Onde está o tempo que eu tinha? Onde estão meus dias? Sinto que os perco sem perceber...
Houve dias em que trabalhava, estuda algo, lia, escrevia e ainda tinha tempo para descansar vendo televisão, ou usando o computador...
Hoje acordo mais cedo, durmo mais tarde e já não me resta tempo para quase nada. Pouco leio, pouco escrevo, pouco estudo, pouco vivo. Já não tenho energia ou disposição para quase nada.
Nem mesmo para terminar este texto...
Opiniões, comentários e assuntos do momento, diretamente da cabeça de um escritor errante porque não para no meio do caminho e também erra.
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
Crônicas de Mago - Capítulo 6
Caminho como faço há muito tempo. Já não tenho mais a força de outrora, mas mantenho meus passo, mesmo que nem tão firmes, sem desistir.
Olho e ao longe vejo uma figura conhecida: Anjo. Vejo sem ser visto, e quem o acompanha também conheço, ambos personagens de velhas histórias contraditórias. Fazem parte de passos já dados, lições já aprendidas, e histórias já recontadas ou simplesmente esquecidas. Mas me traz uma certeza já antiga, de que nunca de fato tivera um escudeiro presente.
Houve tempo em um povoado chamado tukrO que se dizia que Anjo acompanhava um certo guerreiro, já há tempos. Questionara-o a respeito, que negou veementemente, com ressalvas de indignação com tal informação.
Hoje olho e sorrio. Talvez já o acompanhe desde a época que me prometera presença nos campos de batalha, mas cumpriu sua missão mesmo que em campos ilusórios. Fora um grande aprendizado sem dúvida, mesmo por vezes tendo meu escudo desamparado, caído ao chão me expondo ao perigo. Sobrevivi, isso foi o importante.
Olho novamente e não mais os vejo. Sento em uma pedra, e olho a vastidão a minha frente, um deserto conhecido, no qual me sinto seguro. Resolvo escrever algumas linhas com um velho carbono. Uma via será queimada, para que o vento decida aonde levar. A outra será enterrada nas areias, a espera que alguém a encontre. Não sei ao certo quantas serão escritas, talvez três, talvez trezentas. Talvez sejam todas de uma vez, ou uma a cada século... O importante é colocar no papel as palavras, e deixar que se decidam que rumo tomar.
Olho e ao longe vejo uma figura conhecida: Anjo. Vejo sem ser visto, e quem o acompanha também conheço, ambos personagens de velhas histórias contraditórias. Fazem parte de passos já dados, lições já aprendidas, e histórias já recontadas ou simplesmente esquecidas. Mas me traz uma certeza já antiga, de que nunca de fato tivera um escudeiro presente.
Houve tempo em um povoado chamado tukrO que se dizia que Anjo acompanhava um certo guerreiro, já há tempos. Questionara-o a respeito, que negou veementemente, com ressalvas de indignação com tal informação.
Hoje olho e sorrio. Talvez já o acompanhe desde a época que me prometera presença nos campos de batalha, mas cumpriu sua missão mesmo que em campos ilusórios. Fora um grande aprendizado sem dúvida, mesmo por vezes tendo meu escudo desamparado, caído ao chão me expondo ao perigo. Sobrevivi, isso foi o importante.
Olho novamente e não mais os vejo. Sento em uma pedra, e olho a vastidão a minha frente, um deserto conhecido, no qual me sinto seguro. Resolvo escrever algumas linhas com um velho carbono. Uma via será queimada, para que o vento decida aonde levar. A outra será enterrada nas areias, a espera que alguém a encontre. Não sei ao certo quantas serão escritas, talvez três, talvez trezentas. Talvez sejam todas de uma vez, ou uma a cada século... O importante é colocar no papel as palavras, e deixar que se decidam que rumo tomar.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
Conto de Amor
"Quando servi o Exército eu me tornei especialista em bombas. Sei fabricar qualquer tipo de bomba portátil, muito usada por terroristas. A bomba que eu estava fazendo tinha que ter efeito fulminante, para que a vítima nada sofresse. E antes da explosão, era necessário que fosse emitido um feixe de luz radiante que fizesse a vítima perceber a iminência da explosão.
A pessoa que eu queria matar era o meu filho João.
Minha mulher Jane estava grávida quando fui enviado ao exterior com um contingente do Exército a serviço das Nações Unidas. Fiquei ausente cerca de dois anos. Escrevia constantemente para Jane e ela respondia. Quando o meu filho nasceu e recebeu o nome de João, as cartas de Jane ficaram bem estranhas. Ela dizia que precisava falar comigo uma coisa muito séria, mas não sabia como. Eu respondia impaciente para ela dizer de qualquer maneira, mas ela persistia na falta de clareza, que cada vez piorava mais. Afinal, Jane deixou de responder minhas cartas.
Quando voltei da missão da ONU, corri para casa assim que desembarquei no aeroporto.
Jane abriu a porta para mim. Seu aspecto me surpreendeu. Estava envelhecida, pálida, parecia doente.
“Onde está o João?”, perguntei. Jane começou a chorar convulsivamente, apontando a porta do quarto onde ele estava.
Entrei no quarto, seguido de Jane.
João estava deitado no berço, um menino lindo, que ao me ver deu um sorriso. Peguei-o no colo.
Então, tive uma surpresa que me deixou atônito. João só tinha uma perna e um braço, eram os únicos membros que possuía.
Jane estendeu-me um papel, todo amassado, uma receita médica onde estava escrito: esta criança sofre de focomelia, uma anomalia congênita que impede a formação de braços e pernas. Jane cuidava do João com o maior cuidado e com grande carinho. Mas ela definhava cada vez mais e morreu quando João tinha seis anos. Eu dei baixa no Exército para poder cuidar do meu filho. Quando eu perguntava se ele queria alguma coisa, ele dizia “Eu quero ir para a guerra”.
Sua deficiência física se agravava com a idade. Ele tinha 15 anos, mas não podia andar, estava impossibilitado de exercer as mínimas atividades físicas.
“Eu quero ir para a guerra, papai”, ele pediu mais uma vez.
Então decidi que ele iria à guerra. Foi quando preparei a bomba.
Com a bomba na mão eu disse: “Meu filho, você foi convocado para ir à guerra.”
“Obrigado, meu pai querido, eu te amo muito.”
Eu o amava mais ainda.
Coloquei a bomba na sua mão.
“Essa bomba vai explodir. É a guerra”, eu disse.
“É a guerra”, ele repetiu feliz.
Saí do quarto onde estava. Pouco depois vi o clarão.
João também viu esse clarão, feliz, antes da bomba explodir, matando-o.
Eu amava o meu filho.
Rubem Fonseca
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
Advento
Estamos no advento, período litúrgico que antecede o Natal. É uma época de reflexão e espera pela celebração do nascimento de Jesus Cristo.
O Advento é tempo de alegria, espera e esperança. Um momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. Neste período, há o despojamento das igrejas, é usada a cor roxa, não se canta o hino do Glória e as leituras ajudam a refletir sobre o mistério do Cristo que virá no final dos tempos. Dom Armando explica que a melhor preparação para este tempo é vivenciar atentamente às propostas da liturgia que, com riqueza de mensagens, vai conduzindo quem acolher o que a Palavra propõe.
Existem diversos simbolos que são utilizados em época de Natal, e em vez de escrever um pouco sobre cada símbolo, deixo uma playlist de vídeos curtos, onde cada um é explicado. Vale muito ver e conhecer.
Símbolos de Natal
O Advento é tempo de alegria, espera e esperança. Um momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. Neste período, há o despojamento das igrejas, é usada a cor roxa, não se canta o hino do Glória e as leituras ajudam a refletir sobre o mistério do Cristo que virá no final dos tempos. Dom Armando explica que a melhor preparação para este tempo é vivenciar atentamente às propostas da liturgia que, com riqueza de mensagens, vai conduzindo quem acolher o que a Palavra propõe.
Existem diversos simbolos que são utilizados em época de Natal, e em vez de escrever um pouco sobre cada símbolo, deixo uma playlist de vídeos curtos, onde cada um é explicado. Vale muito ver e conhecer.
Símbolos de Natal
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
Bohemian Rhapsody.
Em tempos em que, por causa do filme, a música e o Queen estão sendo relembrados, republico essa imagem muito legal que encontrei no site "Tudo Kibado". Aconselho a verem a imagem ouvindo a musica Bohemian Rhapsody do Queen. Quem não a tem, pode deixar rolar o áudio daqui. Curtam e se divirtam com essa bela música.
quarta-feira, 7 de novembro de 2018
Incompletos - parte 5
Confiança. Certas vezes é algo bom, mas em alguns casos pode ser mortal.
Eu estava confiante. Já fizera aquilo muitas vezes, inclusive nos dias anteriores. Ali seria apenas mais uma repetição do mesmo, além de que eu possuía todos os recursos necessários, em caso de algum problema.
E o problema surgiu. E em poucos segundos passei da tranquilidade ao desconhecimento, e no caso o desconhecimento poderia ser fatal. Não sei ao certo como começou, só lembro da escuridão total e nos segundos seguintes já não conseguia respirar. Tomei um impulso, buscando o ar que me faltava e sentia uma pressão no meu peito que não permitia o ar de entrar. Tentei sair do lugar, mas parecia que nem me movia.
E da confiança ao desespero foi algo que não passou de um minuto. E por alguns segundos imaginei que seria meu fim. Um doce fim, talvez da forma e ambiente que "mais agradasse". Forma? Forma tola e desnecessária. E o tempo precoce em demasia.
Da mesma forma que caí no esquecimento total, tudo voltou a tona: eu sabia sair da situação, só precisa respirar um pouco que fosse a cada passo, por mais que a pressão no peito impedisse.
Segui, e agora percebia que me movia, devagar, mas o necessário. Sem folego, mas não sem forças, parava, retomava o ar e prosseguia, pouco a pouco. Não sei quanto tempo durou o processo, mas depois senti que minhas forças voltavam cada vez mais, até que eu chegasse de volta a confiança que perdera.
Confiança sim, mas com segurança. Basta estar calmo e certo.
Eu estava confiante. Já fizera aquilo muitas vezes, inclusive nos dias anteriores. Ali seria apenas mais uma repetição do mesmo, além de que eu possuía todos os recursos necessários, em caso de algum problema.
E o problema surgiu. E em poucos segundos passei da tranquilidade ao desconhecimento, e no caso o desconhecimento poderia ser fatal. Não sei ao certo como começou, só lembro da escuridão total e nos segundos seguintes já não conseguia respirar. Tomei um impulso, buscando o ar que me faltava e sentia uma pressão no meu peito que não permitia o ar de entrar. Tentei sair do lugar, mas parecia que nem me movia.
E da confiança ao desespero foi algo que não passou de um minuto. E por alguns segundos imaginei que seria meu fim. Um doce fim, talvez da forma e ambiente que "mais agradasse". Forma? Forma tola e desnecessária. E o tempo precoce em demasia.
Da mesma forma que caí no esquecimento total, tudo voltou a tona: eu sabia sair da situação, só precisa respirar um pouco que fosse a cada passo, por mais que a pressão no peito impedisse.
Segui, e agora percebia que me movia, devagar, mas o necessário. Sem folego, mas não sem forças, parava, retomava o ar e prosseguia, pouco a pouco. Não sei quanto tempo durou o processo, mas depois senti que minhas forças voltavam cada vez mais, até que eu chegasse de volta a confiança que perdera.
Confiança sim, mas com segurança. Basta estar calmo e certo.
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
Crônicas de Mago - Capítulo 5
Houve um tempo em que meus passos eram curtos, bem menores que minha mente, que pairava sobre um longo espaço desconhecido. Sentado ou mesmo caminhando uns poucos metros, minha mente fluía de tal maneira que milhares de quilômetros poderiam ser percorridos em um espaço de tempo bem inferior ao imaginável.
Sempre fui andarilho, não é a toa que assim me chamam, mas não apenas pelos passos físicos, mas sobretudo pelo tanto que caminhei sem sair do lugar. Só quem o faz consegue entender tal coisa. Difícil explicar os meandres da mente que me permitiam isso, tal como é difícil explicar o estar só, mesmo quando acompanhado, algo comum para mim durante um tempo.
Hoje sinto que estou velho e já não consigo dar tanto passos quanto antes. Se meu corpo já não tem a mesma energia, minha mente parece acompanhar a falta de forças, e parecer ainda mais cansada.
Poderia sentar aqui e contar um monte de histórias, de vitórias, derrotas, desertos enfrentados, pessoas encontradas... Mas tudo seria uma grande falácia, porque seria um misto de verdades e ficções criadas para "ligar os pontos", que só possuem conexão em minha mente ou em mente de iguais.
Estranho usar essa expressão "mente de iguais". Dá uma falsa presunção de ser melhor que os outros, alguém mais evoluído ou algo do tipo. Na verdade, é exatamente o oposto: sou um simples andarilho, chamado de Mago, mas que não possui magia alguma além de ser um humano como outro qualquer. Talvez alguém de "mente igual" seja simplesmente alguém que compartilha da mesma loucura que eu, e nada mais.
Talvez essa loucura venha de tempos longínquos que nem eu tenho noção suficiente. Já me disseram que sou uma "alma velha", muito vivida em muitas vidas. Não faz parte de minha crença, prefiro pensar ser esta simplesmente uma característica de criação de meu ser: a inconformidade literal do pensamento exposto ao paradoxo da existência física do ser pensante.
Preciso retornar as caminhadas por desertos e regiões habitadas, mesmo que bem mais devagar do que outrora. Meu ser precisa disso para sobreviver e não enlouquecer. Minha alma precisa tanto quanto minha mente.
Preciso ler mais. Voltar a ler muito mais...
Sempre fui andarilho, não é a toa que assim me chamam, mas não apenas pelos passos físicos, mas sobretudo pelo tanto que caminhei sem sair do lugar. Só quem o faz consegue entender tal coisa. Difícil explicar os meandres da mente que me permitiam isso, tal como é difícil explicar o estar só, mesmo quando acompanhado, algo comum para mim durante um tempo.
Hoje sinto que estou velho e já não consigo dar tanto passos quanto antes. Se meu corpo já não tem a mesma energia, minha mente parece acompanhar a falta de forças, e parecer ainda mais cansada.
Poderia sentar aqui e contar um monte de histórias, de vitórias, derrotas, desertos enfrentados, pessoas encontradas... Mas tudo seria uma grande falácia, porque seria um misto de verdades e ficções criadas para "ligar os pontos", que só possuem conexão em minha mente ou em mente de iguais.
Estranho usar essa expressão "mente de iguais". Dá uma falsa presunção de ser melhor que os outros, alguém mais evoluído ou algo do tipo. Na verdade, é exatamente o oposto: sou um simples andarilho, chamado de Mago, mas que não possui magia alguma além de ser um humano como outro qualquer. Talvez alguém de "mente igual" seja simplesmente alguém que compartilha da mesma loucura que eu, e nada mais.
Talvez essa loucura venha de tempos longínquos que nem eu tenho noção suficiente. Já me disseram que sou uma "alma velha", muito vivida em muitas vidas. Não faz parte de minha crença, prefiro pensar ser esta simplesmente uma característica de criação de meu ser: a inconformidade literal do pensamento exposto ao paradoxo da existência física do ser pensante.
Preciso retornar as caminhadas por desertos e regiões habitadas, mesmo que bem mais devagar do que outrora. Meu ser precisa disso para sobreviver e não enlouquecer. Minha alma precisa tanto quanto minha mente.
Preciso ler mais. Voltar a ler muito mais...
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