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quarta-feira, 29 de abril de 2020

Desconhecido

Estava há um tempo sem escrever, mas hoje recebi a notificação de um comentário deito por um desconhecido. Fiquei surpreso, não com o conteúdo do comentário, mas com o fato de alguém ter comentado ( e não ser um robô, como de costume). Apesar de eu não estar escrevendo com frequência, ainda há alguém que lê, seja ocasionalmente, ou "por acidente".

Nunca objetivei ter uma série de leitores, como já mencionei escrever para mim é meio que um "ato egoísta", me faz bem e, se "por tabela" fizer bem a alguém é um grande lucro. Mas saber que alguém acessa, alguém lê, mesmo que não frequentemente, me fez sorrir, e me fez escrever.

Obrigado "Desconhecido". Espero que gostes do que lês por aqui. Se algum dia não gostar, comente também, e argumente o porquê de não ter gostado. E se um dia quiser, se identifique, se apresente, ficarei contente com isso também. Se quer manter o anonimato para o mundo não há problema. Talvez tenhas percebido que seus comentários só aparecem quando eu os "aprovo". Faço isso para evitar o monte de robôs que mandam mensagens nos comentários, então querendo se identificar apenas para este escritor, fique a vontade de fazê-lo pelo campo de comentários e mencionar um "Não publique" no fim...

Novamente, fico feliz por ter atingido alguém, ter agradado. E volte sempre.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

O Mundo de LUTO


De repente a roupa de marca, o perfume importado e as jóias  não servem mais para nada, porque não tem onde exibi-las.

De repente todo o dinheiro guardado não tem onde ser usado, porque não se pode viajar ou fazer compras nos shoppings.

De repente um carro só é o suficiente, porque não se pode ir para lugar algum

De repente a casa de praia terá que ficar vazia, porque não se pode chamar os amigos para um fim de semana juntos.

De repente aquele  churrasco com a família  teve que ser cancelado e a carne congelada, porque não se pode fazer reunião familiar.

De repente aquela linda casa que vivia cheia  ficará sem ninguém  porque não se pode receber visitas.

De repente os idosos  terão que ficar sozinhos sem o carinho dos filhos e netos porque um simples abraço  pode custar sua vida

De repente aquela sonhada festa teve que ser cancelada, porque as pessoas tem medo de estar juntas.

De repente a vontade de estar perto das  pessoas queridas se tornou um desejo proíbido  porque amar agora é ficar distante

De repente entrar na igreja se tornou algo impossível,  porque as portas estão fechadas.

De repente o mundo inteiro afetado porque uma pandemia ameaça a população.

De repente tudo que se precisa é da misericórdia de Deus, porque mais nada importa agora.

(Autor desconhecido)

domingo, 8 de março de 2020

Tudo que se Quer (All I Ask of You)

Hoje, minha homenagem a mulher que mudou minha vida. Hoje pode ser o dia internacional da mulher, mas para mim todos os dias é teu dia... Vou contigo, seja aonde for...
E onde estiver estou...








Olha nos meus olhos
Esquece o que passou
Aqui neste momento
Silêncio e sentimento
Sou o teu poeta
Eu sou o teu cantor
Teu rei e teu escravo
Teu rio e tua estrada

Vem comigo, meu amado amigo
Nessa noite clara de verão!
Seja sempre o meu melhor presente
Seja tudo sempre como é
É tudo que se quer
Leve como o vento
Quente como o sol
Em paz na claridade
Sem medo e sem saudade

Livre como o sonho
Alegre como a luz
Desejo e fantasia
Em plena harmonia

Eu sou teu homem
Sou teu pai, teu filho
Sou aquele que te tem amor
Sou teu par, o teu melhor amigo
Vou contigo, seja aonde for
E onde estiver estou

Vem comigo meu amado amigo
Sou teu barco neste mar de amor
Sou a vela que te leva longe
Da tristeza, eu sei, eu vou!
Onde estiver estou
E onde estiver estou

Composição: Andrew LloydWebber / Charles Hart 

quarta-feira, 4 de março de 2020

Filme: Coringa

Tenho escutado diversas críticas ao mais recente filme do Coringa, mas não quis tirar conclusões precipitadas antes de assistir e refletir sobre o filme.

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Uma das críticas que mais se repetem tem sido que o filme enaltece o criminoso, torna o infrator um exemplo a ser aplaudido e não a ser combatido ou criticado, como o personagem sempre foi. Porém, essa versão do Coringa interpretada magistralmente por Joaquin Phoenix traz mais do a simples história de um personagem icônico dos quadrinhos, traz uma visão do mundo da perspectiva de baixo, do marginalizado, do discriminado.

E meio a uma greve dos coletores de lixo, o povo vive em meio a sujeira e as pragas que isto atrai, enquanto os ricos passam em suas limusines e carros de luxo no caminho entre suas mansões e os salões de festa, bailes e teatros de requinte. A mídia se mantem acima, noticia as mazelas que ocorrem, mas não deixa de, em sua busca por audiência, ridicularizar os desafortunados, os doentes, talvez em busca de manter seu apoio às castas altas da sociedade.

Enquanto isso, o personagem principal, com problemas mentais, tenta levar sua vida em meio a seus devaneios; ora vive o mundo real ora vive em seu próprio mundo e pensamentos. É agredido, ridicularizado e, em um transporte público mata seus agressores. Sua imagem é vista como uma resposta ao Sistema que oprime, e utilizada em manifestações populares. Busca um ricaço da cidade, para quem sua mãe trabalhou e que poderia ser seu pai. Mais uma vez é ridicularizado, ouve insultos a si e a sua mãe.Em um desfecho, ele é convidado a ir a um programa de auditório, cujo apresentador outrora admirado, o havia ridicularizado, utilizando imagens de uma apresentação mal sucedida em um clube de humor. E ali, pela primeira vez se apresenta como Coringa, e talvez pela primeira vez em toda estória, faz um discurso realmente sensato contra toda discriminação que sofreu, por não ser da elite, por não ser famoso, por ser um doente mental. Ele critica todo Sistema que "dita" o que é certo, o que é errado, quem deve viver e quem pode morrer. "O que você consegue quando cruza um doente mental solitário com uma sociedade que abandona ele e trata como lixo esse cara? Eu digo o que você consegue: consegue a merda que merece!" E mata o apresentador. Chegou ao programa com ideia de fazer seu discurso e se matar em um grande final trágico, mas mudou de ideia depois de ser novamente criticado e matou o apresentador.

Não. Nada do que passou justifica ter se tornado um assassino. Tampouco quero rotular o personagem de "vítima da sociedade". É um criminoso, que assim como foi no filme, deve ser preso e sofrer as sanções adequadas por seus crimes. Mas o grande escopo do filme, a meu ver, não é o criminoso e sim a situação da sociedade representada ali, um fiel retrato de nossa sociedade atual: os ricos e poderosos ficam protegidos e isolados das mazelas, junto a mídia buscando audiência ambos sem  se preocupar com quem atingem para manter seus status e do outro lado os pobres, os excluídos, os doentes que vivem a realidade de uma cidade violenta e em caos; uma parcela da população que é utilizada de fantoche pelos mais poderosos, na maioria das vezes sem qualquer reação, seja por ignorância (humildade, simplicidade) ou por medo. Como diz um verso da música de Renato Russo: 

"(...)
Nos querem todos iguais
Assim é bem mais fácil nos controlar
E mentir, mentir, mentir
E matar, matar, matar
O que eu tenho de melhor, minha esperança
(...)"

Uma sociedade desigual, que ignora os problemas dos menos favorecidos (como a nossa), e uma revolta desses (que nos falta). Esse, para mim, é o resumo do filme em uma frase. Querer fazer igual o diferente, esse é o grande erro de nossa sociedade, de nosso mundo.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Começo do fim - Epílogo

Fim de uma era.

Ainda tenho minha inspiração, ainda gosto de escrever e me faz bem. Mas tenho deixado muitos hiatos nos últimos tempos aqui. Semanas sem escrever e por vezes, diversas reproduções, textos ótimos, mas que não são de minha autoria, preenchem um espaço que eu deveria escrever com mais frequência. Alguns podem até preferir as ocasiões em que os textos são de outros, não zangarei-me por isso. Porém este não é o escopo deste espaço.

No decorrer das últimas semanas, escrevi e agradeci a muitas pessoas que me incentivaram a escrever, às vezes diretamente outras indiretamente. E os textos seguiram um padrão que sempre gostei de usar aqui: Textos "pluri-direcionados", textos direcionados a várias pessoas, ou tipo/categoria de pessoas. Poucos textos que escrevi aqui não foram assim, talvez alguma mensagem direta, mas estas eu citava o destinatário de alguma forma.

Creio esta ser uma boa forma de escrever, pois possibilita alcançar pessoas que nem mesmo conheço, mas de alguma forma se identifica com o texto, com o personagem, com a mensagem.

Neste fim, gostaria de agradecer aos meus leitores conhecidos e desconhecidos, aos anônimos e declarados, a cada um que pelo menos uma vez passou por aqui e leu um texto. Foi por vocês que busquei manter uma constância. Muito obrigado.

Esta não é uma despedida. A partir de agora, buscarei escrever quando possível, sem a preocupação de ter sempre um texto novo aqui por semana, por isso, caso queira ser avisado quando um novo texto estiver disponível, deixe seu email no espaço "Receba as postagens por email".

E caso não tenha visto as postagens antigas, leia algumas. Tem muita coisa interessante que reproduzi, e algumas que escrevi que não ficaram ruins. E comente. Gosto de ler os comentários.

Até qualquer dia

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Começo do fim - parte 8

Começo do fim. E o fim do começo.

Depois de mais de 7 semanas de textos que no fim seguiram pelo rumo de toda gratidão pela inspiração que me fez começar e continuar a escrever. A cada texto um pouco de minha própria história foi mostrada, um pouco de mim, através das palavras, dos textos.

Alegrias e tristezas foram combustível para escrever. Os livros que li, os artigos, as histórias que ouvi... Cada detalhe vivido foi u incentivo e uma inspiração para começar, para continuar a escrever. Porém mais importante que isso foi a inspiração que me foi dada para aprender a viver. A inspiração para estar vivo a cada dia, para tentar ser melhor, estar melhor e viver melhor, pois minha vida já não é só minha, é compartilhada.

E tudo que vivi antes foi uma preparação para esse compartilhamento, que começou a cerca de uma década. E todos os textos, todas as homenagens a partir de então são para ela, mesmo quando não o são diretamente. O são pois escrever me faz bem, e se me faz bem, posso ser melhor.

Hoje, esse pequeno texto é para você. Pequeno pois as palavras não descrevem corretamente tudo.

Hoje e sempre minha gratidão, meu agradecimento é a você.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Começo do fim - parte 7

Gratidão tem sido algo muito constante para mim. Mesmo nos momentos de dor ou dificuldades, tenho tentado me manter grato. E essa onda de gratidão tem sido quase em todo o conteúdo desses últimos textos. A gratidão que me inspirou a escrever.

Seguindo essa linha, poderia seguir agradecendo a cada personagem de minha história, desde os atores principais até os coadjuvantes temporários. Mas todo esse processo poderia ser injusto se esquecesse algum. Por outro lado, antes de concluir toda a "sessão gratidão", preciso agradecer a alguns personagens, que não apenas inspiraram-me, mas me deram ensinamentos para vida toda.

E nem sempre são pessoas que permaneceram muito tempo, apenas o necessário para deixar a marca, o ensinamento e de maneiras imperceptíveis no momento, por serem coisas tristes ou que nos desagradam, certas vezes muito até.

Fechando os olhos lembro de um gramado, curiosamente palco do início de duas histórias bem diferentes, mas que, cada uma da sua forma, me trouxe um aprendizado gigantesco.  A primeira me ensinou o que eu sou, o que posso ser, me ensinou que eu existo perante o mundo a minha volta. Uma longa pausa e quando eu cri não ter mais o que aprender, aprendi mais ainda sobre valoração. Se em um primeiro momento eu cria na unicidade, que eu não tinha qualquer alternativa, num segundo momento vi quão errôneo era meu pensamento. Tinha alternativas e fizera minha escolha para o que melhor era para mim.

A ideia de falta de alternativas, fez a segunda história durar mais do que preciso. De forma intensa e veloz, aprendi principalmente a diferenciar o que era para mim e o que não era. Aprendi que certos caminhos poderiam ser ótimos para algumas pessoas, mas não serviam para mim. E nunca serviriam, não era questão de ter ou não alternativas, era simplesmente questão de ser eu.

Aprendi muito em ambos casos, e isso também molda o que hoje sou, molda o rumo das palavras que escrevo, mesmo se passando décadas. Sou parte do que eu escrevo, parte do que vivi, parte do que aprendi. Por isso sou grato a todos, inclusive aos que me feriram.