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quarta-feira, 9 de março de 2022

Difícil

 Dias difíceis. Não sei explicar, mas não tem sido fácil... Dias difíceis em uma época difícil.

Muitos podem olhar o que acontece conosco e afirmar não haver motivos para tristeza, angustia ou ansiedade... Olhar de fora é tão bom, não é? Não vivenciar o que passa em nós, o que foi enraizado em nós por anos e anos a fio até chegar no que somos hoje.

Alegrias, tristezas, sentimentos e sensações não compartilhadas, medos... Tudo que foi se tornando a base do que somos, gradualmente, ao longo de todos os anos.

"Seja forte". "Não se preocupe". "Viva um dia de cada vez". Tantas outras frases prontas que falam, melhor dizendo vomitam, ao menor sinal de compartilhamento do que sentimos. E a pior de todas "Tem gente em situação pior". Como poderia me sentir melhor, por ter gente em situação pior? O que melhoraria meu ânimo, minha vida sabendo que tem gente que sofre?

Hoje não há um belo texto, assim como não tem havido nos últimos tempos. Hoje é só um desabafo, diante de tantas mudanças, tanta ansiedade diante de tantos cenários que se desenham…

Por hoje só quero descansar.

Gratidão por passar por aqui. 

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Girassol

Hoje envio essa música em homenagem àquela que tornou-se meu sol, minha guia e companheira.

E curiosamente, sendo nada ortodoxo, girassol foi a primeira flor que lhe dei.

"Hoje não me sinto só / O que sonhei chegou / Medo e tempestade não me cegam / Achei um Sol / Pra mim"






Quem diria de uma flor
Era a chave que faltou
Para abrir o coração
Trancado sem amor

Quem olhar pro céu vai ver
Nova estrela a brilhar
Tudo pode acontecer
E só acreditar

Num girassol
Que rompe a escuridão na claridade da manhã
Um girassol
Pra mim

Quem sonhar por uma vez
Terá asas pra voar
Viajar o mundo é
Mas vida encontrar

Quem quiser amar alguém
Tem que se amar também
No calor de cada um
Verdade sempre vem

Hoje não me sinto só
O que sonhei chegou
Medo e tempestade não me cegam
Achei um Sol
Pra mim

Num girassol
Que rompe a escuridão na claridade da manhã
Um girassol pra mim
Dia claro o Sol brilhou

Mais um inverno se passou
Paraíso é o teu olhar
E a vida sem parar
Quem quiser amar alguém

Tem que se amar também
No olhar de cada um
Procure de ter ver
Essa luz em nosso olhar

O que sonhei chegou
Medo e tempestade não me cegam
Achei um Sol
Pra mim

Num girassol
Que rompe a escuridão na claridade da manhã
Um girassol
Pra mim


Composição: Flávio Venturini.


 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Vazio

 Amanheci com uma sensação estranha. 

Um vazio estranho dominava todo meu ser. Mente vazia, e uma sensação de absoluta ausência de tudo, inclusive de mim mesmo. Olhei para os lados e nada. Nada mesmo. 

O quarto estava vazio, nem mesmo a cama da qual eu acabara de levantar estava ali. Em poucos passos percebi que toda casa estava vazia, nada nem ninguém. E eu estava tranquilo. Conforme eu andava, percebia que as próprias paredes perdiam sua materialidade. Em pouco tempo tudo a meu redor não passava de um imenso espaço vazio, como uma enorme sala de paredes, teto e piso brancos.

Sentei e deixei-me imergir naquela sensação que me acompanhava desde o despertar. Gradualmente comecei a me lembrar de vários momentos de minha vida, várias pessoas que conheci. Lembrei-me de você que está lendo, que eu posso conhecer, posso já ter visto, conversado ou não. Talvez todo contato que tenhamos tido tenha sido realmente por aqui: eu escrevendo, você lendo, comentando ou não.

E as lembranças se misturaram entre si, se misturaram com planos nunca realizados, com situações que nunca saíram do pensamento, projetos nunca saídos do papel. Em todo aquele espaço branco pintou-se uma tela de histórias, lembranças, planos, sonhos, todos misturados de uma forma que não consegui mais discernir o que era real ou imaginação.

Agora eu estava ali inerte, sem sentir meu próprio corpo como se eu fosse apenas toda aquela miscelânea de informações que ali estava passando naquela estranha tela branca. Por um momento acreditei que eu havia morrido. Sim, morri e toda minha vida estava passando diante dos meus olhos. Minha vida, meus sonhos, meus planos, as pessoas que conheci, as pessoas que deixei de conhecer, os caminhos que segui e aqueles que abandonei sem percorrer.

De repente ouço um barulho que me tira de todo aquele transe. Era como se algo arranhasse e rasgasse uma parte daquele espaço. Sim, era um arranhado, e eu conhecia aquele ritmo. Contudo, estava imóvel, não podia mover nem mesmo a cabeça para olhar. Pelo rasgo ele entrou, e atrás de si, o mesmo rasgo se fechou. Após observar-me, deitou-se a meu lado. E exatamente após ter deitado, cores invadiram as paredes, teto e chão. Cores aleatórias e disformes.

Custei a entender o que acontecia. Deitou a minha espera. Veio me buscar. Olhei bem para o alto e vi como um grande buraco de minhoca, e do outro lado ele lá, deitado em seu lugar habitual, dormindo. Entendi tudo. Deixou seu corpo descansando e veio me acompanhar.

Não me restava mais nada. Pela primeira vez desde que "acordara", fechei meus olhos e me deixei levar. Estava agora leve, não me mexia, não andava, mas meu corpo antes tenso estava relaxado e parecia levitar. Sem saber para onde estava indo deixei-me levar, e quando finalmente senti que parara, abri os olhos e já não sabia se voltara ou se estava em outro lugar.

Mas no alto ele dormia, como se nada houvesse acontecido. Se algo acontecera realmente.


quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Deus é pai



Quando o sol ainda não havia cessado o brilho

Quando a tarde engolia aos poucos as cores do dia

E despejava sobre à terra

Os primeiros retalhos de sombra


Eu vi que Deus veio a sentar-se

Perto do fogão de lenha da minha casa

Chegou sem alarde, retirou o chapéu da cabeça

E buscou um copo de água num pote de barro


Que ficava num lugar de sombra constante

Ele tinha feições de homem feliz, realizado

Parecia imerso na alegria que é própria

De quem cumpriu a sina do dia


E que agora, recolhe a alegria cotidiana que lhe cabe

Eu o olhava e pensava

Como é bom ter Deus dentro de casa

Como é bom viver essa hora da vida


Em que tenho direito de ter um Deus só pra mim

Cair nos seus braços, bagunçar-lhe os cabelos

Puxar a caneta do seu bolso

E pedir que ele desenhasse um relógio bem bonito no meu braço


Mas aquele homem não era Deus

Aquele homem era meu pai

E foi assim que eu descobri

Que o meu pai com o seu jeito finito de ser Deus

Revela-me Deus com seu jeito infinito de ser homem


Compositores: Padre Fábio De Melo

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

O que é errado?

Um dia e pesquisas avulsas. Pesquisa uma coisa, que leva a outra, etc. Encontrei um site em que foi feita uma interpretação de alguns trechos bíblicos que o mal da sociedade moderna é a monogamia. Afirmavam que o amor  é algo grandioso para ser restrito e principalmente o sexo deveria ser livre, pois é algo natural e para o qual o ser humano foi criado, assim como dos demais seres vivos. Afirmam ainda que a monogamia foi um conceito criado e inserido na sociedade com fins de maior controle social.

Lendo os textos sem preconceito à ideia apresentada, é possível até achar os argumentos são bons, plausíveis, porém eles os argumentos e a ideia vão de encontro a diversos conceitos e preceitos, religiosos e sociais.

Levanto esse ponto nesse início de texto, não objetivando defender alguma ideia poligâmica, nem mesmo discutir ou criticar tais ideias. Apenas quero apresentar um exemplo de ideia difundida entre algumas pessoas que contrariam o que creio ser o pensamento de uma grande maioria. 

Não cabe aqui discutir o que é correto ou não, e sim perceber haver tanto que cremos, pensamos, tantos conceitos e preceitos que mesmo inconscientemente nos acompanham e ditam nossas ações. Há tanto que é socialmente aceite ou não... E há tanta gente que difunde ideias diferentes.  O certo e o errado acabam não sendo coisas opostas, mas apenas dispostas lado a lado, e com uma fina película entre eles

Há quem goste de relacionamento aberto, e sinta-se bem com isso. E até quem busque alguma base religiosa para isso, como acabei encontrando. Posso discordar, mas desde que não seja prejudicial a mim e respeitem minha opinião, não vejo problema que façam e pensem o que quiserem.

Seria bom se as pessoas agissem respeitando as crenças e convicções dos outros. Estaríamos num mundo melhor, mas infelizmente muitos querem impor suas posições, crenças…

Em minha opinião, a imposição de ideias sempre será um problema, e a maior culpada dos problemas no mundo.

Sonho com um mundo em que todos respeitem a diversidade de ideias, opiniões e opções.

Meu mundo desejado é utópico


sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

2022...

 Já escrevi um pouco sobre as perspectivas para o novo ano na mensagem de Natal. Entretanto, cri ser bom escrever um pouco mais hoje, dia que o ano se encerra.

Poucas vezes em minha vida senti o que estou prestes a escrever: "apaguem 2021" e vamos começar de novo. Em geral, mesmo nos anos mais difíceis, costumo afirmar que tirei grandes ensinamentos do ano, das dificuldades, etc. Não, caro leitor, não quero afirmar que dessa vez não aprendi absolutamente nada, pelo contrário, aprendi muito entre erros e acertos, mas pela primeira vez acredito que poderia aprender em qualquer ano, qualquer situação diversa da que se passa.

Contudo, prefiro encarar esse ano como o segundo filme de uma trilogia: normalmente não é um bom filme, mas uma conexão entre o primeiro, que trouxe todo o enredo da história e o terceiro que virá com o desfecho e, na grande maioria dos filmes, o "final feliz". Será que conseguimos?

Dois mil e vinte trouxe grandes desafios, limitações, medos e dúvidas, que se prolongaram por todo esse ano, porém, tivemos uma ponta de esperança nos últimos meses. Uma esperança que realmente podemos fazer de dois mil e vinte dois, um ano de grande conclusão dessa fase de incertezas. Um grande desfecho desse enorme, e em muitos casos doloroso, aprendizado.

Nessa linha, me perguntaram sobre metas para o novo ano. Minha única meta é chegar ao fim do ano vivo e bem de saúde. Não é pessimismo ou algo do tipo. Resolvi não fazer metas, não ter metas e viver dia a dia. Tenho planos que vou concluindo conforme é possível, e espero continuar dessa forma.

Acredito que esse ano será de surpresas. Não importa se boas ou ruins, será de surpresas. E dependerá de nós transformarmos o que for uma "surpresa ruim" em oportunidade de fazermos melhor, de mudarmos para algo melhor.

Que assim seja! Feliz 2022 e uma vida feliz a todos

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Então é Natal...

 Então é Natal... Não, não caro leitor. Não recitarei nem colocarei aqui a velha e recorrente música da época de Natal gravada pela cantora Simone. Tampouco colocarei uma mensagem de Natal, como de costume. Essa é mais uma mensagem de esperança.

Pelo segundo ano seguido, temos um Natal em meio a dúvidas, medos e receios por causa dessa pandemia global. Caso você esteja lendo esse texto bem depois, saiba que os anos de 2020 e 2021 foram bem complicados em todo o mundo. Pandemia de um vírus que dizimou uma boa parte das pessoas e afetou tantas outras. Só no Brasil passamos do meio milhão de óbitos pela COVID19. E mais uma vez, chegamos ao Natal em meio a tudo isso. Dessa vez temos vacina, e o ritmo de mortes e contaminações diárias parecem ter desacelerado um pouco, mas ainda está alto o bastante para não relaxar nos cuidados.

E esta é a grande esperança. Celebramos o nascimento de Jesus, para os que creem filho de Deus feito homem que nasceu e viveu dentre nós, e morreu por nossa ignorância e pecado. Morreu pela soberba humana, pelo medo de perderem o poder e a influência do povo. Para os que não creem é apenas uma festa pagã, onde muitos trocam presentes e confraternizam. Para ambos casos, insisto em dizer ser um tempo de esperança.

Em sete dias o ano se encerra, e vem a grande pergunta, presente até na música cita anteriormente: o que você fez? O ano termina e nasce outra vez... O que queremos do ano que está chegando? O que aprendemos com esse ano que passou? O que levamos de tudo que passamos e o que deixamos para trás?

Talvez eu já tenha respondido grande parte dessas questões ao longo dos poucos textos que escrevi este ano, mas mesmo assim posso resumir, respondendo a cada pergunta. Algo como uma confissão de fim de ano.

Fiz pouco, ou bem pouco do que pretendia esse ano, assim como todos os que iniciam o ano planejando. Cada vez tenho planejado menos e mesmo assim não cumprindo tudo. Estou vivo, e diante das intempéries que andam tendo no mundo isso é um lucro grande. Quero um ano de paz, de renovação e ajustes. É complicado, porém, a verdade é que no fim 2021 foi mentalmente muito mais exaustivo que o ano anterior. Aprendi que por mais que tente, muitas coisas não mudam, muitas pessoas têm uma dificuldade grande de aceitar que não estão sempre certas, que discordar nem sempre é um ato anárquico e sim de sabedoria e paz de espírito. Levo comigo esse aprendizado que as pessoas se perdem e por mais que tentemos ajudar, muitas vezes não querem ajuda ou não conseguem aceitar a ajuda. E como o resgate de um afogado, arriscamos nos afogar tentando ajudar, a diferença é que nem sempre é possível desacordar alguém para puxar para margem. Em muitos casos a pessoa tem que perceber ser o caminho certo, e não vir sem sentido., pois se assim o fizer, voltará para as "águas profundas" para afogar-se. Deixo para trás muito mais do que gostaria, e muito menos que precisava. Deixo grande parte da culpa que nunca tive, da mágoa que nunca foi provocada e de outros sentimentos similares que nunca foram sentidos. No entanto, deixo também a memória de pessoas especiais que se foram, vítimas da pandemia e da imprudência, principalmente governamental, agora estão junto ao Pai. A saudade fica, mas as lembranças também. E a esperança de um recomeço no novo ano. 

Não será um ano fácil. Recomeços nunca são, mas é preciso enfrentar as mudanças, superar o desanimo, vencer o ócio e passar pelos dias difíceis. Os dias bons retornarão. Eu tenho fé.

Feliz e abençoado Natal. E um novo ano de mudanças e paz.