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quarta-feira, 26 de janeiro de 2022
Girassol
quarta-feira, 19 de janeiro de 2022
Vazio
Amanheci com uma sensação estranha.
Um vazio estranho dominava todo meu ser. Mente vazia, e uma sensação de absoluta ausência de tudo, inclusive de mim mesmo. Olhei para os lados e nada. Nada mesmo.
O quarto estava vazio, nem mesmo a cama da qual eu acabara de levantar estava ali. Em poucos passos percebi que toda casa estava vazia, nada nem ninguém. E eu estava tranquilo. Conforme eu andava, percebia que as próprias paredes perdiam sua materialidade. Em pouco tempo tudo a meu redor não passava de um imenso espaço vazio, como uma enorme sala de paredes, teto e piso brancos.
Sentei e deixei-me imergir naquela sensação que me acompanhava desde o despertar. Gradualmente comecei a me lembrar de vários momentos de minha vida, várias pessoas que conheci. Lembrei-me de você que está lendo, que eu posso conhecer, posso já ter visto, conversado ou não. Talvez todo contato que tenhamos tido tenha sido realmente por aqui: eu escrevendo, você lendo, comentando ou não.
E as lembranças se misturaram entre si, se misturaram com planos nunca realizados, com situações que nunca saíram do pensamento, projetos nunca saídos do papel. Em todo aquele espaço branco pintou-se uma tela de histórias, lembranças, planos, sonhos, todos misturados de uma forma que não consegui mais discernir o que era real ou imaginação.
Agora eu estava ali inerte, sem sentir meu próprio corpo como se eu fosse apenas toda aquela miscelânea de informações que ali estava passando naquela estranha tela branca. Por um momento acreditei que eu havia morrido. Sim, morri e toda minha vida estava passando diante dos meus olhos. Minha vida, meus sonhos, meus planos, as pessoas que conheci, as pessoas que deixei de conhecer, os caminhos que segui e aqueles que abandonei sem percorrer.
De repente ouço um barulho que me tira de todo aquele transe. Era como se algo arranhasse e rasgasse uma parte daquele espaço. Sim, era um arranhado, e eu conhecia aquele ritmo. Contudo, estava imóvel, não podia mover nem mesmo a cabeça para olhar. Pelo rasgo ele entrou, e atrás de si, o mesmo rasgo se fechou. Após observar-me, deitou-se a meu lado. E exatamente após ter deitado, cores invadiram as paredes, teto e chão. Cores aleatórias e disformes.
Custei a entender o que acontecia. Deitou a minha espera. Veio me buscar. Olhei bem para o alto e vi como um grande buraco de minhoca, e do outro lado ele lá, deitado em seu lugar habitual, dormindo. Entendi tudo. Deixou seu corpo descansando e veio me acompanhar.
Não me restava mais nada. Pela primeira vez desde que "acordara", fechei meus olhos e me deixei levar. Estava agora leve, não me mexia, não andava, mas meu corpo antes tenso estava relaxado e parecia levitar. Sem saber para onde estava indo deixei-me levar, e quando finalmente senti que parara, abri os olhos e já não sabia se voltara ou se estava em outro lugar.
Mas no alto ele dormia, como se nada houvesse acontecido. Se algo acontecera realmente.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2022
Deus é pai
Quando o sol ainda não havia cessado o brilho
Quando a tarde engolia aos poucos as cores do dia
E despejava sobre à terra
Os primeiros retalhos de sombra
Eu vi que Deus veio a sentar-se
Perto do fogão de lenha da minha casa
Chegou sem alarde, retirou o chapéu da cabeça
E buscou um copo de água num pote de barro
Que ficava num lugar de sombra constante
Ele tinha feições de homem feliz, realizado
Parecia imerso na alegria que é própria
De quem cumpriu a sina do dia
E que agora, recolhe a alegria cotidiana que lhe cabe
Eu o olhava e pensava
Como é bom ter Deus dentro de casa
Como é bom viver essa hora da vida
Em que tenho direito de ter um Deus só pra mim
Cair nos seus braços, bagunçar-lhe os cabelos
Puxar a caneta do seu bolso
E pedir que ele desenhasse um relógio bem bonito no meu braço
Mas aquele homem não era Deus
Aquele homem era meu pai
E foi assim que eu descobri
Que o meu pai com o seu jeito finito de ser Deus
Revela-me Deus com seu jeito infinito de ser homem
Compositores: Padre Fábio De Melo
quarta-feira, 5 de janeiro de 2022
O que é errado?
Um dia e pesquisas avulsas. Pesquisa uma coisa, que leva a outra, etc. Encontrei um site em que foi feita uma interpretação de alguns trechos bíblicos que o mal da sociedade moderna é a monogamia. Afirmavam que o amor é algo grandioso para ser restrito e principalmente o sexo deveria ser livre, pois é algo natural e para o qual o ser humano foi criado, assim como dos demais seres vivos. Afirmam ainda que a monogamia foi um conceito criado e inserido na sociedade com fins de maior controle social.
Lendo os textos sem preconceito à ideia apresentada, é possível até achar os argumentos são bons, plausíveis, porém eles os argumentos e a ideia vão de encontro a diversos conceitos e preceitos, religiosos e sociais.
Levanto esse ponto nesse início de texto, não objetivando defender alguma ideia poligâmica, nem mesmo discutir ou criticar tais ideias. Apenas quero apresentar um exemplo de ideia difundida entre algumas pessoas que contrariam o que creio ser o pensamento de uma grande maioria.
Não cabe aqui discutir o que é correto ou não, e sim perceber haver tanto que cremos, pensamos, tantos conceitos e preceitos que mesmo inconscientemente nos acompanham e ditam nossas ações. Há tanto que é socialmente aceite ou não... E há tanta gente que difunde ideias diferentes. O certo e o errado acabam não sendo coisas opostas, mas apenas dispostas lado a lado, e com uma fina película entre eles
Há quem goste de relacionamento aberto, e sinta-se bem com isso. E até quem busque alguma base religiosa para isso, como acabei encontrando. Posso discordar, mas desde que não seja prejudicial a mim e respeitem minha opinião, não vejo problema que façam e pensem o que quiserem.
Seria bom se as pessoas agissem respeitando as crenças e convicções dos outros. Estaríamos num mundo melhor, mas infelizmente muitos querem impor suas posições, crenças…
Em minha opinião, a imposição de ideias sempre será um problema, e a maior culpada dos problemas no mundo.
Sonho com um mundo em que todos respeitem a diversidade de ideias, opiniões e opções.
Meu mundo desejado é utópico
sexta-feira, 31 de dezembro de 2021
2022...
Já escrevi um pouco sobre as perspectivas para o novo ano na mensagem de Natal. Entretanto, cri ser bom escrever um pouco mais hoje, dia que o ano se encerra.
Poucas vezes em minha vida senti o que estou prestes a escrever: "apaguem 2021" e vamos começar de novo. Em geral, mesmo nos anos mais difíceis, costumo afirmar que tirei grandes ensinamentos do ano, das dificuldades, etc. Não, caro leitor, não quero afirmar que dessa vez não aprendi absolutamente nada, pelo contrário, aprendi muito entre erros e acertos, mas pela primeira vez acredito que poderia aprender em qualquer ano, qualquer situação diversa da que se passa.
Contudo, prefiro encarar esse ano como o segundo filme de uma trilogia: normalmente não é um bom filme, mas uma conexão entre o primeiro, que trouxe todo o enredo da história e o terceiro que virá com o desfecho e, na grande maioria dos filmes, o "final feliz". Será que conseguimos?
Dois mil e vinte trouxe grandes desafios, limitações, medos e dúvidas, que se prolongaram por todo esse ano, porém, tivemos uma ponta de esperança nos últimos meses. Uma esperança que realmente podemos fazer de dois mil e vinte dois, um ano de grande conclusão dessa fase de incertezas. Um grande desfecho desse enorme, e em muitos casos doloroso, aprendizado.
Nessa linha, me perguntaram sobre metas para o novo ano. Minha única meta é chegar ao fim do ano vivo e bem de saúde. Não é pessimismo ou algo do tipo. Resolvi não fazer metas, não ter metas e viver dia a dia. Tenho planos que vou concluindo conforme é possível, e espero continuar dessa forma.
Acredito que esse ano será de surpresas. Não importa se boas ou ruins, será de surpresas. E dependerá de nós transformarmos o que for uma "surpresa ruim" em oportunidade de fazermos melhor, de mudarmos para algo melhor.
Que assim seja! Feliz 2022 e uma vida feliz a todos
sexta-feira, 24 de dezembro de 2021
Então é Natal...
quarta-feira, 15 de dezembro de 2021
Mensagens obsoletas III
Das indas e vindas até as palavras perdidas de tempos sem referência. Tudo ocorreu como um grande turbilhão, um verdadeiro maremoto, meu caro. Um turbilhão que movimentou todos os alicerces e crenças que eu tinha, até não haver sentimentos ou palavras que bastassem em meu entendimento. No fim eu não entendia absolutamente nada, pois antes não sabia e continuei sem saber, me deixando levar pela onda que fora levantada por tamanho fenômeno.
Contudo, os pensamentos, os sonhos, os planos, todos dependem intrinsecamente da entrega e da verdade. Quando um desses falha, o ‘tsunami’ apenas passa e deixa o rastro de destruição no caminho. Os cacos, os escombros precisam ser recolhidos, edificações e ruas reparadas, mesmo que nunca voltem a ser como antes. E não voltam. Não devem voltar. Há de se aproveitar que à terra foi revolvida e prepará-la para melhores plantios e melhores colheitas.
Entre indas e vindas, reconstruções constantes, entre erros que recebia e ofertava também, aprendi a ser melhor, não para alguém, como um dia almejei ser, mas para mim mesmo. Sendo melhor para mim, seria invariavelmente melhor para quem esteja por perto, quem queira estar.
Entre buscas em vazio, aprendi a valorizar o que existe, agradecer o que me é ofertado, e mais tarde a recusar gentilmente o que não cabe a mim. Mesmo após um longo tempo, busquei uma verdade que cri existir, em meio a certezas e incertezas. Entreguei verdades, questionei verdades e recebi palavras duvidosas. Não pude remar mais.
Edificações e ruas reconstruídas após a intempérie. Porém, o rio mudou seu curso, e meu barco já não poderia navegar em um lugar que sinto ser só de pedras, mesmo que me digam ter um vasto calado.
Meu velho e obsoleto barco. Mas ele é que me leva adiante.