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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Mais um dia...

Começa mais um dia e não sinto mais a "diferença de eras". Não olho mais para trás pensando no passado, nem fico vislumbrando o futuro incerto, entre sonhos e devaneios inúteis.

Cumpro minha rotina matinal e saio. Não, hoje não terei trabalho. Alguém, que não foram os trabalhadores, decidiu que hoje devemos parar para pressionar a empresa a nos dar o que ela já daria, mas que por pura política não dará até "ser pressionada" por greves. A mesma ladainha diária, o mesmo todos os anos, passados e futuros. Mesmo assim vou até lá, checo que ninguém entrou nem entrará hoje.

Resolvo caminhar um pouco, feliz pela temperatura ter baixado o suficiente para ficar suportável andar pelas ruas. Os dias quentes ficaram para trás, pelo menos por hora, o que indica ser um bom momento para fazer o que necessário for pelas tumultuadas ruas dos arredores.

Enquanto caminho, meu telefone chama. Sinto sua vibração, mas não atendo. Quando chegar a algum lugar seguro, atenderei ou olharei quem ligou. Maior parte das vezes ou são pessoas que se enganaram ou propaganda de operadoras, querendo me oferecer algum plano mega-ultra-bom, que me fará pagar mais que minha média de cerca de R$ 10,00 por mês. Não vale o risco de sequer esboçar reação de que estou com telefone.

Paro em uma loja, onde quero comprar algumas coisas e lembro do telefone. Quando pego para olhar quem ligou, ele toca novamente. Por que está me ligando? Já não sei precisar a quanto não nos falamos, mas tenho certeza que nada tenho a falar com aquela pessoa. Mesmo assim atendo, não sei bem se por educação ou curiosidade. Do outro lado uma torrente de informações, desde pedidos de desculpas à promessas de dias diferentes, algo que já escutara antes, e mais de uma vez.

Me desligo completamente do que estou ouvindo e minha mente vai ao longe, enxergando possíveis consequências de quaisquer palavras que eu diga. Enxergo como se toda aquela cena tivesse acontecido antes, em cada detalhe. Será que já aconteceu realmente e por algum motivo estou revivendo aquele momento? Ou estou tendo algum surto premonitório estranho?

Enxergo fatos, consequências, consequências de fatos, um emendando no outro sem que cessem ou se atropelem. Já não escuto mais aquela irritante voz chorosa... Será que já a ouvira antes, ou tudo não passa da minha imaginação? Não sei, não faço a mínima ideia, só sei que não há nada de bom no que vejo. Tristeza, destruição, vida de pessoas que ainda nem conheço sendo tristemente ruim. Sim, ainda não conheço, porque a sensação é de que farão parte da minha vida em algum momento, só não sei quando. E o principal naquele momento não me vejo bem, nada bem.

"Ei, você está me ouvindo?" - clama a voz ao telefone. Sim estou ouvindo, pelo menos agora. E tudo que posso dizer é a verdade. Não sei explicar o porque (seria difícil explicar sem parecer louco que enxerguei a consequência de minha resposta), mas não há palavras para um futuro bom que eu possa dizer. As desculpas podem ser aceitas, quem sou eu para condenar alguém, mas de todo o restante nada posso dizer além de "siga teu plano, siga teu rumo".

Sim, fui xingado e caluniado de todas as formas, porém senti-me bem. Foi o certo a se fazer, e no fundo senti que o certo foi adiado inutilmente. Deveras teria sido o dito anos atrás, quando algo similar acontecera, ao tocar o telefone de casa e ludibriado pelas palavras não enxergara como agora.

Ao terminar a chamada, olho para o telefone e vejo que não há qualquer chamada perdida ou recebida. Será que eu que liguei? Não, nenhuma chamada efetuada, nem mesmo aquele número nos contatos. Número? Lembro que o número fora desativado há tempos, tenho certeza disso. O que acabara de acontecer?

Ainda confuso, guardo meu telefone e continuo caminhando dentro da loja. Já não sei mais o que iria comprar ali, e na verdade pouco importa. Apenas tento entender o que se passou naqueles poucos minuto em que fiquei ali, parado com o telefone na mão.

O desenlace mental definitivo. Algo que deveria ter sido feito anos atrás, e agora enxerguei com clareza. Nada depois daquele dia fora significativo, ou tivera base suficiente, apenas desgastante. Mas o enlace mental ficara adormecido desapercebido. E agora rompera-se, anunciando dias melhores. De certa forma sentira isso naquele momento, enquanto caminhava pela minha mente agora passavam-se cenas desconhecidas de erros e acertos, mas coisas novas, erros novos, acertos novos. Uma vida que eu teria pela frente, com menos um peso a carregar.

Não, caro leitor, aquela chamada não acontecera, nem nenhuma outra após aquele dia, porém a mudança estava feita. Se eu já não era mais o mesmo depois daquele fatídico dia, desde o qual comecei a ter esses "estalos", agora tinha certeza que mais algo mudara em mim. Não sinto mais a "diferença das eras".

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Despedida em uma noite fria

Já era noite quando me despedi dela. Um abraço e o costumeiro "se cuida", que para nós sempre foi um até logo. E sempre era, durantes meses, anos e décadas.Convivíamos assim, o que era bom para ambos: sem interesses físicos, materiais ou sentimentais, apenas duas pessoas que conversavam enquanto dividiam o mesmo espaço, nada mais.

Fui caminhando para casa, afinal morava a apenas algumas quadras dali. Sempre caminhara, mesmo podendo atravessar a rua e ir de ônibus ou ainda atravessar a passarela e pegar um metro. Algumas quadras, nada que levasse mais que uma hora, mas era uma hora em que todos os pensamentos se alojavam, tudo que acontecera durante o dia encontrava seu encaixe no "cubículo" pertinente em minha mente.

Entretanto, naquela noite, algo havia de diferente. Aquele "se cuida" que dissemos ficou remoendo em minha mente, se repetindo a cada passo que dava. Um sensação de que aquele até logo mascarado, seria bem longo.

Um vento frio soprou e puxei o capuz do casaco. Havia anos que não fazia frio naquela cidade, muitos anos. Uma noite com 8°C? Não lembrava quando fora a última vez que vi. Precisava apertar o passo, caminhar me aqueceria. Mas dentro de mim, o frio de minha alma é que mais me assolava. A lugubre sensação de que algo aconteceria.

Parado sinal, vejo um carro em alta velocidade, seu farol alto ofusca minha visão por alguns segundos e só ouço-o freiar abruptamente antes do barulho da batida; alguns metros a frente bateu com força no poste. O carro quase destruído, o motorista ileso sai, já falando ao celular ou ainda falando; bem possível que dirigisse falando, por isso batera. Está bem, está vivo. Uma pequena multidão se aglomera para ver o ocorrido. Eu, continuo parado alguns momentos ainda, olhando fixo para a cena já encoberta pelos curiosos. Sei dentro de mim, que um dia ele não escapará. Por alguns segundos enxergo aquele mesmo motorista preso entre as ferragens já sem vida. Mais uma vez, eu vejo algo que ainda não aconteceu.

Retorno a caminhar, ainda estou longe e quanto mais tarde ficar mais deserta a rua ficará, e o perigo aumentará. Em minha mente ainda ecoava a despedida proferida naquela noite: ambas vozes dizendo "Se cuida. Até." Levaria ainda uns quarenta minutos até chegar em casa, então resolvi me concentrar na frase. Teria tempo de sobra para descobrir o porquê de estar tão retumbante em minha cabeça.

Comecei a lembrar de pessoas que há muito não via. Amigos, colegas e passantes que durante algum tempo fizeram parte de minha vida. Gente bacana, outros nem tanto, mas todos com sua importância na minha vida até ali, todos me ajudaram a chegar até aquele ponto de minha trajetória. Senti um vazio por dentro como se naquele momento cada um deles abandonasse meu ser, minhas lembranças; uma retirada coletiva após o reconhecimento do dever cumprido.

Senti-me leve e naquela hora tive a certeza: não voltaria a vê-la, aquela havia sido a despedida. Quem dera soubesse isso antes, mesmo tendo aquela sensação desde o momento em que saímos em direções opostas. Talvez no fundo do meu ser, eu realmente soubesse, o histórico demostrava que assim seria, porém uma parte de mim quereria acreditar que poderia ser diferente.

Naquele momento, diante da certeza que pairava em mim de que pela última vez me despedi daquela pessoa com quem convivi tanto tempo, só gostaria de ter dito mais uma palavra a ela: obrigado.

Nos últimos dez minutos de caminhada naquela noite fria, eu só desejava que aonde estivesse, por onde passasse até o fim de sua vida, ela soubesse o quanto as palavras trocadas ou a falta delas foram importantes. Assim como desejava que cada uma daquelas pessoas de quem me lembrei soubessem o mesmo.

Abri a porta do prédio em que moro, e olho uma última vez para a rua naquela noite fria, e sem perceber sorrio, já com a mente vazia. Hora de seguir adiante, e deixar as boas lembranças para trás, assim como as ruins.Que descanse em paz, sem lágrimas e sem dor.

Aos curiosos que possam querer saber, estava certo quanto a isso: aquele foi o último abraço, as últimas palavras, assim como fora com tantos outros e será com outros mais.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Encerrando Ciclos


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. 

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? 
Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? 
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? 

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. 

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. 

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

(Autor desconhecido)

terça-feira, 5 de abril de 2016

Cinco atitudes

O texto a seguir é adaptado de uma história de Portia Nelson:

1 – Eu caminho pela rua. Existe um buraco na calçada. Eu estou distraído, pensando em mim, e caio lá dentro. Me sinto perdido, infeliz, incapaz de pedir ajuda. Não foi minha culpa, mas de quem cavou aquele buraco ali. Eu me revolto, fico desesperado, sou uma vítima da irresponsabilidade dos outros, e passo muito tempo lá dentro.

2 – Eu caminho pela rua. Existe um buraco na calçada. Eu finjo que não vejo, aquilo não é meu problema. Eu caio de novo lá dentro. Não posso acreditar que isto aconteceu mais uma vez, devia ter aprendido a lição, e mandado alguém fechar o buraco. Demoro muito tempo para sair dali.

3 – Eu caminho pela rua. Existe um buraco na calçada. Eu o vejo. Eu sei que ele está ali, porque já caí duas vezes. Entretanto, sou uma pessoa acostumada a fazer sempre o mesmo trajeto. Por causa disso, caio uma terceira vez; é o hábito.

4 – Eu caminho pela rua. Existe um buraco na calçada. Eu dou a volta em torno dele. Logo depois de passar, escuto alguém gritando – deve ter caído naquele buraco. A rua fica interditada, e eu não posso seguir adiante.

5 – Eu caminho pela rua. Existe um buraco na calçada. Eu coloco tábuas em cima. Posso seguir meu caminho, e ninguém mais tornará a cair ali.

Quantas vezes agimos assim, vendo um problema e achando que é culpa de outro, e no fim somos afetados, e não podemos seguir nosso caminho. Culpamos outros, esperamos que os problemas se resolvam sem nossa interferência. Ignoramos inclusive algo que pode nos atrapalhar por não ser de nossa responsabilidade.

Precisamos aprender que é chegada a hora de fazer o que está a nosso alcance para um mundo cada vez melhor paras todos nós.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Interpretação: Os Cegos do Castelo

Os Cegos do Castelo é uma composição de Nando Reis, ainda da época de Titãs, que tem um significado muito grande. Em entrevista, Nando Reis afirmou que a compôs na época em que estava largando seu vício em drogas, o qual atrapalhou até sua carreira no Titãs.




Pra mim, Os Cegos do Castelo é uma música que transmite, acima de tudo, esperança. Tem algo sobre perspectivas de vida nela, sobre seguir em frente. E seguir em frente implica necessariamente em superar algo que atrapalhava o caminho. Mas não é dessa pedra no caminho que a música fala, é do processo de superá-la. E talvez seja por isso que a letra comporte tantas interpretações.

O cenário que, imediatamente, cria-se em minha cabeça quando ouço Os Cegos do Castelo é de alguém que deixa para trás uma fase de sua vida, de erros e dores, em busca de dias bem melhores. Talvez isso esteja relacionado com o uso de drogas, talvez não. Mas isso nem é algo tão importante para o sentindo geral que a canção busca passar.

Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço
E vou a pé até encontrar
Um caminho, o lugar
Pro que eu sou


Talvez essa estrofe seja a que mais explicite a questão do vício. Os espinhos seriam analogias para as drogas. Muitas vezes o consumo de drogas ilícitas, como muito ocorre com o álcool, é mais uma forma de escape do que qualquer outra coisa. Mesmo quem nunca consumiu drogas, pode identificar-se com essa fuga da realidade, todos somos tentados a escapar em algum momento.

Escapar do mundo real e do inferno que se imagina que ele é. E agora, já não enxerga mais a razão de sua fuga, não quer mais viver mentirar, se ferir sem motivo com coisas que parecem boas e só trazem dor. Então se despede da "cegueira" desse mundo irreal que no início parece uma vida de rei, mas depois só traz dores. E vai, caminha para reencontrar-se, acorda para a vida, para o que é.


Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou


Dormir, desligar-se do mundo a seu redor, mesmo acordado. Deprimido com a vida que leva, esperando apenas a morte, e em certas vezes pensando em apressá-la. Não quer mais dormir, quer aproveitar a vida, acordado, de olhos bem abertos, sentindo tudo, vivendo tudo. Nada mais de pensamentos suicidas. Aos poucos recuperando sua fé, recuperando sua esperança e deixando de lado aquele destino azarado que o esperava.

E se você puder me olhar
E se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar
Eu vou cuidar, eu cuidarei dele
Eu vou cuidar
Do seu jardim
Eu vou cuidar, eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar, e de você e de mim


Não quer mais a solidão que tinha. Está pronto para recomeçar, dar um sentido e um futuro bom para seus dias. Quer achar e ser achado, cuidar e ser cuidado. Sente que com alguém especial será capaz de ser mais e melhor.

Dedico essa música a minha amada, que me "achou" e "permitiu-se ser achada" para que pudéssemos cuidar um do outro, deixando as tristezas para trás, e ser mais e melhores para nós mesmos. Amo-te!

domingo, 27 de março de 2016

Páscoa

Páscoa é uma data especial. Mesmo não sendo igualmente celebrada, tem uma importância histórica e religiosa maior que Natal e outras festas, afinal nascer todos nascemos, mas ressuscitar somente Deus.

Para os judeus, a lembrança a aliança com Deus, que o libertou da escravidão no Egito e que ao longo das eras os acompanhou em suas conquistas, sempre que mantiveram a fé nEle. Para os cristãos, celebra-se a ressurreição do próprio Deus feito homem, Jesus Cristo.

Passamos pelo chamado Tríduo Pascal: sexta-feira da Paixão e morte de Cristo, sábado da ‘espera junto ao túmulo’, e o domingo de Páscoa. Gostaria de fazer um convite especial a cada um, inclusive a quem não tem religião, ou segue uma linha religiosa diferente: Esteja onde estiverem, viajando, aproveitando o longo feriado da maneira que for, reservem alguns minutos, para pensar a respeito do significado da Páscoa, de tudo que essa importante data nos traz.

Cristo (Salvador, Deus, ou profeta, não importa no que crês) pregou a possibilidade de uma vida melhor para o povo. Não guerreou, não cometeu nenhum crime, apenas quis o melhor não apenas para quem o seguia, mas para todos sem exceção. Fazer o povo acreditar em sua própria capacidade, fez os poderosos da época temerem, e por isso o mataram com a pior morte da época: a morte em cruz. Ele sabia que isso aconteceria, mas não desistiu do que era certo, daquilo que era sua missão, e similar aos sacrifícios que povo na antiguidade fazia, entregou-se para perdão dos pecados da humanidade.

Quantas vezes hoje em dia isso acontece? Pessoas que não temem defender o que é o certo, não temem querer o bem das pessoas, mesmo que sem recompensa alguma, ou pior sendo ridicularizadas, e até mesmo mortas por querer o bem aos demais? Mesmo assim não desistem. Por quê? Por que existe a “ressurreição”, aquele bem ‘plantado’ dará frutos, mesmo que demore mais do que 3 dias.

Permita “morrer” tudo aquilo que te faz mal a você e às pessoas a seu redor. Permita-se ressurgir para uma vida melhor onde cada pessoa a seu redor é importante. Não é fácil, mas é preciso. Se cada um fizer sua parte, teremos um mundo bem melhor para todos. Mesmo que essa “semente” demore para dar frutos, valerá a pena. Faça as pazes com quem estás brigado, agradeça e peça perdão. Leve uma vida mais leve para teu espírito. Com certeza, sua vida será bem melhor.

Uma Feliz Páscoa, de muita paz. E uma vida muito mais feliz a partir de agora e para todo sempre.






“Tenho andado a teu lado, junto a ti permanecido, Eu te levo em meus braços, pois sou teu melhor amigo.
  Ninguém te ama como Eu. Olhe para cruz, foi por ti, porque te amo”

                                                                                                                                                Jesus Cristo

quarta-feira, 23 de março de 2016

Tríduo Pascal - Hora de reflexão e oração

A palavra tríduo na prática devocional católica sugere a ideia de preparação. Às vezes nos preparamos para a festa de um santo com três dias de oração em sua honra, ou pedimos uma graça especial mediante um tríduo de preces de intercessão.

O tríduo pascal se considerava como três dias de preparação para a festa de Páscoa; compreendia a quinta-feira, a sexta-feira e o sábado da Semana Santa. Era um tríduo da paixão.

No novo calendário e nas normas litúrgicas para a Semana Santa, o enfoque é diferente. O tríduo se apresenta não como um tempo de preparação, mas sim como uma só coisa com a Páscoa. É um tríduo da paixão e ressurreição, que abrange a totalidade do mistério pascal. Assim se expressa no calendário:

Cristo redimiu ao gênero humano e deu perfeita glória a Deus principalmente através de seu mistério pascal: morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida. O tríduo pascal da paixão e ressurreição de Cristo é, portanto, a culminação de todo o ano litúrgico, logo estabelece a duração exata do tríduo.

O tríduo começa com a missa vespertina da Ceia do Senhor na quinta-feira, alcança seu cume na Vigília Pascal e se fecha com as vésperas do Domingo de Páscoa.

Esta unificação da celebração pascal é mais acorde com o espírito do Novo Testamento e com a tradição cristã primitiva. O mesmo Cristo, quando aludia a sua paixão e morte, nunca as dissociava de sua ressurreição. No evangelho da quarta-feira da segunda semana de quaresma (Mt 20,17-28) fala delas em conjunto: "O condenarão à morte e o entregarão aos gentis para que d'Ele façam escarnio, o açoitem e o crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará".

É significativo que os pais da Igreja, tanto Santo Ambrosio como Santo Agostinho, concebam o tríduo pascal como um todo que inclui o sofrimento do Jesus e também sua glorificação. O bispo de Milão, em um dos seus escritos, refere-se aos três Santos dias (triduum illud sacrum) como aos três dias nos quais sofreu, esteve no túmulo e ressuscitou, os três dias aos que se referiu quando disse: "Destruam este templo e em três dias o reedificará". Santo Agostinho, em uma de suas cartas, refere-se a eles como "os três sacratíssimos dias da crucificação, sepultura e ressurreição de Cristo".

Esses três dias, que começam com a missa vespertina da quinta-feira santa e concluem com a oração de vésperas do domingo de páscoa, formam uma unidade, e como tal devem ser considerados. Por conseguinte, a páscoa cristã consiste essencialmente em uma celebração de três dias, que compreende as partes sombrias e as facetas brilhantes do mistério salvífico de Cristo. As diferentes fases do mistério pascal se estendem ao longo dos três dias como em um tríptico: cada um dos três quadros ilustra uma parte da cena; juntos formam um tudo. Cada quadro é em si completo, mas deve ser visto em relação com os outros dois.

Interessa saber que tanto na sexta-feira como na sábado santo, oficialmente, não formam parte da quaresma. Segundo o novo calendário, a quaresma começa na quarta-feira de cinza e conclui na quinta-feira santa, excluindo a missa do jantar do Senhor 1. na sexta-feira e na sábado da semana Santa não são os últimos dois dias de quaresma, mas sim os primeiros dois dias do "sagrado tríduo".

Pensamentos para o tríduo.

A unidade do mistério pascal tem algo importante que nos ensinar. Diz-nos que a dor não somente é seguida pela alegria, senão que já  contém em si. Jesus expressou isto de diferentes maneiras. Por exemplo, na última ceia disse a seus apóstolos: "Se entristecerão, mas sua tristeza se trocará em alegria" (Jo 16,20). Parece como se a dor fosse um dos ingredientes imprescindíveis para forjar a alegria. A metáfora da mulher com dores de parto o expressa maravilhosamente. Sua dor, efetivamente, engendra alegria, a alegria "de que ao mundo lhe nasceu um homem".

Outras imagens vão à memória. Todo o ciclo da natureza fala de vida que sai da morte: "Se o grão de trigo, que cai na terra, não morre, fica sozinho; mas se morrer, produz muito fruto" (Jo 12,24).

A ressurreição é nossa páscoa; é um passo da morte à vida, da escuridão à luz, do jejum à festa. O Senhor disse: "Você, pelo contrário, quando jejuar, unja-se a cabeça e se lave a cara" (MT 6,17). O jejum é o começo da festa.

O sofrimento não é bom em si mesmo; portanto, não devemos buscá-lo como tal. A postura cristã referente a ele é positiva e realista. Na vida de Cristo, e sobre tudo na sua cruz, vemos seu valor redentor. O crucifixo não deve reduzir-se a uma dolorosa lembrança do muito que Jesus sofreu por nós. É um objeto no que podemos nos glorificar porque está transfigurado pela glória da ressurreição.

Nossas vidas estão entretecidas de gozo e de dor. Fugir da dor e as penas a toda custa e procurar gozo e prazer por si mesmos são atitudes erradas. O caminho cristão é o caminho iluminado pelos ensinos e exemplos do Jesus. É o caminho da cruz, que é também o da ressurreição; é esquecimento de si, é perder-se por Cristo, é vida que brota da morte. O mistério pascal que celebramos nos dias do sagrado tríduo é a pauta e o programa que devemos seguir em nossas vidas.

Fonte:http://www.acidigital.com/fiestas/pascoa/triduo.htm