho o tempo que um dia eu tive para escrever... Tampouco tenho tido a inspiração necessária para isso... O mundo, os acontecimentos em geral, tem prejudicado muito minha inspiração. O cansaço também.

Estou cansado de notícias. Estou cansado de ver notícias, de ler notícias, de ler opiniões, de ver opiniões. O grande mal da internet, redes sociais e afins é isso: todo mundo virou conhecedor de tudo. Então você é bombardeado de informações e desinformações, chegando ao ponto de não sabermos mais o que é verdade, o que é mentira, o que é fato ou simples opinião de alguém. Porque hoje, todos tem opinião sobre tudo.

Um dia desses quis fazer um bolo de coco e procurei uma receita para não errar as quantidades. Passando rapidamente os comentários para verificar se alguém aprovou me deparo com um comentário assim: 'Argh! Horrível! Odeio coco!'. Perguntei-me o que fazia alguém que odeia coco em uma receita de bolo de coco. Foi apenas um exemplo de algo que tenho visto muito: pessoas que entram apenas para dizer que não gostam, ou que sempre estão em determinado canal de youtube e afins apenas para "pôr o polegar para baixo". Ninguém obriga a ver, porque entrar para marcar que não gostou? Creio ser pela simples necessidade de se fazer notar.

Talvez esse seja o real motivo disso tudo: se fazer notar. Pessoas opinam sem ter profundo conhecimento do assunto, outras constantemente colocam fotos de lugares onde estão ou fotos suas, sempre "sorridentes e felizes". É preciso se mostrar bem, é preciso tentar parecer bem, talvez para convencer a si mesmo que tudo está bem. É preciso opinar, é preciso se manifestar para convencer a si mesmo e a quem se interessar de que não é um alienado... Ou acabar dando provas que é mais alienado que todos pensavam.

Enfim, hoje escrevi apenas para romper esse período sem nada. Procurarei alguns minutos por semana para escrever. 

Gratidão.